gabriel ramalho
designer, músico, 25 anos.

ouve blues, hard rock, jazz, instrumental, experimental, mpb, música regional.
curte cinema, fotografia, artes plásticas e design.

fale comigo.

: deixe algo pra mim.

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Segunda-feira, Maio 31, 2004

Ainda mais alguns registros de viagem.


Centro de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro - RJ


Academia Mineira de Letras, Belo Horizonte - MG

- lado ruim: tirei todas as fotos com a máquina regulada em ASA 100. O filme era ASA 200...
É por isso que preciso urgentemente de uma digital.

Gabs
5:58 PM

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dos por quês de eu amar o Rio de Janeiro


a ante-sala do "meu" quarto em Copacabana.


a vista no café-da-manhã

e por isto que sempre que chego ao Rio, quero ficar pra sempre.

Gabs
5:47 PM

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Sexta-feira, Maio 28, 2004

De ontem pra hoje, fiz um sambinha pra ti.
É bonito, como quase tudo que canta saudade.

(Talvez a música brasileira seja tão rica pelo simples fato de ser a única lingua a ter este verbete no dicionário.)

Fala sobre aqui e sobre aí. Fala do teu sorriso também. E tem um trecho do e-mail que te escrevi.
Quem sabe eu me animo, pego um violão e gravo. Quem sabe um dia toca no Amici´s e você vai dançar e só você vai rir porque sabe ser a musa.
Aí falo da tua risada gostosa no próximo sambinha.

[saudades] *

*(entre colchetes porque estes apertam mais as palavras, assim como há o aperto no coração)

Gabs
7:00 PM

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de quando eu vesti um parangolé.

infelizmente só fotos do hall de entrada são permitidas.

Gabs
6:49 PM

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Sobre as viagens que entram na noite, a estrada mudando paisagens, o céu mudando os fundos.
Tem horas que o Sol desenha caminhos coloridos nas nuvens. De um lado, o céu de um azul inconstante; de outro, nuvens em degradê, rosa, laranja, lilás.
Sobre todas as coisas, a lua que desenha um "C" no céu, como um sorriso de dentes brancos no vazio.
Legal de se chegar à noite em uma cidade desconhecida por uma estrada alta é enxergar, lá em baixo, as suas luzes.
Constelações encravadas no chão.

Agora vejo as luzes de baixo. Antes via as estrelas de cima.
(Sempre as impressões mais ingênuas e românticas são mais bonitas.)

Gabs
6:45 PM

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Quarta-feira, Maio 26, 2004

Desde que cheguei em BH, não tive muito tempo de vir dar notícias.
Mas o fato é que estou aqui, está muito frio, a cidade é cheia de subidas e descidas, o pessoal é legal e estou morrendo de saudades.
Depois venho com mais calma!

Gabs
6:29 PM

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Sábado, Maio 22, 2004

Rapidinhas...

* Se você adora Bohemia, tem que conhecer a cerveja Itaipava.

* Moedas de 1 centavo existem, acredite! As pessoas dão trocos corretos no Rio de Janeiro. "Seu troco, senhor: R$ 1,48"

* EU VESTI UM PARANGOLÉ!

* La Mole no almoço, Modern Sound para o happy-hour. Quero nem saber quando esta vida de pachá acabar...

* A Cinelândia lembra a Praça do Ferreira em época de Cine Ceará.

* * * * * * * * * * * * * *

Continuo com sorte para vendedores apáticos:

Me informaram que na Modern Sound tinha um cyber para os clientes, com computadores para acessar a internet.

- Boa tarde, onde ficam os computadores?
- (sem esboçar nenhuma reação) Não vendemos computadores, só CDs.
- Eu sei. Mas quero saber onde é o cyber.
- O site da loja?
- Não. O cyber. Disseram que tinha um cyber aqui.
- Olha, se você não achar o disco que quiser, pode encomendar pelo site.
- ?!?

Gabs
6:37 PM

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Sexta-feira, Maio 21, 2004

Pois não, senhor? Copacabana? Não, nem se preocupe, é rapidinho... É o vôo que veio do Nordeste, né? Acho que acabou chegando adiantado. Eu estava esperando que chegasse 4:20, mas agora que são 4:15... Ceará, você? Eu também sou nordestino: Pernambuco... Olha, o Tunel rebouças tá fechado pra manutenção, então a gente desce pelo Flamengo, tá certo? Esta é a linha vermelha... Não, não... é manutenção mesmo! Sempre que chega alguém do nordeste por aqui acha que tá fechado por causa da bandidagem, mas nem é. Aqui não é tão perigoso como pintam não... Ali por exemplo, naquele morro, olha, rola guerra direto, bala voando, mas é só eu não ir por lá. Por aqui é tranqüilo. Recife tá mais perigoso - como é a palavra? - proporcionalmente, isso, proporcionalmente que aqui, mas isso nem dá ibope. Teu vôo fez escala por lá, né? Sei... É... a gente fica sabendo todo o itinerário dos vôos por aqui. Ali? É o cais do porto, tá vendo? É, é bonito mesmo, pode olhar. 10 anos? Nossa... Tinha a linha vermelha ainda não... Realmente, são bonitos mesmo estes prédios. A maioria é bem antigo. Está só de passagem? Belo Horizonte? Muito bom, conheço a cidade, você vai estranhar porque Fortaleza é planície. Lá é muito morro. Esta praça que você quer saber? É a Praça XV. Reformaram, tiraram rua, fizeram praça. Quanto tempo você disse que não vem aqui? Mesmo? Nossa, deve estar achando tudo muito diferente. E tá mesmo... Reconheceu a rua agora? É sim, estamos pertinho já. um-nove-um... um-nove-um... é aqui, mesmo em frente ao metrô novo. Deixa que eu te ajudo com as malas. Chuva chata! Pronto. Boa noite e seja bem-vindo ao Rio de Janeiro.

* * *

Depois que me dei conta que não perguntei o nome do taxista gente-boa.

* * *

Nunca vi uma nuvem tão grande. A chuva me acompanhou de Fortaleza a Recife, sem parar e fazendo o avião balançar que nem ônibus em estrada carroçal. Depois de uma pausa, recomeçou perto do Rio.

O Rio de Janeiro continua lindo. E frio. Peguei 15 graus quando cheguei e dormi acreditando piamente que o ar-condicionado estava ligado, sem estar. Fui salvo por um agasalho de meu tio na minha saída de hoje. Passeei pelo bairro, conheci o Baratos da Ribeiro, o sebo mais famoso do Brasil e lanchei num café em Copacabana. Nena, a gerente da "Baratos" me mostrou uma coleção de vinis de jazz e discos da década de 50. "Tem gente que compra pelas capas. Olha que bonitas!". Amanhã, no Centro, tem exposição do Hélio Oiticica (grátis, porque a grana é curta).

O único ponto ruim é ver tanto filme bom em cartaz e não poder ver nenhum porque a inteira é 15 reais. Quantos filmes eu assisto no São Luís Centro com esta grana, hein?

Devo dizer que vai ser difícil abandonar o Rio segunda-feira.

* * *

Amigos, estou com saudades, mas a viagem continua.

Gabs
5:59 PM

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Segunda-feira, Maio 17, 2004

Na falta dos caminhos a pé, a experiência de dirigir sozinho à noite faz bem pros olhos e aperta o coração.
Certa vez Carol me disse de olhar as luzes nas ruas sem óculos e a impressão de enxergar as coisas sob uma ótica impressionista. Eu não uso óculos, não tenho lentes e tenho somente as lágrimas a embaçar a vista, turvando as imagens que o de fora me traz. Se fosse um barco a singrar meus olhos talvez não chegasse a um porto, sequer ilha, pois a água apesar de existir é rasa como um córrego e, como os antigos imaginavam do oceano, tende a cair no vazio, escorrer. Se o fosse, pararia no meio do caminho, o casco preso em algum arrecife misterioso e a voz do comandante alta e clara nos ouvidos:

- Siga! Siga!

Sigo.
Time Out. Dave Brubeck. O som que chega aos ouvidos, enquanto as ruas viram corredores e os olhos dos prédios testemunhas, traz ao mesmo tempo nostalgia e liberdade. Por trás da ótica impressionista das luzes difusas e postes pintados na retina, há o olhar de turista. Mas não o do que acabou de chegar, mas o daquele que mesmo enxergando os mesmos caminhos, consegue ver diferenças na paisagem. Daquele que cria uma ligação tal com o local que, ao iminente sinal da partida, quer levar de lá algo que ocupe um pouco o vazio deixado no coração.
Minha bagagem é saudade.

Sigo.
Sinais fecham para que outros abram, é perto de meia-noite, Take Five começa a tocar no som e fagulhas caem sobre o peito. Não consigo deixar de exagerar nenhuma decisão minha e, mesmo eu sabendo que não é verdade, passo a acreditar que a cidade que deixo não será mais a mesma cidade quando eu retornar. Assim como não reconheço mais o bairro onde morei até três anos atrás. Do oceano dos meus olhos, um pouco de água chega ao horizonte e escorre. O barco se liberta do arrecife e navega rumo a queda, levando consigo um peso libertador. O navio que cai leva um fio de voz que vai diminuindo a medida em que se afasta. Ouço os gritos do comandante, enquanto no sinal da cidade quase deserta, limpo uma lágrima furtiva.

Das incertezas nascem as teorias. Se é uma teoria que pode ser tida como certa, eu não sei. Teorias incertas como aquela antiga do fim do oceano ser uma queda no vazio são mais interessantes do que as incertezas que dão origem a novos sofismas. Paro na porta do prédio, com a cabeça em outro canto e o coração transbordando.

Chamam isso de saudades.

Gabs
7:34 PM

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Segunda-feira, Maio 10, 2004

Novidade recém-postada no site da Bitten Blues e copiada para cá:

Mudanças na agenda da Bitten Blues e show especialíssimo na próxima quinta-feira! Dia 13/05, a Bitten Blues não tocará no bar Soul e Blues, como de costume. Em vez disso, tocará na barraca do hotel Vila Galé, que fica na beira da praia, na rua Dioguinho.

Não será cobrada entrada, nem consumação mínima, nem couvert artístico. Só paga o que consumir. Para quem quiser, haverá cardápio a la carte e um buffet de mariscos (lagosta, camarão, etc) por 35 reais, mas isso é só pra quem quiser consumir. Fora o prazer de estar num ambiente agradabilíssimo, ouvindo blues e olhando pro mar.

Além de tudo, o show vai ser a partir das 20h30min. Ou seja, dá pra sair depois pra algum canto ou, até mesmo, trabalhar na sexta-feira, sem problemas.
Este show vai ser uma experiência do Hotel (lançar uma quinta diferenciada na beira da praia) e, por isso, contamos com a presença de todos vocês. Se for um bom show, ficaremos por lá todas as quintas. Ficaremos, vírgula. A Bitten Blues ficará.

Vale ressaltar que este será meu último show nos vocais da Bitten Blues e garanto que será uma festa especialíssima e de graça. Gostaria de contar com a presença dos amigos por lá. Compareçam nem que seja pra me dar um abraço.

Gabs
12:03 PM

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Sexta-feira, Maio 07, 2004

Cadê o chão que estava aqui?

Gabs
3:15 PM

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Segunda-feira, Maio 03, 2004

menagem direcionada...

tem e-mail novo na sua caixa de entrada, tá bem? ;)

beijo.

Gabs
12:28 PM

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