Sábado, Maio 31, 2003
Estou saindo pra festa.Clube. agora.
Se você não vai, não sabe o que perde!
Até mais! Gabs
9:57 PM
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Quinta-feira, Maio 29, 2003
B, tu me inspira.
Vai escrever bem assim lá no teu blog!
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Há as referências e as reverências. De ti o primeiro, A ti o segundo, menina.
Gabs
6:19 PM
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Hoje meu horóscopo dizia que eu teria um bloqueio mental e não teria criatividade para nada.
Engraçado... Há tempos não escrevia tanto aqui no blog.
Imagina quando ele disser o contrário. Escrevo um romance.
mensagem subliminar: Só acredite em signos que não os do zodíaco. Estes enganam. Gabs
6:14 PM
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Há pessoas que se acostumam às permanências. Há muitas no mundo.
Deve ser interessante viver no mundo em vez de viver o mundo. Interessante, não, desculpem, cômodo.
Viver incomodado é esperar mudanças que são iminentes, mas não passam disso.
Iminências. Reminescências.
A comodidade vicia.
Coca-cola também. Gabs
6:11 PM
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Tinha um medo enorme das mudanças e estabelecia as variações de sua rotina segundo critérios de extrema necessidade. Não era afeito a modificar a ordem e o curso das coisas, mesmo as que dele dependiam para a simples razão de existir. Era feliz assim e não via motivos para que não o fosse.
Tinha trinta e quatro anos, trinta e dois dentes, dois graus de miopia, uma hérnia de disco, um emprego há doze anos. Tinha LER e era feliz.
Sentado à cadeira em seu birô da repartição, folheava os papéis que chegavam a sua mesa. No início da manhã eram algumas pastas, apenas, que acumulavam-se no decorrer do dia e eram incontáveis perto das seis horas da tarde, que era quando todas as não abertas, não conferidas, não aferidas e não folheadas voltavam ao depósito para esperar, no outro dia, uma segunda oportunidade. Pegava o ônibus dois quarteirões adiante com a sensação de mais um dia de trabalho cumprido e consciente de sua verdadeira e substancial importância no mundo burocrático. O pulso doía.
No dia seguinte estava de volta a mesa de madeira marrom-escura avalizando formulários e dando entrada em documentos que já existiam no dia anterior e muitos dias antes deste. Carimbava e assinava os papéis que a estagiária trazia à mesa, após folheá-los rapidamente e validar o preenchimento de todos os campos. Ouvia discretamente as conversas alheias, entre goles de café e paradas para pequenos descansos e cigarros. Vinha sempre alguém avisá-lo que já estava perto das dezoito horas, ele agradecia a pessoa com um sorriso e um Graças a Deus, mais por hábito que por sinceridade, e começava a separar as pastas conferidas das ainda fechadas. Estas esperariam ainda mais um ou dois dias para receber sua atenção. Nesta noite choveu.
Em casa já, no quarto-e-sala que pudera financiar com seu salário da repartição, esquentava a sopa de geladeira, como em todos os dias, e conferia a correspondência. Nem ali as mãos ficavam inativas, passeando de conta em conta, propaganda em propaganda. Pagaria amanhã as contas do mês passado e faria novas despesas para o próximo vencimento. O pulso doía. Deitou-se no velho colchão mofado e encarou o teto encardido enquanto a chuva caía na avenida. Os ônibus iluminavam a janela embaçada e o movimento da rua se repetia em reflexo luminoso na parede. As imagens desordenadas a primeira vista eram intrusos na falsa organização de seu quarto.
Observou o vai-e-vem de luzes na parede, concentrou-se, prestou atenção e de repente se sentiu invadido por um sentimento de felicidade e conquista: até nos reflexos havia um padrão. Uma ordem. Dormiu sem lembrar do pulso lesionado. Só pensava nas permanências e na tranqüilidade e segurança que isto trazia. Dormiu como todas as noites. Amanhã teria uma nova pilha de velhas pastas a serem verificadas. Gabs
4:13 PM
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Hoje, exclusivamente, Bitten Blues às 21h!
Mais cedo. Ainda dá tempo de sair pra farra.
Eu vou ao Ritz depois do show. Alguém mais?
Gabs
3:48 PM
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ERRAMOSRAM
No jornal O POVO de hoje saiu a foto de uma menina sobre a legenda "Érica Zíngano" e que não era a Érica Zíngano.
Não que eu me incomode, é só pra constar. Gabs
3:46 PM
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Quarta-feira, Maio 28, 2003
Sei que preciso melhorar do olho até o final de semana.
Não posso perder a Festa Clube, no dia 31.
Festa.Clube 31.05.03
Um prédio de 3 andares, 3 ambientes de festa, com vista para a Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza.
No salão prinicipal, rock&afins por conta dos djs Diego e Dan69.
No segundo andar, pocket show da 1Online, nova banda da Beth Grapete
No terraço do prédio, o som gingado de Guga de Castro e o drum n' bass de Chris DB.
O ingresso é R$ 15,00 para os não-sócios do "Clube" e R$ 10,00 para os sócios.
Para se associar, basta enviar o nome completo para o e-mail festa.clube@secrel.com.br.
Encaminhe para seus amigos ou inscreva você também o nome deles por lá!
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Uma festa assim, em local inusitado, não acontece todo dia. Gabs
11:42 AM
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Escrevo na proporção que troco o carro pelos pés. Não consigo tirar inspiração nos meus caminhos diários, e sim nas quebras de rotina. E faz tempo em que não há quebra nem fratura.
Quando ando fica mais fácil observar, a gente despreocupa de outras coisas. Como o carro da frente, por exemplo.
Faz tempo que meu caminho a pé se restringe aos dois quarteirões que separam minha casa da parada de ônibus. O trajeto para o trabalho não tem nenhuma novidade.
Queria dizer que o zigurate vermelho ainda está lá, no mesmo canto. Queria dizer também que o conheci por dentro, mas isso é outra história. Queria dizer que estou com conjuntivite e faltei ao trabalho ontem para passar o dia de cama, em repouso. Queria dizer que ouvi The Jeevas, a nova banda do Crispian Mills, e me decepcionei pra caralho. Queria dizer que gostaria de me aprofundar no que quero dizer, em vez de simplesmente citar estes quereres.
Preciso andar mais a pé. Preciso andar. Preciso.
É necessidade, sabe? Como a da nominação. Gabs
11:33 AM
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Este espaço em branco me intimida como nunca antes. Gabs
11:22 AM
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Quinta-feira, Maio 22, 2003
Blues no centro, horário do almoço. Inexplicavelmente, o BNB estava cheio, pessoas no chão.
Comprovação de que há público para blues em Fortaleza, o que falta é informação.
Double Blues está afiadíssima, bem ensaiada, pessoal entrosado, som de primeira.
O público aplaudia cada música encerrada.
Levei inúmeros panfletos para distribuir para as pessoas que estavam na platéia, falando sobre o nosso show de hoje a noite. Espero tê-los informado. Se conseguirmos metade do público que estava lá, isso já dá mais do que qualquer público que já tivemos no bar do hotel.
Daqui a pouco veremos se o trabalho de divulgação vai render algum resultado.
No final do show, o Felipe me chama ao palco e fazemos uma música juntos. Meu microfone estava desligado (ou muito baixo) no começo, o que me fez automaticamente entrar em um nervosismo parcialmente controlado. A coisa mais desconcertante para mim é quando chego no microfone depois que a música começa, abro a boca e não consigo me ouvir. As pernas tremem assim que o ouvido não percebe. Tive que trocar de microfone durante o show e estava tão nervoso com o acontecido que ficava para um lado e outro, sem ação. Acho que no fim deu certo, espero. Falei sobre o show no palco, também.
Esperemos.
Um adendo: O pessoal do BNB é super prestativo e compreensivo: deixaram a gente panfletar lá dentro a vontade e ainda guardaram uns panfletos para distribuir junto com o programa às pessoas que viriam assistir a segunda sessão, às 18h. Fiquei impressionado! Para bem.
Gabs
8:10 PM
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Sexta-feira, Maio 16, 2003
- Tome cuidado.
- Tomemos.
Gabs
11:27 PM
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Aproveitando o momento publicitário, continua acontecendo Show da Bitten Blues toda quinta no Vila Galé.
Ontem teve, por sinal.
Gabs
8:28 AM
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PROGRAMA DE INDIE?
DOMINGO, 18 DE MAIO
AUTORAMAS (RJ)
Abertura com as bandas:
BELASCO
DAGO RED
DEUSES DIET
Hey Ho! Rock Bar
Domingo, 18/05
17h
R$ 5, apenas.
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A Autoramas é aquela, você já conhece.
A Belasco está lançando CD e a Dago Red é tradicional banda de School Rock.
A Deuses Diet é a banda do Ítalo e da Fernanda, ex-Alcalina.
Eu vou. Gabs
8:07 AM
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Terça-feira, Maio 13, 2003
Cine Ceará 2003 - ou Armadilha: Monga
O cinema nacional tem se alimentado de temáticas, clichês e fórmulas. Nada de novo no front, e em tudo que se olha se reconhecem as referências.
Há um tempo atrás, a temática era o regionalismo. E tome "Corisco e Dadá", "Baile Perfumado", "Central do Brasil", "Eu, tu e eles", uma penca de filmes passados no meio do sertão nordestino. Agora a temática é a violência e tramas urbanas. Desde "O Invasor", passando por "Bellini e a Esfinge" e o incensado "Cidade de Deus".
O importante é fazer o filme utilizando o máximo de violência e colagens ridículas de outras fórmulas quaisquer, cheio de frases extraídas sobretudo da filosofia pé-de-chinelo de botequim e de referências literárias, sem dispensar os palavrões, antigos companheiros do cinema tupiniquim.
Na nova temática do cinema brasileiro tem que haver sangue, personagens esteriotipados, favelados, drogados, marginais e pobres, policiais corruptos e violência gratuita. Tudo isso misturado e se tem a fórmula de mais um filme brasileiro de sucesso. Ora, se deu certo com o "Cidade de Deus"...
O ruim é a impressão de que todos os longas do Cine Ceará são iguais, porque a violência gratuita no papel principal desvirtua qualquer possibilidade de se tentar diferenciar roteiros e tramas. Fica tudo muito rasinho, fraquinho mesmo. "Cama de Gato" (o Laranja Mecânica brasileiro, segundo disseram-me), "Seja o que Deus quiser" e o rasíssimo "Amarelo Manga" são irmãos e contemporâneos em época de falta de inventividade no cinema nacional. Se a fórmula droga+violência+gangues de jovens (favelados ou de classe média) dá certo, por que tentar ir contra a corrente? Você fica com vontade de lavar as mãos ao sair do cinema.
Neste Cine Ceará nada me chamou a atenção ainda. Nada de excepcional. Filmes para se ver hoje e se esquecer em alguns dias. Fica faltando aquela sensação de sair satisfeito do cinema depois de ter assistido a uma história inovadora ou interessante. E que não seja uma mera colagem de citações e referências sem embasamento.
O pior é que até os documentários, livres até então dos modismos cinematográficos, tem começado a definir uma temática, uma corrente de discurso. Agora some o narrador e entram em cena os próprios sujeitos da história, os personagens. Agora o tema geralmente é a delimitação de um pequeno universo social e as histórias que os sujeitos contam dali. Seja este microcosmos um edifício em Copacabana, uma pequena Associação de Boxe Amador ou um grupo de rezadeiras do interior nordestino.
O primeiro documentário sai e faz sucesso, os próximos seguem a onda.
Acho ainda que os mais coerentes e sensatos documentaristas atuais continuam sendo o Marcelo Masagão, que consegue contar histórias sem frases faladas, sem narração, só com imagens, e o Jorge Furtado, cuja narração é um evento a parte - apesar do mesmo ter colaborado com a minissérie "Cidade dos Homens", da Globo, onde a temática violência volta em tom didático em um semi-documentário. O resto anda num marasmo sem igual, falta um sopro, sei lá.
Quando a mesmice e o comodismo chegam no cinema, revolucionário por natureza, algo de errado está acontecendo... Gabs
3:59 AM
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Segunda-feira, Maio 12, 2003
Da sempre coerente Beth Grapete:
<abre aspas>
Salão de Abril.
O Weaver ganhou.
Um cubo mágico de presente!
Mó palha: compre sua passagem que por lá eles vão adorar.
Chegando lá, a maior apitaria, zoada, narizes de palhaço. Pensaram até que era uma "manifestação artística contemporânea". Na verdade, era um tradicional protesto. Eis um trecho da mensagem que a Taís Monteiro, uma das participantes, enviou ontem pela Internet.
"Apesar de selecionado, nosso trabalho (NE: dela e do irmão Ticiano) não estará lá exposto devido ao salão não ter dado as condições mínimas de iluminação nem de segurança, além de ter ficado tosco, aparecendo fitas comadas, o chão e os módulos manchados. Resolvemos assim retirar nosso trabalho e não só sair com esta frustração e prejuízo, mas transformá-las em alguma manifestação de crítica ao salão. Não fomos os únicos a retirarmos o trabalho estivemos reunidos com outras pessoas insatisfeitas para planejar ações que tornem pública essa discussão, ou seja, não será uma abertura como as anteriores, vai ter algumas ações, talvez performances, registros e etc."
Segundo ela, as fotografias iam ficar à penumbra e o aparelho de TV e o videocassete necessários, generosamente cedidos por terceiros (inclusive pelo Cefet-CE), iam ficar à mercê da chuva e da precária segurança do local, o Centro de Referência do Professor, antigo Mercado Central.
Muitas câmeras de vídeo, fora e dentro de sacolas de feira. Uma delas registrou o momento em que Ticiano Monteiro roubava seu próprio trabalho da parede e era detido pelo braço por uma igualmente revoltada professora primária.
Artistas de plástico são assim. Se duvidar, alguns gostam mais de uma confusão festeira, de uma discussão acerca do sexo dos anjos, do que de simplesmente sentar e contemplar. É muito passivo, saca? Cadê a interação?
Só uma coisinha: alguém aí conhece a mão de obra que é fazer a Funcet liberar alguma grana? Será que a organização do Salão não precisa de nenhuma ajuda dos artistas, seja ela braçal e burocrática, a fim de se manter um evento forte e novamente acreditado, ou pelo menos sob a forma de uma conversa franca, construtiva, despida de vaidades e regada a novas idéias, a fim de se manter um evento forte e novamente acreditado?
E se for ao embate, que tal chegar ao âmago da coisa? Critique a Prefeitura, essa coisa amorfa em que, precisando, não se sabe a quem recorrer. Peça mais verba para a cultura nesta cidade, uma das maiores metrópoles brasileiras. Peça nova curadoria. Faça alguma coisa, além de arte. Faz-se necessário. Aproveite a viagem, e também aceite crítica, abra a panelinha, baixe a "esfera". Humildade é o que há!
<fecha aspas>
Gabs
1:45 PM
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Só complementando mais uma vez.
Está rolando uma discussão entre os novos artistas cearenses sobre esta polêmica do Salão de Abril. Quando o documento final for compilado eu coloco tudo aqui para deixá-los a par, ok? Gabs
12:35 PM
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Descaso com o Artista
Como passei quase um mês sem computador, este assunto pode até parecer datado. Mas não é.
E acho que eu poderia aproveitar realmente um pouco deste espaço para dar um alcance maior a estas discussões, já que a história não deve ter tido muita cobertura no resto do país.
Só para dar um embasamento rápido a quem é de fora, aqui em Fortaleza há dois grandes jornais: o O Povo e o Diário do Nordeste. O segundo pertence a família mais rica do Ceará e é bem mais raso e conservador que seu concorrente que já tem mais de 70 anos e é bem ágil e completo.
Vão as notícias dos dois jornais para que vocês tirem suas conclusões sobre o que houve na abertura do Salão de Abril, tradicional exposição coletiva de Artes Plásticas no Ceará.
Mariana Smith, Artista Plástica
- Notícia do DN (rasinha)
- Notícia do O Povo (página 1)
- Notícia do O Povo (página 2)
(Só para complementar [parênteses longo]: É no mínimo contestável um festival cuja curadoria não tem nenhuma expressividade no meio de artes plásticas e parece estar ali por indicação de alguém da Funcet, em um Estado onde não se sabe sequer o que é uma instalação ou uma intervenção... E se eu fosse falar do meu descontentamento com a atual secretária de Cultura do Estado, eu ia me extender bem mais por aqui. Deixa pra lá, depois eu falo.)
Gabs
12:18 PM
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(David Alfaro Siqueiros - Angústia [A mãe do artista]) Gabs
2:22 AM
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Como quando se puxa o tampão da pia transbordante e toda a água acumulada quer passar de uma vez pelo ralo recém-aberto.
Como quando se aperta um travesseiro contra o peito e, por um instante, se deseja ser o travesseiro só para sentir-se abraçado e protegido.
Sensação de iminência de queda; de perda, até do que nunca se teve.
Estas paredes me oprimem, ainda. Os espaços da cidade são mais confortáveis e acolhedores.
As paredes são de uma cor gelo, quase cinza. Ou será que eu as vejo assim por auto-sugestão?
A cidade ainda reserva surpresas e descobertas. Gabs
1:33 AM
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Terça-feira, Maio 06, 2003
Ontem eu me senti como naquela poesia do Bandeira.
Perto da rodoviária, 11 da noite, uma família de miseráveis mexendo no lixo procurando comida.
O pai - devia o ser, era o mais velho - com um chapéu encardido, sertanejo, preto enfiado na cabeça também preta de sujeira, a barba grisalha e desgrenhada, surge de trás de um saco plástico preto de lixo. Daqueles enormes, próximos aos condomínios, segurando um troféu e chamando a família.
Era um frasco usado de Dan´Up, aqueles iogurtes em garrafinhas.
*
As luzes fracas dos postes próximos, os faróis do carro que passaram por um átimo sobre a cena. O suficiente para que eu a gravasse com detalhes: as três crianças sem camisas, a mulher seca e barriguda como a metáfora perfeita do contraste e o homem, o pai, que os chamava para mostrar a garrafa de iogurte. Me senti um merda.
Gabs
3:40 PM
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Às vezes os textos são incompreendidos. Às vezes compreendidos demais.
Os silêncios e grafismos podem ser sinais. Tudo depende, só o café é absoluto.
Meu computador está saindo da quarentena estes dias. Ontem voltou do conserto, mas sentiu falta da oficina e já está lá de novo. Devo buscá-lo quando sair do trabalho.
Estava cheio de coisas para escrever, mas o tempo acabou levando junto. Quando não se anota...
É isso. Gabs
3:31 PM
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