Quarta-feira, Junho 18, 2003
Aqui jaz um post. Gabs
7:41 PM
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A propósito, no site oficial do Dogma 95 tem os trailers dos filmes do movimento.
Outra coisa...
Alguém me explica por que que o logo do Movimento Dogma 95 é um olho saindo de dentro do ** de um porco? Gabs
12:26 AM
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Pode parecer um absurdo dizer isso, mas a verdade é que, até hoje, eu nunca tinha assistido ainda ao Dançando no Escuro.
O diretor, Lars Von Trier, fez outros filmes como "Festa em Família" e "Os Idiotas" (que ainda não vi), além de ser co-mentor, junto a Thomas Vinterberg, das regras do Movimento Dogma 95, uma contestação à Indústria do Cinema baseada mais na espontaneidade da ação do que em recursos cinematográficos espalhafatosos e efeitos especiais.
Apesar de ser co-autor do movimento, Dançando no Escuro não segue à risca os 10 mandamentos estabelecidos pelos dois cineastas dinamarqueses.
A súmula do manifesto do Dogma 95 é a seguinte:
"Eu juro me submeter ao seguinte conjunto de regras criado e confirmado pelo Dogma 95:
1 - A imagem deve ser feita em locação. Objetos e cenários não podem ser incorporados. Se um determinado objeto em particular for necessário à história, deve-se encontrar uma locação onde tal objeto exista.
2 - O som nunca pode ser produzido separadamente das imagens e vice-versa. Música não deve ser usada a não ser que ocorra na cena em que está sendo filmada.
3 - A câmera deve estar na mão. Qualquer movimento ou imobilidade é permitido, desde que seja produzido pela mão. O filme não pode passar onde a câmera esteja. A filmagem deve ocorrer onde o filme se passa.
4 - O filme deve ser em cores. Iluminação especial é inaceitável. Se há muito pouca luz para a exposição, a cena deverá ser cortada, ou uma simples e única lâmpada deverá ser acoplada à câmera.
5 - Trabalhos óticos e filtros estão proibidos.
6 - O filme não pode conter ação superficial (assassinatos, disparos de armas, etc, não devem ocorrer).
7 - Alienação temporal e geográfica estão proibidas. Isso quer dizer que o filme se passa aqui e agora.
8 - Filmes de gênero não são aceitos.
9 - O formato do filme precisa ser 35mm acadêmico.
10 - O diretor não deve receber crédito.
Além disso, juro como diretor, renunciar ao meu gosto pessoal. Não sou mais um artista. Eu juro renunciar à criação de uma "obra", já que considero o instante mais importante que o todo. Meu objetivo supremo é arrancar a verdade de meus personagens e cenários. Prometo fazê-lo por todos os meios à minha disposição e ao custo de qualquer -bom gosto- e considerações estéticas.
Portanto, faço aqui o meu voto de castidade.
Copenhagen, segunda-feira, 13 de março de 1995.
Lars Von Trier e Thomas Vinterberg"
Felizmente, Dançando no Escuro não seguiu o manifesto completamente. É um musical, sim. Tem disparos de armas (muito embora não tenha ação superficial) e o diretor é bem creditado. Felizmente.
Não vou me ater a fazer uma crítica ao filme, apenas a sugestão de que, se você ainda não viu, deve assistir com certeza. Destaque para a belíssima seqüência na linha do trem, onde ela canta "I´ve Seen It All", que você acha facilmente em qualquer programa estilo KaZaa.
COMENTÁRIO POSTERIOR A POSTAGEM INICIAL:
O Movimento Dogma 95 lembra muito idéias revolucionárias e bem anteriores, como o Cinema Novo no Brasil de Glauber Rocha (que não deve ser o mesmo daquela penca de diretores que adoram filmar em coberturas no Leblon, por exemplo).
Seguindo este caminho de filmes com baixo orçamento, ausência de efeitos, boas atuações e boas idéias na cabeça, podemos incluir no rol várias novas produções nacionais. Não é segredo de quem me conhece que meu curta favorito continua sendo o "No Passo da Véia", com a atuação fantástica de Dona Nenê que, como a Björk, nunca foi atriz na vida.
A propósito, há inúmeras outras relações possíveis entre as duas produções. Um final embargante é apenas uma delas. Assista aos dois filmes e tente dormir depois. Gabs
12:25 AM
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Terça-feira, Junho 17, 2003
 105 anos de Escher Gabs
5:13 PM
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Sábado, Junho 14, 2003
Macondo.
Gabs
6:35 AM
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A chuva deu uma trégua agora. Parece que já tem sol.
Não parecia ser um bom começo para um sábado.
Gabs
5:37 AM
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Mais uma noite sem sono.
Terceira seguida.
O céu está cinza e ouço barulho de chuva em teto de zinco.
As janelas estão fechadas. As cortinas também.
Só ouço.
.
Só.
Gabs
5:18 AM
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Sexta-feira, Junho 06, 2003
Antes eu tinha a rua. Para não perder a poesia, a lua também.
Eu ficava deitado numa rede na varanda, no final de semana, olhando longe o movimento das pessoas, dos ônibus, o Sorvetão da Vigílio Távora.
Havia vida acontecendo depois da minha varanda e eu, num estado de sonolência, o corpo na rede, a cabeça nas nuvens, me sentia bem com isso.
Hoje tem um prédio.
Fica a menos de 10 metros de distância do meu, tenho certeza. É branco com azul. E este azul que reflete incide na parede da minha sala. É lúdico.
Mas o azul não é recompensa. Perdi a vista da rua, das pessoas, dos ônibus, da vida que sabia existir fora da minha varanda. O prédio azul roubou a paisagem. Tem a frente virada para onde tínhamos frente, e as costas viradas para nossas janelas. Para nossas varandas.
Em alguns meses, quando o prédio for ocupado, saberei que há vida pela movimentação nas cozinhas. A menos de dez metros.
E, de voyeur, passarei a objeto. É uma troca justa. Não tanto quanto o azul das paredes.
Isso eu sei que um dia vou enjoar. Gabs
2:21 PM
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Minha casa estava azul às duas horas da tarde. Gabs
2:11 PM
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Quinta-feira, Junho 05, 2003
Vila Galé hoje, a partir das 22h.
O esquema é o de sempre.
Gabs
2:01 PM
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Quarta-feira, Junho 04, 2003
de como Fellini narrou o circo
Se o filme terminasse na cena em que o velho palhaço, cansado ao fim do espetáculo, se vira para Fellini e fala: "Frederico, posso ir para casa?", já seria o suficiente para encerrar o carrossel de imagens, emoções e cores da hora e meia anterior. Fellini, entretanto, opta por alongar a seqüência: o palhaço começa a arrumar suas coisas no circo vazio, enquanto descreve um esquete que representava no circo, em companhia de outro palhaço. O tema da esquete, assim como o da última esquete apresentada no filme, é a morte.
A figura do palhaço cansado, arrumando suas coisas em meio a escuridão não mais tão mágica do picadeiro vazio, alegoria talvez da tão anunciada morte do circo, súbito se transforma. De um momento para outro, em seu relato, o palhaço volta no tempo, reaparece no meio do auditório do circo vazio, tocando uma corneta junto a outro palhaço, seu amigo, para logo mais desvanecer em frente a saída para as coxias. A ousadia em alongar a última seqüência, no final, revela-se frutífera: É o ponto final do filme o desaparecimento dos palhaços que, às portas da saída, em vez de irem embora, somem no ar.
É perceptível a evolução da narrativa rumo a declaração de óbito da profissão do palhaço: Os últimos palhaços entrevistados ou citados, em oposição aos primeiros, são um velho palhaço cansado que não gosta de falar sobre o circo e vive recluso, um famoso palhaço considerado o melhor de todos os tempos e que, como tal obrigaria, morreu jovem e antes de se deixar para posteridade, o palhaço que foge do hospital para ir ao circo e morre na platéia, a cômica esquete da morte de um palhaço e, por fim, o palhaço cansado que se despede evocando a morte, o desaparecimento.
Não seria exagero dizer que a narrativa passa da evocação lúdica da profissão do palhaço à constatação iminente de que a mesma está com os dias contados, fadada ao esquecimento e ao desaparecimento como estão as tradições circenses. Não seria exagero também notar todo o cuidado com a estética dos cenários e indumentárias (tão típico de Fellini) e ao mesmo tempo a referência constante ao efêmero. De uma hora para outra, uma esquete repleta de elementos acaba, sem deixar rastros, para ser substituída por uma seqüência de domadores, por exemplo.
"Os Palhaços" não é a obra-prima de Fellini, mas nem por isso deixa de ser fundamental em sua filmografia. O filme, belíssimo e em tom documental e auto-biográfico, começa com uma fascinante cena que deve ter sido tirada da infância do diretor. Um Fellini criança acorda no meio da noite e descobre que há um circo no quintal de casa. No caso, melhor falando, no centro da vila onde morava, em frente a sua janela. A criança passa a madrugada acompanhando a montagem do circo, da janela, e no dia seguinte vê palhaços pela primeira vez. O primeiro contato é de medo. Fellini sai chorando do circo, em uma experiência traumatizante. A partir desta cena, Fellini evoca os palhaços do mundo real, com base nos personagens de sua cidade natal, retratados de forma caricata e com trejeitos afetados: o bêbado, o louco, o velhinho tarado. É uma tentativa de mostrar os alcances do mundo lúdico do circo fora da extensão de suas lonas e uma prerrogativa para que comece a comentar a trajetória dos palhaços de maior sucesso e aqueles, os anônimos, que servem de escada a estes. Fellini trata a todos com respeito.
O destaque, certamente, são as esquetes apresentadas durante o filme. Talvez o melhor espólio desta obra-prima já que se fala da morte do circo. E isso há 33 anos!
Em uma cena, Fellini viaja até a França só para ver em vídeo uma apresentação de Rhum, "o melhor palhaço de todos os tempos", morto há mais de trinta anos. Ao chegar a cinemateca, o vídeo apresenta apenas uma esquete simples e que dura, no máximo, um minuto. "Ele realmente está morto", constata Fellini decepcionadamente, após a longa viagem infrutífera. Se a morte ocorre quando os vivos deixam de lembrar dos mortos, "Os Palhaços" presta um serviço substancial a sobrevida do circo e do palhaço. Em outras palavras, imperdível.
Gabs
11:56 AM
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Segunda-feira, Junho 02, 2003
Os Palhaços é um filme belíssimo.
Assisti anteontem e logo mais falo mais a respeito.
Por hora, fica a dica. Assistam.
Gabs
7:00 PM
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