gabriel ramalho
designer, músico, 25 anos.

ouve blues, hard rock, jazz, instrumental, experimental, mpb, música regional.
curte cinema, fotografia, artes plásticas e design.

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Terça-feira, Maio 17, 2005

A casa das mil portas
Tem coisa minha por lá também. Em alguma porta, em algum momento.

Obrigado, Nemo.

Gabs
10:03 PM

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Segunda-feira, Maio 02, 2005

Dom Tomás Balduino é dirigente da Pastoral da Terra, congregação católica semelhante à Teologia da Libertação, preocupada com a questão social e defesa dos direitos humanos. Dom Tomás cuida, sobretudo, das questões envolvendo índios e camponeses no Pará. Enfrenta o poder mantido pelos latifundiários e fazendeiros e o medo imposto pela ação de pistoleiros, que já tentaram matá-lo uma vez, a mando de gente bem importante. Em entrevista recente à Caros Amigos, um trecho pequeno me chamou a atenção e me fez enxergar um pouco de leveza mesmo quando ele falava de tabelas de preços para cabeças de religiosos da Pastoral. Era este:

"(...) com relação aos povos indígenas, tive experiência muito interessante, eram sete povos diferentes naquela região, aprendi a língua de um deles, o ticrin, e convivi com eles. Uma língua preciosa que não tem o verbo ter, não existe o verbo ter, quer dizer, uma língua inútil para um ambiente como o de vocês..."

Em tempo, Dom Tomás escapou da morte em uma emboscada por um motivo inusitado: tinha ido ao enterro de dois amigos assassinados.

Gabs
7:52 PM

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Domingo, Maio 01, 2005

A mudança da rotina pode ser um exercício extremamente saudável.

Talvez já seja conhecido de grande parte das pessoas que acompanham este blog nestes quase 3 anos (mas já?) a minha relação com a cidade. Seja através da minha admiração e do sentimento de beleza que me invade mesmo quando revejo os prédios antigos e deteriorados do Centro, minha impressão sobre a beleza decadente dos restos das coisas imponentes: dos hotéis que hoje são mausoléus de concreto encerrando histórias de um passado glorioso, dos casarões que resistem na Aldeota sufocados entre grandes prédios residenciais, os seus jardins desbotados, cinzentos. E eu consigo ver beleza nisso.

Vejo beleza nas coisas a medida que as vejo com olhar de turista. Aprendi, com o passar dos anos, a educar meu olhar para que cada imagem armazenada correspondesse a uma nova impressão, uma cena, uma memória diversa da qual era associada. Acreditem: a mesma praça que se atravessa diariamente vira outras praças dependendo de seu olhar. O bosque perto de minha casa todo dia é diferente, os passantes mudam, as vendedoras de mudas estão diferentes, a ordem dos taxis estacionados é outra e, desconfio, até as árvores revezam seus lugares durante a noite.

Do Recife, gostei muito mais do Recife Antigo.

Talvez isso seja reflexo do olhar de turista, mas lembro do meu fascínio com o JK, em outra cidade que gostei tão depressa que me bate, vez em muito, uma saudade. Talvez constitua um exercício enorme de imaginação prever como estaria minha vida hoje se as escolhas fossem outras, se adiasse o retorno, se eu passasse a ser mais um tijolo ali. Seria diferente, mas muita coisa seria igual.

E em meio a tantas mudanças do olhar, da rotina, das prioridades e da vida, posso dizer que as mudanças na rotina podem ser saudáveis, mesmo quando esta mudança se dá apenas no olhar. Acredite, já é muita coisa!

Gabs
3:26 PM

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