gabriel ramalho
designer, músico, 25 anos.

ouve blues, hard rock, jazz, instrumental, experimental, mpb, música regional.
curte cinema, fotografia, artes plásticas e design.

fale comigo.

: deixe algo pra mim.

Macroondas
Anomia
Blogogrifo
Ecletiquices
Brusk não fala francês
Middle of Yesterday
Momento num Café
Mönd Frolich
Moshi Moshi
Macondo
Notas do subterrâneo
Eu por Eu
Nostalgia Improvisada

Saltimbanco Búlgaro
Hálito de Virgem
Artigos Indefinidos
Claudão
Schisophrenices
Devil´s Haircut
Drops de Anis
Dias e Noites
Eyes Wide Shut
Lid
Luija
MazelaWorld
No Hay Banda
Rapha Ponto G

Insensatez Cotidiana
Bloco do Eu Sozinho
SkyValley
Farelo
Flows
Antena Paranoica
Playing Games
Além das Nuvens
Quite a Good Girl
Clara Beauty Journal
Pausa pro cafezinho
Los 3 Amigos

Blah Blah Blog
Let´s Blogar
Life is a Long Song
Missiva
I'm The Walrus
Vitor Freire
Diário da Cosette
MotoContínuo
Carne Víbora
Biajoni

Cambalhotas de Irrealidades
NoMínimo
Cabeza Marginal
Blogger
Cardapio MTV
Google
Releituras
Underweb
Baderna.org
Paralelos
Insanus
Gardenal.org
Patife



Quarta-feira, Abril 20, 2005

Saudemos o novo Papa: Anthony Hopkins! Hannibal Lecter!



Pelo que soube, já que nunca acompanhei um conclave antes, esta foi a primeira vez que se viu tanta torcida numa eleição papal. Pudera! Em tempos globalizados e de comunicação de massa, com a exposição do martírio de João Paulo II e as suposições da imprensa sobre o novo Papa, isso era até natural e esperado. Não há disputa de pênaltis tão emocionante quanto ficar olhando a fumacinha e esperando ficar branca ao fimd e cada votação. O triunfo da globalização foi tão evidente que o eleito era o único papável a ter fã-clube na Internet e comunidade no Orkut. Só faltava mesmo postar em blog.

Resolvi, logo após o resultado, buscar mais informações sobre Ratzinger. Numa página católica, encontrei uma biografia heróica e laureada, sem nenhum traço negativo na vida do Pastor Universal. Era o de se esperar numa página que tem um abaixo-assinado virtual para barrar as pesquisas com células-tronco, "convocando (...) todos os Católicos e cidadãos brasileiros, dada a gravidade da urgência do assunto". No entanto, foi só pesquisar um pouquinho mais que descobri que o Papa se alistou em 1944 na infantaria para defender a Alemanha na Segunda Guerra, foi integrante da Juventude de Hitler e foi, durante mais de 20 anos, guardião da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, órgão que ficou no lugar do antigo tribunal da Inquisição. Além disso, foi o papa inquisidor quem excomungou Frei Leonardo Boff.

Suas frases e opiniões julgadoras e inquisidoras também são célebres. Se depender do que ele diz, nenhum brasileiro vai pro céu: O papa é um dos maiores condenadores do sincretismo e da renovação carismática. Também afirma que todo divorciado é pecador e pode ter a comunhão negada pelo Padre, que quem vota em político que defende o aborto é pecador também e que o Rock é música do diabo. Com estas opiniões sobre assuntos tão banais, o que esperar da opinião a respeito das pesquisas com células tronco, uso da camisinha, casamento e adoção de filhos por homossexuais e coisas mais polêmicas?

Resolvi fazer um apanhado das frases de Bento XVI e listá-las aqui para deixá-los com suas opiniões:

"A Igreja Católica é a mãe de todas as igrejas cristãs. Por isso, outras igrejas não devem ser consideradas 'irmãs' da Igreja Católica."

"Um homem produzido por outros homens no laboratório deixa de ser um presente de Deus, da natureza. Assim como ele pode ser fabricado, ele pode ser destruído."

"A clonagem humana é mais perigosa que as armas de destruição em massa."

"Os cristãos devem ser contra decisões judiciais e leis que autorizem o aborto e a eutanásia, considerados pecados graves."

"A igreja classifica os casamentos homossexuais como imorais, artificiais e nocivos."

"Rituais que dependem da superstição e outros erros constituem um obstáculo para a salvação."

"O rock é uma expressão básica das paixões que, em grandes platéias, pode assumir características de culto ou até de adoração, contrários ao cristianismo."

"Estou convencido que as notícias freqüentes sobre padres católicos pecadores [pedófilos] fazem parte de uma campanha planejada para prejudicar a Igreja Católica."

"Algumas formas de feminismo tornam as mulheres adversárias dos homens. O enfraquecimento da definição da identidade sexual tornou o homossexualismo e heterossexualismo praticamente equivalentes."

"Um católico será considerado culpado por cooperar com o mal, e não poderá receber a comunhão, se votar em um candidato político porque ele é a favor da eutanásia e/ou do aborto."

"O ato de comungar apenas porque o católico vai à missa é um abuso e precisa ser corrigido. Muitas vezes, o responsável pela comunhão deve se recusar a dar a hóstia para algumas pessoas --entre elas, aquelas que foram excomungadas e as que insistem em cometer pecados graves."

Gabs
7:40 PM

|

♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣

Quarta-feira, Abril 13, 2005








Mosquito, companheiro

A primeira vez que conversei com Mosquito foi num balcão de bar, uns dois ou três anos atrás. Era um típico mosquito: pernas compridas e finas, o corpo alongado, os olhos grandes, o nariz que era uma tromba comprida e as asas encardidas, que repousavam sobre o corpo. Tinha uma expressão abatida e cansada, os olhos fundos. Lembro que, ao ver pela primeira vez figura tão estranha bebericando com a tromba no copo - não estava acostumado a encontrar mosquitos bebendo em bar; desconfio que seja para eles um prazer solitário ou uma atividade exclusivamente caseira - perguntei o por quê da sua expressão cansada. A resposta "Voar cansa!" me desconcertou de tal forma que poucos minutos depois dividíamos impressões sobre o bar, sobre política, esportes e outras banalidades, como o aumento do preço da calabresa acebolada. Só não falamos de religião porque Mosquito me afirmou que não havia na Bíblia menção alguma ao fato de Deus ter criado os insetos. Não quis discordar, não me meto até hoje em temas que desconheço. Ficamos amigos desde então.

Nos meses que se passaram, encontrava Mosquito com uma certa freqüência, beneficiado sempre pela casualidade. Estava bebendo sozinho ou com os amigos e ouvia aquele zumbido, o barulho das asas que pareciam folhas balançando, e já sabia que era ele. Era difícil não perceber a aproximação de um mosquito de mais de metro e setenta. Em pouco tempo, os amigos queriam saber dele como era a vida de um inseto numa cidade como a nossa. À estas perguntas, Mosquito respondia em tom quase didático. Às palavras, somava-se uma mania de esfregar as mãos e zumbir enquanto falava e ia mexendo as asas transparentes. Quase sempre, oferecíamos cerveja, mas Mosquito gostava mesmo era de água parada. Aguardente.

Mosquito tinha tendências esquerdistas. Vez em quando aparecia no bar com uma camiseta onde um Che desbotado dividia espaço na estampa com um "Viva la Revolucíon" escarlate. Vestia nestas ocasiões um inconfundível lenço vermelho na cabeça e chamava a todos de companheiro. Se dizia marxista e desconfio que fosse o último dos mosquitos marxistas. Se dizia de vanguarda e gostava de recitar poesias para as meninas que ocasionalmente andavam conosco. Vez em quando alguma caia na lábia do Mosquito para cair fora, depois de um tempo, reclamando que ele sugava demais. Era infeliz no amor.

Dia destes, notei Mosquito muito preocupado, com uma expressão mais abatida que a de quando nos conhecemos, mais magro e com olheiras fundas. Me confidenciou que andara bebendo sangue errado por aí e, de tão doente, já não tinha mais nem disposição pra voar. Segundo ele, nenhum médico conseguiu examiná-lo porque as agulhas - não sei por quê, mas ele explicou na hora - não penetravam em sua pele e ao forçar a entrada causavam uma dor lancinante. Fiquei realmente deprimido por ele e desejei melhoras, embora soubesse - de algum modo - que era a última conversa que tínhamos. Ele me disse que pretendia partir no dia seguinte pra outro Estado, que tinha família em Manaus, coisa e tal. Desejei boa viagem e ele despediu-se com um "Até logo, Companheiro", acompanhado por uma breve continência e seguiu com um passo cambaleante e trôpego, que em nada combinava com a agilidade que tinha antes para o vôo. Não pude conter uma lágrima.

No lado de fora do bar, os garçons, ruidosamente empilhando mesas e cadeiras, espantavam os últimos bêbados.

Gabs
11:04 PM

|

♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣

A hora é agora, Brasil!

Me impressiona ainda hoje esta necessidade de auto-afirmação do brasileiro perante o resto do Mundo, esquecendo de fazê-lo no seu dia-a-dia. No exterior, a onda é o Brasil, a onda é ser brasileiro. Brasileiro quer falar português no Orkut pra encher o saco do gringo, diz que é patriota e sente orgulho de seu país mas, no fundo, no fundo, só vê uma bandeira e canta o hino nacional quando tem jogo do Brasil. A economia pode ir mal, o desemprego nas alturas, mas se o Brasil ganhou no jogo contra a seleção do Zimbabue, então tudo bem. O Brasil é o campeão do mundo!

A última onda da necessidade de auto-afirmação brasileira (e do nosso mal disfarçado complexo de inferioridade) vem na eleição do novo Papa. Nem bem João Paulo II parou de tremer e os meios de comunicação incutem no povo a esperança de experimentar o gosto de ter um representante direto do Brasil com Deus. O Brasil inteiro se empenha na torcida pra eleger Dom Claudio Hummes para a máxima posição eclesiástica. A hora é agora, Brasil! Já imagino o Galvão Bueno sendo contratado para, em cobertura direta do Vaticano para os amigos da Rede Globo, olhar a fumacinha branca saindo da chaminé e gritar a plenos pulmões: "Ééééééé... do Brasiiiiil!"

Fogos de artifício estourariam em todo o país, velhas senhoras enxugariam as lágrimas de emoção, jovens saíriam às ruas buzinando em comemoração e os meios de comunicação iriam fazer as já tradicionais piadas com os argentinos. A taça é nossa! Ou melhor... a batina, ou o que quer que vista um Papa.

Tenho muito medo do que possa representar um papa brasileiro e conservador num momento em que o conservadorismo católico de Severino na Presidência da Câmara já é, por si só, uma barreira contra inúmeros avanços sociais, morais e científicos. Nesta hora, me lembro de minha avó comentando que uma colega de hidroginástica chegou pra ela e disse (minha avó talvez até concorde com ela, mas isso serve a mim como exemplo ilustrativo): "Acho difícil o próximo papa ser brasileiro. Estas coisas boas nunca vem pro Brasil".

Se Deus quiser, não vem mesmo.

♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣




"Toca um dó com sétima, Presidente!"


(Foto tirada de um blog bem bacana).

Gabs
7:09 PM

|

♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣

Domingo, Abril 03, 2005

A casa mágica.

Foi em 9 de Julho na casa mais mágica da Avenida João Pessoa. Alguns anos depois deste dia, eu estaria - um dia depois do segundo aniversário da minha irmã mais nova - enfrentando feras imaginárias e guerreiros alienígenas no quintal com uma espada de plástico, uma toalha amarrada no pescoço e de cuecas - como todo super-herói, acompanhado por meu fiel escudeiro, o Sancho Pança meu irmão. A senha para o fim da brincadeira era quando minha avó Beatriz chamava-nos a seu lado e pedia para ver os nossos pescoços. Se já estava preto do suor de criança hiper-ativa era o momento de abandonar as armas, pedir baixa de nosso exército interestelar imaginário e partir para o chuveiro. Raphael, o Sancho Pança, era sempre o primeiro a correr para a água. Eu, que era meio avesso a estes rituais de higiene, me escondia em cima do cajueiro ou atrás de Sêo José Pinheiro Ramalho, o avô, que com alguns toques no meu ombro, me convencia a aceitar meu cruel destino e me submeter à tortura que era o banho vespertino. Era, naquele momento, o prisioneiro de guerra, apesar de na época eu desconhecer o conceito e saber daquilo apenas a sensação.

Mariana era uma criança ainda muito nova pra ter recordações daquela casa mágica. Jamira, a prima, não havia saído ainda do berço. Eu e Raphael usávamos aquele quintal, aquele cajueiro, aquele jardim e o portão gradeado onde brincávamos de homem-aranha, como nosso universo particular e ilimitado. Era o Reino de Etérnia ou algum outro planeta desconhecido. Vó Beatriz nos presenteava com desenhos de próprio punho de carros bonitos. Vez em quando desenhava uma Belina, mas sua obra-prima era o Maverick. Hoje entristece-me o fato de eu não ter nenhum dos desenhos guardado comigo e vovó ter perdido há muito o hábito de fazê-los. Nesta época, a casa já começava a sentir tristeza com o fato de Vó Jamira estar em cadeira-de-rodas após a trombose e Vovô Pinheiro começar a beber mais que o de costume. Vó Beatriz, que era irmã de Vó Jamira, assumiu em definitivo o posto que já ocupava: virou guardiã dos netos.

Algum tempo depois desta época, Vó Jamira foi dormir pra sempre. Vovô Pinheiro, de saudades, foi embora poucos meses depois: nostálgico, não saía mais de casa e continuava bebendo bastante. O coração não agüentou a disputa de pênaltis Brasil e França na copa de 86. Se tivesse aceitado o convite de minha mãe para assistir o jogo conosco - em vez de ficar sozinho em casa, talvez fosse possível salvá-lo. Sêo Pinheiro morreu com o telefone na mão após ligar pra minha tia e pedir ajuda.

Na nossa inocência infantil e desconhecimento ainda da morte, choramos mais à época porque vovô não nos traria mais balas e suspiros do que pelo fato de não o vermos mais - não foi por maldade ou insensibilidade. A casa mágica foi posta para locação logo depois e lembro muito bem da última visita que fiz ao meu quintal mágico. Estava seco, grama amarelada, o cajueiro sem frutos. A tristeza parecia estar enraizada no solo, pintada nas paredes, encrostada nos azulejos. Olhei a última vez o portão de madeira, sem saber que seria a última vez que o veria em muito tempo. Causou estranheza vovô Pinheiro não estar à porta, acenando tchau enquanto o carro descia pela João Pessoa.

É de se estranhar que a maior das minhas lembranças daquela casa mágica seja justamente uma lembrança forjada, imaginada através das descrições de minha mãe e minha avó. Mais impressionante é ver a cena com a riqueza de detalhes que vejo e lembrar até do céu azulado e sem nuvens daquele dia 9 de Julho. A memória é capaz da proeza de inventar cenas e imaginar sensações. Mais do que o cajueiro e quartel-general, lembro-me do muro marrom e baixo. Lembro do dia especial e das centenas de pessoas que estavam nas calçadas na Avenida João Pessoa. Privilegiados pelo muro baixo, assistíamos a tudo da janela gradeada da sala de vovô. Uma crescente empolgação e excitação tomou conta do público presente, quando alguém gritou: "Lá vem! Lá vem!"


O carro aberto e alto despontou na avenida. O papamóvel, branco com aquele senhor ídem, tanto nas vestes quanto na pele, o grande chapéu e os dedos que resplandeciam ouro. Uma comitiva acompanhava o carro. Espremia-se o povo na calçada e apertáva-nos, a família, na janela gradeada. Karol Wojtila era o novo papa e esta era sua primeira visita ao Brasil. Da janela, vimos todos quando o carro passou devagar em frente ao muro. O ângulo nos deixou olho-a-olho com o papa. Foi o momento do encontro. João Paulo II sorriu em nossa direção e acenou a mão, o sol refletia no anel e quase ofuscava a vista. Apesar de dirigido à multidão, aquele aceno, aquele sorriso jovial foi interpretado como direcionado à nós. Minha mãe emocionou-se, as avós fizeram o sinal-da-cruz. Vovô Pinheiro eu não lembro - em minha memória inventada - o que fez na hora. Foi nosso encontro com o papa. Naquele 9 de Julho, Raphael estava silencioso no colo de minha mãe: havia parado de chorar mesmo com a agitação toda na casa. Eu só nasceria em 6 meses.

Acho que aqueles poucos segundos frente-a-frente com o papa foram mais importantes praquela família que os muitos anos posteriores. Sempre que íamos ou alguém ia à casa, algum parente mostrava a janela, orgulhoso: "Foi daqui que vimos o papa". E, se prestassem atenção, ainda se via a imagem congelada do papa com a mão extendida e era preciso fechar um pouco o olho para não ser ofuscado pela luz do anel dourado.

Quis a ironia do tempo que muitos anos depois (após um premonitório 9 de Julho e um fatídico dia 10), fôssemos forçados a retornar a casa já fechada e cheia de lembranças, por ocasião da partida de Sancho Pança, que pediu baixa de nosso exército cedo demais. O cajueiro triste estava lá, a garagem que servia de base espacial e a casa e o muro que, estranhamente, pareciam bem menores do que os da minha lembrança. Só quem estava lá ainda igual era o papa além do muro, eternamente acenando e sorrindo, na cena congelada. Daquele 9 de Julho para aquele dia de Agosto, a única semelhança eram as lágrimas de minha mãe.

Hoje o muro não existe mais. Nem a casa. 3 lojinhas ocupam o lugar. Nunca mais pisei por lá, apesar de em minha distração eu sempre procurar a casa mágica quando passo de carro pela avenida João Pessoa.
Às vezes vejo o muro marrom ainda, e a casa por detrás. Mas isso só até tomar consciência de que a paisagem, a vista, o cenário é tudo miragem e ver a casa desaparecer e transformar-se nas lojinhas.

Gabs
4:07 PM

|

♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣

Sexta-feira, Abril 01, 2005

Coincidência?

A história é até interessante: jornalista brasileiro se infiltra em jantar íntimo com Woody Allen e faz uma entrevista com o cineasta. Woody não permite o uso de gravadores e Osmar Freitas Jr., o jornalista, toma notas num papel. A entrevista foi então publicada, com a historinha, na Revista IstoÉ.

Acontece que uma estranha coincidência pôde ser constatada entre a entrevista publicada e outra publicada no site SuicideGirls duas semanas antes. Um dos trechos é este:


ISTOÉ – Como é seu sistema de trabalho num texto? Como é que o sr. escreve?

Allen –
Escrevo naqueles blocões de papel amarelo, a lápis ou à caneta. Escrevo deitado na minha cama. Acabo sempre tendo de copiar tudo à máquina depois e isso toma uns três dias. Eu provavelmente deveria escrever sempre à máquina, pois nesse caso você trabalha a cena ou ato e depois passa para o papel já sabendo como é que vai funcionar. Ao escrever à mão, você, na verdade, está ouvindo a cena em sua cabeça e não sabe se a coisa vai funcionar direito quando se tornar audível a todos. Mas escrever à mão para mim é muito mais rápido. Acabei me viciando nesse processo. (IstoÉ)

DRE: What is your writing process?

WA:
I still lay down on the bed with a yellow pad and write. Invariably I have to type it myself and that takes three days. I was taught to write on a typewriter and I think it would be healthier for me to do it because if you write on your typewriter, you act out the scene and you type it down and you sort of know it works. When you write on a pad, you're hearing it in your head and you don't know that it works when it becomes audible, but it goes so much faster that I've gotten into the bad habit and I've been doing it for years. (SuicideGirls)


Osmar Freitas Jr, o reporter, se defende.

Gabs
11:36 AM

|

♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣

Nos jornais de hoje, notas e matérias sobre o lançamento do novo livro do Paulo Coelho, O Zahir.
Considerando o destaque (lobby?) que tem sido concedido ao "escritor" nos últimos tempos (capas de revistas, documentários e matérias na tv), dá até medo de pensar que se o papa morresse hoje, talvez ainda assim o lançamento do livro de Coelho lhe roubaria as atenções.

E houve quem pensasse que o Coelho na capa das 3 maiores revistas - em circulação, diga-se - do Brasil fosse mero reflexo da Páscoa que se aproximava.


♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣



Como era gostoso o nosso cinema

E eis que lá estávamos eu e Hamille na casa de Pedro para ver, no Canal Brasil, "Superoutro", filme que conta com uma figuração de Élcio Carriço, pai do rapaz.
Para vermos os 5 minutos em que aparece o sêo Élcio, se mexendo numa multidão que assistia ao discurso do louco que achava que era um super-herói, assistimos a mais de 40 minutos de cenas próprias do mais fino cinema nacional e super relevantes à perfeita compreensão da obra. Tais como:

» A câmera filma o louco fazendo cocô no meio da rua. Detalhe para o ângulo escolhido que acompanha a trajetória da bosta em contra-plangè e focalizando em primeiro plano as contrações do esfíncter do protagonista;

» O louco acha uma revista de sacanagem sueca e passa a folhear, apertando os seus testículos com a mão. A câmera acompanha o folhear do começo ao fim;

» O louco corre pelado pela rua;

» Começa na tela uma profusão de imagens estáticas tiradas de revistas pornô suecas, com belas ninfas loiras lambendo enormes cacetes;

» O louco tenta atacar uma louca que o espanta levantando o vestido e mostrando o púbis cheio de pêlos;

» O louco saca o negócio pra fora e se masturba em frente a uma vitrine onde uma TV exibia Roletrando. O negócio em primeiro plano.


conclusões:
* O filme seria muito bom se dispensasse estes recursos baratos;
* A cena-citação a Amarcord, de Fellini, é a mais bacana do filme;
* Se você, como eu, não gostou de Amarelo Manga, nem precisa ver este filme;
* Viva a retomada!
* Dri se garantiu. Chegou no final do filme e só pegou a parte do discurso.


♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣



- Você, por acaso, viu "O Jogador", do Dostoiévski?
- Sei nem que time é este.


♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣



Existe uma tradição no meio jornalístico de se publicar notícias falsas no dia primeiro de Abril. Para quebrar um pouco a tradição, uma notícia real, mas que bem parece mentira.


EUA pensaram em criar "bomba gay"

As Forças Armadas dos Estados Unidos pensaram em criar, em 1994, uma "bomba gay", capaz de levar soldados inimigos a exercerem apelo sexual uns aos outros.

Segundo a BBC, a criação da bomba inédita estaria relatada em documentos do governo americano, que revelavam também projetos de desenvolver uma substância com poder de identificar a presença de soldados adversários a partir de mau hálito ou de flatulências.

Outra invenção seria a criação de uma arma química que atrairia ratos e vespas para os inimigos.

Os projetos do laboratório Wright, da Força Aérea, tinham um custo estimado de US$ 7,5 milhões.



Se você duvida que esta notícia é verdadeira, clique aqui. Aproveite e veja no site a data em que foi postada.


♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣



Para manter o clima do absurdo, mais notícias reais e adequadas ao dia de hoje:

ET de borracha aterroriza moradores no Espírito Santo

Espanhol luta 6 anos na Justiça por causa de US$50

Americana encontra dedo em lanche

Deputado esquece pauta e narra exame de próstata


♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣


das previsões astrológicas

Prevejo que uma grande personalidade do meio ecumênico mundial vai nos abandonar ainda este ano de 2005.

Gabs
10:26 AM

|

♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣