gabriel ramalho
designer, músico, 25 anos.

ouve blues, hard rock, jazz, instrumental, experimental, mpb, música regional.
curte cinema, fotografia, artes plásticas e design.

fale comigo.

: deixe algo pra mim.

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Sábado, Junho 26, 2004

post deletado.

Gabs
2:56 AM

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Segunda-feira, Junho 21, 2004

Nunca usei este blog pra postar reclamações explícitas ou usar de linguagem escrota. Pronto, agora já foi. Tá sem volta.
Sempre preferi as metáforas aos ataques diretos, mas me vejo sem opção neste instante.
Se tem algo ao qual eu tenho verdadeiro asco é a gente covarde. Em segundo lugar vem as pessoas que acham que tem algum direito a opinar sobre minha vida. Separo as pessoas em categorias distintas (amigos íntimos, amigos, conhecidos e gente que nem fede nem cheira pra mim) e a mais restrita da classe dos amigos é justamente a das pessoas que tem direito a me sugerir mudanças ou opinar sobre meu comportamento. Esta categoria deve ter umas 10 pessoas, no máximo. E todas pessoas a quem tenho grande admiração, afeição e etcétaras.
Algo que ainda me dá mais asco que tudo isso é justamente a junção: gente covarde que acha que pode opinar sobre sua vida. É muito confortável se criticar alguém quando se esconde a cara. Falar como se tivesse conhecimento de causa e fosse dona da razão, ao mesmo tempo que usa um pseudônimo e e-mail falso para se esconder. Isso é praga em flogs e blogs e, desconfio, sempre vai existir.
Não vou bancar o santo e dizer que nunca errei na minha vida. Tampouco vou ficar aqui justificando minhas ações no meu passado. Também não preciso do aval de toda a sociedade. Quem é meu amigo e está inserido nas categorias que me importam é suficiente. Não preciso de "amigos", os que eu tenho e são do bem me bastam.
A todos meus amigos, os que foram à minha despedida, os novos que conheci agora e me deram muita força em BH, os que ficaram visivelmente felizes com minha volta (principalmente os que demonstraram alegria com surpresa por não saber que eu estava por aqui), os que eu conheço e gosto, estes importam. Pra gente anônima, só indiferença é merecida.

desculpem o desabafo. Voltaremos depois à nossa programação normal, quando o sangue esfriar.

Gabs
8:04 PM

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Domingo, Junho 13, 2004


Entre os caquinhos coloridos e a pedra fria e cinzenta há uma espécie de meio-fio.
Entre cada caminho de uma bifurcação, há um vértice com instruções.
Entre os tempos, uma espécie de hiato. O segundo que antecede alguma ação, alguma conseqüência do segundo anterior. Um tempo congelado, quase como no conto de Borges.

Algumas vezes se acelera o tempo apenas para perceber que em algum instante, o tempo parou e espera, de lá, uma retomada.

Tenho cartas na manga mesmo sem conhecer o adversário. Não é blefe, apenas reconhecimento de terreno.
Se em algum momento o tempo se fez elástico e me fez viver coisas novas neste ínterim, a experiência já valeu a pena.
Amigos de Fortaleza, espero que entendam o recado.

Gabs
8:37 PM

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Sebastião Salgado...

Museu Histórico Abílio Barreto

(posso dizer que não gostei ou vão me achar muito prepotente?)

Gabs
7:56 PM

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Se todas as instruções fossem simples assim...

{quem já se perdeu conhece a sensação}

Gabs
7:47 PM

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Sexta-feira, Junho 11, 2004

Sempre que sonho com a casa é aquela antiga, no chão mesmo, com duas palmeiras no jardim, o corredor que dava para os quartos, que era claustrofóbico depois das 10 da noite - quando a porta era trancada - e iluminado nos finais de semana, quando as telhas de amianto do jardim de inverno anteviam um pouco de céu. O quarto que eu lembro é aquele onde havia duas camas e um Sol que entrava pelas frestas da janela e redesenhava o quintal nas paredes, imagem recortada pelas cortinas. Nos sonhos, meu irmão ainda está lá, do jeito calado dele mas sorrindo por alguma besteira ou dando uma gargalhada enorme vendo alguma comédia na TV. Leslie Nielsen me lembra estas tardes no quarto, com as janelas abertas e os cachorros que tínhamos andando empurrando pedrinhas no quintal.

* * *

Em outros sonhos, neste território onde o tempo se mistura de forma misteriosa e passado e presente - e futuro, para os premonitórios - são indissolúveis, vejo [você] chegando de carro. Nestas horas, o quarto ainda é o meu antigo. O de paredes desenhadas, janela pro quintal grande e porta pro corredor que era claustrofóbico depois das 10 da noite e iluminado nos finais de semana, quando as telhas de amianto do jardim de inverno anteviam um pouco de céu.
[Você] chega e eu sei mesmo sem aviso. Quando eu abro a porta do corredor, já estou no hall do apartamento atual. Aperto o térreo ansioso, atravesso o salão e pelo portão vejo teu rosto, dentro do carro, janelas fechadas. Abro um sorriso quando [você] abre a porta e escuto aquela do Portishead no som (Em outro sonho, acordei ouvindo a do R.E.M - I found a way to make you, I found a way, I found a way to make you smile...). Teu sorriso me folga o peito e me expande o meu sorriso.
Estes sonhos são os melhores.

* * *

Sonho com os lugares habituais, mais por costume do que por vontade de voltar a visitá-los. O Arlindo faz mais falta que a Órbita. BH tem bem mais opções talvez até pelo fato de eu não conhecer a todas.
Nada me faz mais falta que a [tua] companhia em qualquer dos lugares.

* * *

Fazem dias que sonho todos os dias. Fazem dias que a ação dos sonhos me substitui a ociosidade do resto do dia.
Tempo ocioso e distância é terreno fértil pra saudades.

Gabs
10:20 PM

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Segunda-feira, Junho 07, 2004

Momento diarinho®:

* Dá pra se sentir o viajante quando alguém chega em você no MSN assim: "Oi, Gabs! Tá em que cidade hoje?"

* Belo Horizonte é uma cidade belíssima. Só o nome é estranho, porque aqui não tem linha do horizonte. O povo de Minas é muito receptivo e já fiz muitos amigos novos. Digo amigos mesmo, porque segundo o Paulão, do boteco embaixo da pensão: "Mineiro não faz colega, faz amigo pra vida inteira."

* A vida noturna aqui é agitadíssima. Na sexta fui a um aniversário (é! já estou indo até a aniversários!) no Reciclo, tipo um Amici´s com banda. No sábado, conheci A Obra, boate udigrudi mais famosa de BH e praticamente um Ritz/Órbita mais underground (pra se ter uma idéia, o local é subterrâneo). Show da Cansei de Ser Sexy e cervejas geladas. Gostei. Pra completar, domingo, no meio da rua na Savassi teve Festival de Jazz. De graça.

* Aqui não tem Habbibs. Mas tem O Bolão. E tem um Mc Donald´s 24 horas na Savassi.

* BH é uma cidade mágica. Procurem conhecer a Rua do Amendoim. PS: Tem até um curta sobre esta rua.

* Psiu... [saudades!]

* Aprendi um lance misterioso onde quatro pessoas, com apenas dois dedos cada uma, conseguem levantar um cidadão de qualquer peso. De repente o mistério dos moais na Ilha da Páscoa se tornou mais claro. (em uma oportunidade futura, eu mostro a vocês)

* A Bitten Blues não acabou. Tem show dos meninos toda quinta-feira na barraca do Vila Galé. Vocês podem continuar não indo.

* Ainda no boteco: "Você é do Ceará?!? Rapaz, eu tenho parabólica em casa e não perco o Luís Inácio Show! As tigresas são muito gostosas!"

* Cyber com um lounge na parte de trás, café com banda de jazz tocando no meio da tarde, sebos que desabam pra calçada com muitos livros a preços módicos. Vocês precisam conhecer a Savassi.

* Perto da Uweba! tem uma livraria chamada Livraria Van Damme. Quero ver quem tem coragem de reclamar com o dono sobre a arrumação das prateleiras...

Gabs
5:16 PM

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Quarta-feira, Junho 02, 2004

Ainda sobre Elefante...
O continuísmo é um dos maiores destaques. Preste atenção mesmo na seqüência de abertura, quando um avião cruza a tela no momento em que se mostra a passagem do dia no céu em velocidade acelerada. Preste atenção quando o avião passar de novo no filme, já em velocidade normal.

Gabs
12:41 PM

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o tempo do Elefante


Time Lapse é um recurso cinematográfico que consiste na modificação do tempo real e sua aceleração ou desaceleração criando uma nova relação da cena reproduzida com o tempo. No time lapse, uma piscadela pode ser extendida por vários segundos ou um dia pode ser resumido a poucos minutos. Num filme onde o tempo e seu decorrer psicológico e cheio de digressões contribui como fator efetivo gerador de suspense, nada mais bem encaixado do que esta segunda relação em seus créditos iniciais: no céu, as nuvens atravessam a tela em velocidade acelerada enquanto o dia vai passando e a noite chega como testemunha dos incidentes que ainda vamos acompanhar. É como se ao olhar o poste imóvel nesta seqüencia inicial, acabemos por ver o filme de um ângulo impessoal, conhecendo a única perspectiva da passagem do dia livre de caracteres humanos.


A seguir, somos apresentados aos personagens do filme. Toda uma gama de tipos humanos da high-school norte-americana: os populares, os nerds, os atletas, as patricinhas, os artistas, os normais. Sempre que um novo personagem é apresentado ao telespectador, é acompanhado por alguns minutos em seu trajeto pela escola e sua interação com outros estudantes, por vezes intercruzando as narrativas. Nestes trajetos, são utilizados planos-seqüência que colaboram para um tom documental e desacelerações e câmeras-lentas. É justamente esta modificação no tempo real (em um momento, acompanhamos o tempo "real" dos planos-seqüência; em outros, as desacelerações nos aproximam do tempo psicológico) o fator mais sufocante do suspense que antecede a chacina. O maior medo é não saber de onde partirá o algoz do massacre, nem em que momento a carnificina explode na tela. Vamos vendo os personagens de um em um, conhecendo suas histórias e relações com os outros estudantes e antevendo seus destinos ao fim do dia. A sensação de impotência em conhecer o final da história e acompanhar os eventos como testemunha ocular é que torna o filme tão perturbador.


Em Elefante, não se buscam motivos para o terror. Ao contrário, apenas se expõe a gratuidade da violência, da reação drástica a uma causa em nenhum motivo apresentada e o niilismo na juventude norte-americana, preocupada com o culto a popularidade e sem nenhuma aspiração futura. E é impossível não sair perturbado do cinema após presenciar este relato tão absurdo e assustadoramente real.

Gabs
12:14 PM

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