Sábado, Agosto 30, 2003
E eu me sinto muito bem no meio daquela gente. Mesmo.
Inventei ao chefe uma consulta no dentista para dar uma escapolida. Não vou poder mais ir ao dentista este semestre pois a desculpa já foi usada. Por boa causa, assumo, o Zine-se é o único evento onde eu posso ter a certeza de encontrar todas as pessoas legais de Fortaleza, aquelas que não vejo há meses.
Fernandinha distribuindo sorrisos e esplins merecia muito bem entrar na lista de coisas boas, belas e bacanas que ela mesmo enumerou. A Lua que chega com um jeito tranqüilo com os In-Úteis na mão e o Jackson e a Patrícia e a Mirela e a Dri e a Mila e a Isla e tanta gente mais.
Glauco quase não me reconhece por causa dos cabelos. Faz muito tempo mesmo que não via ninguém. Eu, ele, Bob (que só eu conheço por Aírton) e Laudenir compondo o time de futebol da pracinha da Gentilândia: o dos cabeludos assanhados. Coisas do Laudenir.
O Davi, da Thaís e a Thaís, do Davi, na mesa, dividindo com a gente o espaço com o Diego e o Giovane e a Lua e o Anderson. Casos engraçados do Diego e a sutil capacidade divertida e inusitada da Barbra em desviar a atenção súbita e momentaneamente. "Olha aí, Gabriel, eu falando e ela já virou pro outro lado". Eu ria.
E ri todo o fim-de-tarde. Voltei pra casa com o bolso cheio de papéis xerocados, já os li todos. Gabs
7:15 AM
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Domingo, Agosto 24, 2003
Horas a fio
 Claviculário, Élida Tessler
Última quinta aconteceu a abertura da exposição Horas a fio, da gaúcha Élida Tessler, no Dragão do Mar. O mote, como o título não deixa negar, é a passagem do tempo e seu registro através da sua própria ação sobre os objetos cotidianos e suas histórias individuais.
Na matéria do NoOlhar, por Ethel de Paula:
"A chave que abre a memória puxa os afetos. Horas a fio, título conferido à exposição da gaúcha Elida Tessler, abriga em si três tempos de delicadeza: enquanto Claviculário é feito de chaves virgens onde são gravadas palavras encontradas em meio ao relicário da mãe da artista, Manicure nasce e cresce multicolorida em pleno salão de beleza, quando o lixo deixa de ser o destino de vidros de esmalte vencido. Já Vinte anos e meia propõe o enredamento entre fios puxados de uma coleção de meias de nailon guardadas ao longo de duas décadas. Visualidades poéticas a serviço da investigação do tempo, do exercício da espera, das possíveis relações entre sujeito e objeto.
"
A obra que achei mais interessante foi a Claviculário. Ou melhor, a versão desta obra que a artista trouxe à Fortaleza. Élida, na concepção desta obra, reuniu mais de uma centena de chaves virgens (compradas em lojas de artigos para chaveiros) e gravou palavras em cada uma destas. Nas primeiras exposições, as palavras foram recolhidas de livros lidos por parentes e amigos, e sublinhadas nesses por estes. O tempo aí registrado é o tempo da leitura, a chave um elo entre o livro e o leitor. Abaixo, a própria Élida fala sobre o processo de criação da obra:
"(...) em 2002 recebi um convite para participar de uma exposição chamada O Contato. Essa exposição me pede trabalhos que tenham referência com contato. O que seria? O contato da chave com a fechadura. E foi a primeira vez que trabalhei com chaves virgens compradas em lojas de artigos para chaveiro. O trabalho chamou-se ''Palavras-chaves de uma prosa reunida'', a prosa de Adélia Prado, no caso. Mandei gravar as tais palavras que não conhecia nas chaves, a palavra escrita no lugar onde se colocaria o segredo, aquela serrilha. Mas, como era uma exposição, não podia ser só uma caixinha de chaves, no meu entender. Foi quando comprei o livro O Mundo de Sofia e dei para minha filha Sofia, dizendo: ''Sofia, por favor, tu lês o livro e sublinha as palavras que tu não conheces o significado''. Foi bárbaro! Rapidinho tinha 120 palavras-chaves. O título do trabalho ficou então Palavras-chaves do mundo de Sofia. Obviamente, tendo também Alice como filha, qual o outro livro que peguei?
(...)
Então lá estava a Alice sublinhando as palavras desconhecidas para ela no livro. E são palavras lindas, que a gente sabe o significado, mas as crianças não - e fiquei contente que não soubessem. Aí foi indo, foi indo e peguei depois Guimarães Rosa. Achei: ''Bom, ali vão ter muitas palavras...''. Abro o livro que havia em minha casa e já estava cheio de palavras sublinhadas, aquelas mesmo que a gente não sabe o significado. Fui mostrar para o Edson (marido): ''Naquela ocasião, há mais de dez anos, sublinhei as palavras que não sabia, talvez para procurar no dicionário...'.
(...)
Fui informada que Vasos Comunicantes (N.E: Nome de uma exposição da qual Élida participou) era título de um livro. Eu não sabia. O Edson ainda me disse: ''Élida, esse texto é de 1972, do André Breton. Como você não conhece?'. E eu fui atrás do livro. No Brasil não tinha, daí fui pedir para minha rede de amigos e veio da França. Lá é livro de bolso e quem me envia é o fotógrafo cego esloveno Evgen Bavcar, amigo nosso. Fui ler e pensei em capturar as palavras que têm relação com a cegueira. Mas percebi que estava fazendo errado. O livro se chama Vasos Comunicantes, quem me enviou foi um cego, então não posso ler o livro, tenho que fazer uma leitura cega. Me toquei para o Torreão (centro cultural e escola de artes visuais que coordena em Porto Alegre desde 1993) e tinha um mundo de alunos trabalhando. Expus meu problema: ''Preciso de palavras, mas não posso ler''. Foi um procedimento surrealista, assim como é surrealista o livro do Breton: ''Por favor, cada um de vocês, fechem os olhos, abram o livro às cegas e onde bater o olho, marquem com o dedo que eu quero a palavra''. Não li o livro, as pessoas não leram, a leitura foi às cegas, e consegui reunir 120 palavras capturadas ao acaso. Isso tudo é que me fez chegar ao Claviculário."
Num segundo momento, as palavras-chave foram baseadas no próprio relicário da mãe da artista, descoberto durante uma arrumação no apartamento da mãe de Élida, após sua morte.
"O Claviculário, que trouxe a Fortaleza, tomou a forma de uma caixinha onde constam chaves virgens, geralmente usadas para cofres, que podem ter um duplo segredo, aquela serrilha do segredo pode estar nos dois lados. O que gravei nelas são trechos do que encontrei ao acaso, na arrumação do apartamento de minha mãe, após a morte dela: uma pastinha contendo anotações. Ela anotou numa listagem tudo o que havia dentro do apartamento: meias, calçados, vestidos, garfinhos, copos, pá, vassoura, bombril, sabão em pó, fralda triângulo, lembrancinhas de aniversário, de nascimento de bebês... O que me chamou atenção é que não listava geladeira, fogão, armário... E localizei muitas coisas através das listas, como as lentes de contato que eu usava na adolescência. Quer dizer, ela recolhia coisas deixadas de lado e configurava seu relicário. Diante disso, criei um claviculário especial, que não foi comprado em loja de chaveiro, mas imaginado para receber trechos dessa listagem feita por alguma razão que não se sabe. E aí já se configura um segredo."
Algumas observações: Notem que, no Claviculário, as primeiras quatro fileiras, de cima pra baixo, não contem nenhuma gravação.
Atentem também para o fato de que há uma chave faltando na quinta fileira.
Hoje, no Dragão, a entrada no Museu é franca.
Gabs
8:52 AM
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o sol nasceu. Gabs
5:38 AM
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Engraçado como as horas, principalmente as menores, têm um peso tão grande sobre mim.
São 5 da manhã e faz tempo que não me sentia tão sozinho.
Tenho lembrado de tantas pessoas, e o horário me ajuda a me indagar se o inverso tem acontecido.
Estou com pesos que não entendo a origem. Tenho andado cansado demais e com mais vontade de pedir férias do que de arranjar um emprego melhor.
Meu cansaço acaba me tirando a motivação para outras coisas que gosto. Faz tempo que nem pinto, nem leio. O único antídoto tem sido a música.
A própria vontade de sair cessou. Eu dormir cedo da noite não é costume antigo.
Mandei um e-mail agora a pouco para uma amiga de quem gosto muito, com um título que só ela vai entender.
Deixei minha linda me esperando para sair e peguei no sono. Acordei às 3:30 com um arrependimento tão grande que está doendo até agora. Deus do céu, me dê forças ou uma cara nova. Esta velha está bem gasta.
São 5 e 20 e vou ver o sol nascer com um sentimento de melancolia e saudade. A última vez que eu parei para assistir o sol nascer (das outras, nasceu sem mim como platéia) tem dois anos exatos. E eu chorei, também por saudade.
Gabs
5:21 AM
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Quinta-feira, Agosto 21, 2003
De tão tímida, olhava as próprias mãos, juntas, enquanto falava. Os gestos eram como os de quem as lavava, os olhos presos nos movimentos dos dedos, os olhos dos dois.
A voz soava distante e era um tênue fio sonoro que se esvanecia no espaço. Era tímida e, de tão tímida, parecia querer guardar as palavras e sons que saíam de sua boca, como quem tem medo de ouvir sua própria fala. Fazia quanto tempo? Havia perdido qualquer noção. Eram os dois, as palavras e as mãos que se movimentavam mais que todo o resto.
"Estou indo embora", falou e, um segundo depois, a palavra já sem som continuava presente no ar.
Ele fingia não querer encontrar um motivo e buscava com a mão tocar o queixo dela, ela fechava os olhos e um sentimento de contenção evitou que ele continuasse o afago. Trouxe as mãos às costas. Por que, ele quis perguntar, mas o olhar dela para as próprias mãos desestimulou-lhe as palavras. Os dedos eram claros e finos, ágeis e irrequietos. Ele nunca os havia notado com tanta atenção. Talvez fosse por isso?
O silêncio naquele momento pesou mais que todas as palavras proferidas entre cinemas, bares e salões de aeroportos. Desde a tarde quando se conheceram dentro de um elevador, trocaram palavras e tomaram um refrigerante na frente da empresa. Sempre era ela a falar, ele a escutar e brincar junto. Nunca havia percebido tanta tristeza em seus dedos.
Fez menção de falar algo, estudou a reação dela a um gesto de canto de boca, apertou as mãos nas costas.
Ela continuou olhando as mãos irrequietas, seu cabelo claro caía sobre seus olhos, ela os fechou por incômodo e não parou o movimento para afastá-los da cara. Mesmo de olhos fechados poderia enxergar os seus dedos que se entrelaçavam, como um emaranhado de cerdas. Como teias de aranha.
Lavando as mãos no ar nem percebeu quando ele foi embora, carregando sobre as costas todo o peso das palavras não ditas. Gabs
1:00 PM
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Segunda-feira, Agosto 11, 2003
Algumas notas sobre o post anterior:
1. Apesar das fotos serem em preto & branco, o filme é colorido.
2. Dizem que Gradisca foi a primeira grande musa de Fellini e a história ocorrida no escuro do cinema é real. Não entro em detalhes para não comprometer quem ainda não assistiu. Dizem também que, vários anos depois, Fellini quis reencontrar a bela Gradisca, já casada há anos com um oficial militar e rumou para a cidade onde a bela morava. Conta-se que foi com pesar e frustração que ele percebeu que não a reconhecia sob as rugas e sinais da velhice.
3. Amarcord significa, em um dialeto aí qualquer da Itália, "Eu me Recordo".
Gabs
8:52 PM
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Amarcord é um filme lindo em sua simplicidade, que de tão simples poderia passar por banal ou superficial não fosse o excelente tratamento e direção executados com maestria por Fellini. A simplicidade acaba se tornando tão lírica aos olhos que funciona com perfeição como adição às cenas desfragmentadas que compõem a trama não-linear deste filme. Por um lado, nos remete ao neo-realismo italiano, referência nas obras de Fellini, por outro nos remete ao sonho, à fantasia, à imaginação adolescente. No meio deste caldeirão de referências autobiográficas, alguns elos que remetem à linearidade: o ano e suas estações como representação de vários períodos fragmentados da própria biografia de Fellini.
No começo, em uma festa típica na cidade italiana nos anos 30, Gradisca, a bela manicure da cidade e desejada pelos homens de todas as idades, olha para a fogueira feita com móveis velhos, vira-se para uma amiga e fala: "É o fim do inverno e começo da primavera. O inverno é a morte, a primavera é a vida". Tem-se início aí, junto com a primavera, o fantástico carrossel de Fellini, visto referencialmente em mais de uma personagem.
Titta talvez seja a personificação adolescente do diretor. Um jovem que, com atitudes infantis e pensamentos nem tanto, nos engana quanto a sua idade real. Um narrador bigodudo que aparece de vez em quando empurrando sua bicicleta parece ser a memória de Fellini, o encarregado de nos ligar algumas passagens e fazer algumas explanações sobre o pano de fundo da história, ora retomando aspectos históricos da Roma Antiga, ora esboçando o quadro político nos anos 30. No meio de tudo isso, o sentimento ufanista da Itália contaminada pelo fascismo e suas realizações. Algo que, para o garoto Titta passa desapercebido, ao largo (apesar de ser filho de um mestre de obras comunista). Tem outras coisas a preocupar-lhe a mente, como a bunda de Gradisca e os seios da mulher da tabacaria.
Inúmeros são os personagens e em alguns destes o filme foca sua atenção. Em comum, as fisionomias nem sempre belas dos atores fellinianos, o que nos faz sentir próximos da trama. Gente que se parece mais humana pelo simples fato de não parecer com as divindades hollywoodianas irretocáveis. Na escola, crianças feias, algumas bigodudas, o mercador que anda de bicicleta, o tio louco e o ceguinho do acordeão são alguns destes.
Os momentos poéticos recheam a narrativa com imagens ao mesmo tempo fantásticas e quase oníricas. As conquistas do fascismo emocionam os habitantes da cidadezinha e a visita de um líder italiano à cidade põe todos em polvorosa. A passagem de um grande navio italiano, conquista do fascismo, pelas cercanias da cidade é motivo de admiração popular e numa passagem quase Marqueziana faz com que toda a cidade se jogue em barcos para acompanhar a sua passagem. A origem do nome de Gradisca, o Mussolini de balões que casa o gordinho apaixonado com sua musa Aldina, a história do xeque árabe e suas trinta concubinas e a névoa que encobre a cidade e transforma vultos em monstros assustadores são outros momentos que carregam outro quê repleto de realismo fantástico, o que nos afasta por instantes da realidade obrigatória proposta por uma auto-biografia e nos envereda nos caminhos da sugestão da memória, que pode inventar fatos e tê-los como reais, bem como pode incrementar fatos ocorridos com lembranças nem sempre fiéis.
Se o filme fala da relação dita por Gradisca na primeira parte do filme, o inverno no final do filme pode simbolizar exatamente esta conclusão de fatos. Em meio a uma nevasca que se diz ser a maior da história italiana, um belo pavão pousa sobre a beirada de um muro e abre suas penas numa cena belíssima. A cauda multicolorida da ave em meio a cortina de flocos de neve consagra o final da trajetória de fragmentos auto-biográficos. O dia seguinte, de desencontros em meio a cidade coberta por um labirinto de neve, encerra a trajetória de Titta. Na seqüência, acompanhamos o casamento de Gradisca e sua ida para longe da cidade natal para reiniciar sua vida longe dali com o marido. É quando o sujeito da história devidamente esmiuçado encerra sua participação e as atenções se voltam, numa reviravolta sutil, para a bela. A festa de despedida de Gradisca é como que a confirmação de que sua participação no filme não foi de todo coadjuvante. É como se o filme inteiro preparasse os fatos para aquela cena onde, ao fim da história de Titta, temos a sugestão do recomeço na nova história da moça, ainda incontada. A vida não pára e prossegue na primavera.
Gabs
8:47 PM
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Terça-feira, Agosto 05, 2003
Se alguém vier me dizer que este dia teve apenas 24 horas, eu chamo de mentiroso na cara.
Gabs
12:04 AM
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Domingo, Agosto 03, 2003
Sobre as prioridades, é o tempo inútil aquele que mais me dá prazer.
Tenho pensado em montar uma nova banda, sem esquecer da de Blues, claro. Apenas um escape.
Tenho mexido pauzinhos, fazendo contatos. Hoje recebi um telefonema que pode me adiantar alguma coisa. Veremos.
Tenho um piano na sala e não toco quase nada. O Cláudio brinca com esta situação. Passei anos tendo violão e guitarra e nunca fui bom o suficiente para me arriscar nas cordas em público. Estou mais para músico de estúdio quando se refere a instrumentos.
É melhor continuar atrás do microfone.
Tenho composto algumas coisas e musicado outras. Falta-me coragem, como sempre faltou.
Ontem encontrei o Júlio, amigo e antigo companheiro de banda. Se fosse contar os convites que não se concretizam, estaria tocando em 4 bandas, pelos meus cálculos... Gabs
6:18 PM
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Há as ausências consentidas, daquelas que não necessitam mais do que um discreto aceno de despedida e às vezes só requerem um meneio simples; e há as ausências decididas que dão adeus em vez de até logo e nem dizem até mais ver, pois não se espera aqui este cumprimento, qualquer que seja o sentido desta palavra.
Entre as duas, há as ausências providenciais, de quando se quer fugir pelo menos por um instante de si, de suas idéias, das palavras. Quando o tempo útil (ou inútil dependendo do que se prioriza) estrangula o outro tempo e se perde no fio das prioridades. Nestes casos, não há o aceno, nem o meneio da cabeça, nem o adeus. Talvez um até logo silencioso.
Voltei.
Gabs
5:52 PM
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