gabriel ramalho
designer, músico, 25 anos.

ouve blues, hard rock, jazz, instrumental, experimental, mpb, música regional.
curte cinema, fotografia, artes plásticas e design.

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Sexta-feira, Outubro 28, 2005

algumas notas musicais
ou Gump, Forrest Gump.


O cenário, se bem me lembro, era este. Uns dois anos atrás, uma quarta-feira perdida no Esquina da Silva, saudoso bar da dona Tásia, mãe de Fernando Catatau, o que saiu da Varjota pra conquistar o mundo e quase ganhar o Grammy latino. Abre o plano e eu e Patrick bebemos na beirada do balcão e jogamos sinuca, equilibrando ora o taco ora o copo de vidro na beirada da mesa. Patrick era guitarrista da Da Capo, eu era o vocal da Bitten Blues. Éramos também dois caras bebendo cerveja, fumando cigarro, jogando sinuca e batendo um papo em plena quarta-feira. Eu, no auge da fase boêmia, ganhando dinheiro - pouco - só com a banda, sem trabalho fixo durante o dia e encarando todas as noites para sair de casa, cantar ou simplesmente tomar uma cerva e jogar sinuca. Estávamos ali, como em várias quartas que chegávamos e fazíamos o mesmo sem acertar nada um com o outro.

O amigo, entre um trago, um gole ou uma tacada na sinuca, não lembro, me olha e diz, "Ramalhão, Ramalhão, estou gravando uns samples em casa, fundindo com a guitarra, um negócio meio eletrônico, sabe?" Eu, consinto, prestando atenção. "Ramalhão, queria que tu pusesse tua voz lá, sabe?" Eu rio. Não me imaginava cantando em base eletrônica, não por preconceito mas por conhecer minhas limitações. Advirto o amigo, "Patricão, meu timbre não rola, cara. Não acho que ficaria bacana, mas a gente podia tentar". "Tá legal, tá legal", disse e completou o trago, o gole ou a tacada, não lembro. Na minha cabeça, vinha a última idéia que o Patrick havia lançado, meses antes: "Ramalhão, a gente podia fazer uma banda de Blue Drags, em vez de Blue Grass. Um lance meio glam, sabe? A gente tocaria maquiado, vestido de mulher e onde as letras dissessem 'I lost my woman', a gente cantaria 'I Lost my man'." Ri muito na época e disse que não rolava e, até hoje, não sei se ele falou a sério. Dele, se esperava.

Mais umas duas ou três vezes, ele me falou dos samples, chamou pra gravar e eu dava a mesma desculpa. Acho que ele confiou na minha declaração, enfim. Se juntou ao Daniel, figura conhecida em Fortaleza. Juntaram com o Leco - que eu não conhecia - e formaram o Montage. Não consigo imaginar ninguém mais indicado para assumir o vocal do projeto do Patrick que o Daniel. Se eu tivesse aceitado o convite, a banda não teria um décimo do carisma e a imprevisibilidade das apresentações e não passaria sequer da Aldeota. Talvez nem no Noise tocasse. Não falo com falsa modéstia não. Posso até cantar um blues, mas alguém me imagina fazendo as performances do Daniel no palco? Pois é. Portanto, fãs do Montage, agradeçam a mim. Não me arrependi, continuei no blues até hoje.

Esse texto todo para falar que a Coluna Mondo Durante, da talentosíssima Frá Durante, falou recentemente da chamada "invasão cearense". Vale a conferida. Montage, Cidadão Instigado, Karine e Quarto das cinzas tão no meio. Sem falar do selo do Thales e da Thaís, o Gerador, que são quem andam lançando muita coisa boa pra fora.

Depois tem mais historinha.

Gabs
8:45 PM

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Quarta-feira, Outubro 26, 2005

Sensacional
O abecedário da Geração 21 da Literatura.

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da série Manchetes que valem mais que a notícia:
Polícia venezuelana mobilizada contra ameaça das abóboras

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da Renda extra II
Recebi nos comentários ali do lado esquerdo:

Vi seu relato falando sobre a Herbalife e posso provar a vc rendimentos acima de R$ 50 mil/mês.

Moro no estado de MT, e tenho pessoas comigo na multinacional Herbalife com esse rendimento, e outros também, a partir de 2 anos de dedicação.
Se quiseres saber como, meu MSN é douglasgmelo@hotmail.com

Abraços, Douglas

...
E, aqui, eu continuo querendo ter nascido sabendo jogar bola.

- - -

Uma trégua pra Veja
A Editora Abril está se superando. Alguém viu a última capa da Exame? Nunca vi nenhum veículo defender (vender) tanto um candidato de forma tão descarada.


A capa, por si, é quase um disparate. A foto de um Alckmin sorridente e vitorioso em um terno caro e, logo abaixo, em fontes enormes e caixa-alta, "O CANDIDATO DOS EMPRESÁRIOS". As chamadas de capa também não ficam atrás:

Pesquisa EXAME/Vox Populi com presidentes das maiores empresas brasileiras aponta Geraldo Alckmin como o preferido nas próximas eleições presidenciais

Alckmin revela: "Estou pronto para ser presidente"

A desaprovação ao governo Lula entre os empresários é de 77%

Como se não bastasse, uma simples olhada no índice nos defronta com os seguintes títulos de matérias:

Sucessão - Pesquisa inédita mostra que Geraldo Alckmin é o candidato preferido dos empresários
Perfil - A receita utilizada pelo governador de São Paulo à frente do estado
Entrevista - Pela primeira vez, Alckmin assume sua candidatura à Presidência.

Ficar falando e especulando sobre as relações da Editora Abril com o empresariado paulista já é quase perda de tempo. Nada disso é novidade pra ninguém. Mas que se tome nota de que nem sempre o que é bom para o empresariado é bom para o resto do povo. Principalmente o pessoal daqui de cima. E que se tome nota também que, a cada dia, o maior grupo editorial do Brasil vai cada vez mais definindo ao público sua posição ideológica.

Se não bastasse isso tudo, estes são alguns dos outros destaques de dentro da revista:

Investimento - Os estados largam na frente do governo federal e tiram as PPPs do papel
(N.E. leia-se: Se os estados não fizessem, o governo Lula não faria.)

Governo - Apesar das trapalhadas da política, o Brasil do trabalho avança

Exportação - Como o governo tira a competitividade do agronegócio

* * *

É bom viver num país em que se conhece bem a ideologia de seus veículos de comunicação e pode-se escolher como se absorve suas informações, seja concordando ou discordando de forma veemente. Mas um veículo posar de imparcial, quando nas ações faz o oposto de forma tão descarada, não merece o benefício da credibilidade. É jogo sujo mesmo, manipulação. E, num país como o nosso, isso é muito perigoso.

Gabs
11:33 AM

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Terça-feira, Outubro 25, 2005

Fumaça
Não vi nos jornais dos últimos dias menção alguma ao incêndio que supostamente atingiu uma torre da Telemar, em Fortaleza, neste final de semana.
Segundo ouvi, este seria o motivo pelo qual não havia conexão com as operadoras de cartões-de-crédito na tarde de sábado e uma boa parte das pessoas e empresas com conexão em banda larga via Velox ficou sem acesso à Internet desde então. Segundo um amigo, algumas pessoas ainda estão sem acesso até hoje e parece que o prazo para normalizar é hoje ou amanhã, às 22h.

Imagino a quantidade de negócios perdidos nas empresas que usam a Internet para trabalho e todos os contratempos nesta segunda e terça-feira. Quanto de dinheiro se perdeu nestes dois dias?

E por que até agora não saiu nada sobre o assunto nos jornais?

* * *

UPDATE (26/10): O jornal O Povo noticiou hoje que a Telemar pretende indenizar os prejudicados pela falta de serviço.

Gabs
8:01 PM

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Segunda-feira, Outubro 24, 2005

Depois do referendo
e muito provavelmente meu último post sobre o assunto.


Sim, o "Não" venceu no referendo. A voz do povo indicou claramente que não se deve acabar com o comércio de armas. Uma vitória impressionante! Tão impressionante quanto o contigente que justificou o voto ou absteve-se de seu dever de votar. Dever mesmo, porque o voto no Brasil não é um direito, como o da legítima defesa. Direito se exerce se quiser. Dever se exerce porque tem que.

Muita gente, no dia da votação ainda, achava que votava um referendo sobre o Desarmamento. Fico imaginando o que vai acontecer quando estas pessoas descobrirem que foram ludibriadas pelas propagandas, artigos e campanha do "Não" e que, na verdade, o referendo se referia (trava-línguas involuntário) não ao desarmamento e sim a apenas um dos ítens do Estatuto do Desarmamento. O Estatuto já foi aprovado e não vai mudar nada em suas orientações.

Quem votou "Não" para defender seu direito de ter uma arma-de-fogo vai descobrir depois do voto que, mesmo com a vitória da não-proibição, as dificuldades de se comprar uma arma legalmente são exatamente as mesmas que existiriam caso o sim ganhasse. Vai descobrir também que continuará sem poder utilizar uma arma-de-fogo se não tiver cumprido as exigências do Estatuto. Exercer seu direito de "legítima defesa" acarretará a ele as mesmas punições que caíriam sobre ele caso o "Não" tivesse perdido. Vai descobrir talvez tarde demais que, na prática, nada vai mudar para ele.

Já a Forjas Taurus e a CBC devem comemorar bastante. Não irão perder o naco dos clientes nacionais que, mesmo representando uma percentagem ínfima de seus faturamentos em armas e munição, seriam dinheiro a menos em seus bolsos no caso da vitória do "Sim". Vão continuar oferecendo seus produtos nas lojas para que todo cidadão-de-bem metido a Rambo possa comprar (após desembolsar toda aquela quantia proibitiva e passar por todas as etapas que o Estatuto ordena, afinal isso não muda nem foi votado no referendo) e vibrando com cada bala disparada, seja pelo cidadão-de-bem ou pelo cidadão-de-mal.

Afinal, usemos o raciocínio lógico: uma empresa que vive de fabricar balas iria ficar feliz, numa situação incrivelmente hipotética, se um dia se instaurasse uma cultura de paz e todos, cidadãos e bandidos, entregassem suas armas? Quem fabrica bala, lucra com tiro. Não importa de que arma saia, nem importa onde o tiro entre.

Gabs
11:58 AM

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Domingo, Outubro 23, 2005

da Renda extra
Pensando no trânsito em formas de melhorar meu rendimento mensal, desci, sem querer, os olhos em uma propaganda enorme: "Renda extra! Trabalhe em casa!" adesivada em um carro.

Lembrei de todas as pessoas que trabalham com o Herbalife me falando das palestras onde bem-sucedidos vendedores falam de como conseguem tirar tantos milhares de reais por mês aproveitando o tempo livre e trabalhando de casa. Um amigo incauto que foi a uma das reuniões falou de um cara que dizia tirar 20 mil reais por mês. 20 mil! Confesso que cheguei a me sentir tentado, mas foi só por alguns segundos antes de eu me dar conta: nunca vi um BMW com adesivo do Herbalife. Pode prestar atenção.

Eu queria ter nascido sabendo jogar bola.

* * *

É muita cara-de-pau!
Falei, semana passada, que achava difícil ler na Veja alguma linha sobre o caixa dois de Eduardo Azeredo. Como a notícia chegou aos meios de comunicação com o depoimento de Cláudio Mourão, ex-tesoureiro do deputado tucano, a revista se viu numa situação em que fechar os olhos ao que já era de conhecimento público seria realmente muito suspeito. Mas, bem, se a revista não fecha os olhos, pode abrir só meio-olho, fingir dar a notícia, mas sempre mantendo a bonomia:

"Na semana passada, por exemplo, com o depoimento de Mourão, soube-se que a campanha de Azeredo custou 20,1 milhões de reais, dos quais mais da metade era dinheiro de caixa dois, o que é crime. Pior: dos 11,6 milhões que circularam ilegalmente na campanha do tucano, 10 milhões saíram das contas do empresário Marcos Valério, o trem pagador do mensalão petista. Com isso, o governo quis evidenciar que Valério e caixa dois não foram invenção de Delúbio Soares, ex-tesoureiro petista. "Foi um erro deles tentar jogar o PSDB no meio do escândalo. Teve caixa dois no nosso partido, sim. Mas isso foi há sete anos. Nessa guerra, o desgaste maior será sempre do governo", disse a VEJA um governador tucano. O troco da oposição já está previsto."

No quadro que ilustra a matéria, a seguinte frase:

"O PT, supondo que o pior da crise já passou, voltou a dar lição de moral aos outros partidos, retomando a velha arrogância. As principais estrelas petistas passaram a tentar envolver os tucanos nos casos de caixa dois."

Estranho que, numa mesma matéria, exista uma CONFISSÃO de um governador tucano sobre o uso do recurso de caixa dois e uma frase falando que o PT está TENTANDO ENVOLVER os tucanos nestes casos. Pensei que uma confissão fosse suficiente para entender a culpa.

O fato de o PSDB ter usado de caixa dois, que segundo a mesma revista é um crime, há 7 anos o torna inimputável hoje?

* * *

Já passou das 18, então não é mais boca-de-urna
Quisera ter lido isto antes. Vi agora no Blog do Nonato Albuquerque e achei ótimo. Vá lá e procure o post "O time do Não". Bem instrutivo e elucidativo. Infelizmente, dependendo do resultado das urnas, pode ou não ser tarde demais para ler.

Gabs
3:40 PM

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Sexta-feira, Outubro 21, 2005

Central de Notícias Bizarras

Há muito tempo, não postava notícias bizarras neste espaço. Mas é que duas notícias de ontem não podiam passar em branco. Não é todo dia que se lê algo do tipo nos jornais.

A primeira, de ontem, 09h41, é esta:

Astrólogo indiano prevê que morrerá hoje.

Centenas de indianos foram a um vilarejo no Estado de Madhya Pradesh, nesta quinta-feira, para conferir se um astrólogo que previu sua própria morte irá acertar o prognóstico. Kunjilal Malviya, 75 anos, que vive no vilarejo de Sehara, cerca de 200 km ao sul da capital do Estado, Bhopal, estava meditando em sua casa após anunciar que iria morrer nesta quinta-feira.
Sua família teme que a previsão se torne verdade. "Estamos com medo de que sua previsão esteja correta, porque todas as suas previsões até agora estavam certas", disse seu filho Anirudh, por telefone.

"Meu pai previu a morte do meu avô há 15 anos e aconteceu exatamente como ele calculou", acrescentou.

Policiais foram colocados ao redor da casa para impedir que o astrólogo se suicide, afirmaram autoridades.


Horas de suspense. Às 14h33, do mesmo dia, uma nova notícia:

Astrólogo vive depois de prever a própria morte.

Aaaaaahh!

* * *

Aproveitando que já comecei, mais notícias bizarras:


Gabs
3:48 PM

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Citação muito bacana
O Silenzio foi um dos destaques na coluna PopUp do caderno Zoeira do Diário do Nordeste, última quinta-feira. Muito bem acompanhado do blog da Camila Mindu, que é de encher os olhos de tão bonito.

Bacana é descobrir por acaso, enquanto se folheia os jornais de ontem no trabalho.

A quem faz a coluna, meu muito obrigado! A quem chegou aqui através dela, seja bem-vindo.

(Só ainda não descobri se "coisa de gente grande, quase profissional" é ou não um elogio...)










Gabs
12:45 PM

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Quinta-feira, Outubro 20, 2005

Corrigindo informações falsas: Hitler e o desarmamento alemão

Sim, eu recebi o e-mail que falava sobre o desarmamento como sendo prática de governos totalitários e que o desarmamento na Alemanha tinha sido feito pelo Hitler e a população judia indefesa foi facilmente subjulgada. O que as pessoas esquecem é algo que nos é facilmente ensinado em qualquer aula de história: o aparato de propaganda nazista insuflou na população alemã uma sensação tão grande de superioridade que não foi só o governo a perseguir não-arianos, mas a própria população teve sua parcela de culpa ao aceitar, apoiar e até denunciar antigos amigos judeus-alemães. Motivo pelo qual até hoje o país busca esconder as manchas de seu passado e combater os grupos de extrema-direita que, volta e meia, tentam ressucitar ideais nazistas.

À verdade, vamos lá:
O processo de desarmamento da população alemã foi iniciado em 1928, muitos anos antes de Hitler subir ao poder. Foi ainda sob o regime da República de Weimar e foi criado especificamente para desarmar as milícias privadas que se tornavam uma ameaça no país. Entre as milícias, os primeiros exércitos Nazistas. O desarmamento alemão visava manter a ordem pública, garantindo a proteção contra os movimentos extremistas. O resultado foi tão bom que os nazistas não recorreram a um golpe militar e, sim, chegaram ao poder através das urnas.

Hitler, depois de assumir, iniciou em 1938 uma política bem semelhante a do "Não" de hoje. Proibiu o acesso de judeus alemães às armas e incentivou a compra das mesmas pelos "cidadãos-de-bem", os alemães puros. As armas dos judeus, inclusive, foram confiscadas pelo governo. Judeu não devia ter arma, quem devia ter era o cidadão puro, branco e de bem.

Citando um trecho de um texto do jornalista Carlos Rolim, extraído do site da Adital (Agência de Informações Frei Tito para a América Latina), "Se as leis nazistas forem comparadas com as leis de Weimar, ficará evidente que os nazistas foram extremamente liberais com as armas, enquanto o regime democrático foi muito restritivo. Qual foi, então, a política nazista para as armas de fogo? A de que elas deveriam ser consideradas um direito dos "cidadãos alemães, ordeiros e cumpridores da lei". Já os "bandidos comunistas e os capitalistas judeus" não poderiam ter armas. Então, ironicamente, a posição de Hitler quanto às armas de fogo era, na verdade, muito mais próxima daquela sustentada hoje pelo lobby das armas."

Hittler não iniciou processo de desarmamento. Ao contrário, criou uma política de incentivo ao armamento de seus semelhantes. Quanto mais armas nas mãos dos seus semelhantes, puros e simpatizantes ao seu ideário nazista, melhor. E estava feito o holocausto, com o aval dos cidadãos-de-bem.

Gabs
2:36 PM

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Ainda Xaxim
Recebi no post sobre a farsa do Xaxim, o seguinte comentário anônimo:

E VERDADE LEIA AI:
http://www.oquintopoder.com.br/a...unto/ ed89_I.php
E VERDADE LEIA AI | Homepage | 10.20.05 - 9:28 am | #


Vamos às considerações:
O link que a pessoa me enviou, de boa vontade inclusive, nada mais é do que uma cópia integral da notícia falsa veiculada no CocadaBoa. Basta abrir as duas páginas e conferir.

Pra quem ainda duvida, leia o que escreveu o autor da farsa toda. E se ainda tiver dúvidas, clique aqui.

* * *

Cada dia a realidade me parece mais parecida com filme. No caso, Wag The Dog (vou procurar o título em Português). Se o trote for decisivo no referendo, vou ter realmente entrado no filme.

* * *

Ahhhh!
Sim, descobri uma maneira de postar no blog a partir do trabalho. Uma gambiarra enorme, diga-se.
Espero não ser demitido por justa causa pelo fato de estar blogando aqui.
Cruzem os dedos.

Gabs
10:55 AM

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Quarta-feira, Outubro 19, 2005

diga-me de que lado estás e te direi se te acompanho

Fleury Filho, deputado-federal pelo PTB, é o vice-presidente da Frente Parlamentar pelo Direito à Legítima Defesa e é um dos maiores defensores do "Voto Não" no referendo de domingo.
Pra quem é de fora ou não lembra, Fleury foi também governador do estado de São Paulo de 1991 a 1995. Era ele, portanto, quem ocupava o posto máximo do Governo do estado quando ocorreu a revolta dos presos no Carandiru, em outubro de 1992.

Em matéria de 21 de Junho de 2001, quando do julgamento de Ubiratan Guimarães, o "coronel do massacre", Fleury disse à Folha de São Paulo:
"O coronel Ubiratan Guimarães recebeu um ordem legítima e agiu corretamente. Se estivesse no meu gabinete na época teria autorizado e autorizaria hoje, mesmo sabendo das consequências. (...)A população não aguenta mais tanta desordem."

Luiz Antonio Fleury Filho é um cidadão-de-bem.

* * *

E este lance de cidadão-de-bem, hein? É o quê mesmo?

E sobre esta falácia de "Ah, o cidadão-de-bem não vai mais poder comprar armas", "Ah! Vão desarmar o cidadão-de-bem? E agora, como nos defenderemos com nossos três-oitões dos bandidos fortemente armados?" (ressaltando: arma não transforma ninguém em super-herói. Enfrentar fuzis AR-15 com 38 é coisa pro Rambo. Crianças, não tentem isso em suas casas), tenho como argumentos alguns exemplos ótimos de cidadãos-do-bem que, em momentos de suas vidas, aproveitaram seu direito adquirido de possuir uma arma-de-fogo e fazer uso dela.

Estas imagens fazem parte da minha campanha particular. Podem utilizá-las em seus blogs, preservando os links para as matérias as quais elas estão direcionando. Não preciso dizer que não devem tirar os créditos, pois se vocês forem tão cientes de preservação de direitos e éticos como todo cidadão-de-bem deve ser, não há com quê eu me preocupar.


Pimenta Neves, ex-diretor de redação do Estado de São Paulo, matou com dois tiros sua namorada, a jornalista Sandra Gomide, em 20 de agosto de 2000. Crime passional.



Percy Barbosa executou à queima-roupa o vigia José Renato Coelho, em fevereiro em Sobral - CE porque este informou-lhe que o supermercado estava encerrando o expediente. Testemunhas afirmam que o juiz encontrava-se alcoolizado.


* * *

Mais tarde, se eu tiver saco, falo sobre a paranóia dos e-mails que falam do "desarmamento feito por Hitler" (que existiu de maneira completamente diferente do que dizem na mensagem) e da "invasão que os EUA estão planejando através do Paraguai", que daria um ótimo roteiro de filme B.

Gabs
8:57 PM

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Sobre o Xaxim
Este blog teve pico de acessos hoje. Bastou o Google achar o post onde eu falava da falsa entrevista com o Xaxim.
Bem, se pelo menos uma das pessoas que caiu aqui hoje ler e espalhar para os amigos que a entrevista é falsa, já acho ótimo. Se alguma pessoa leu que é falsa, mas mesmo assim mandou pros amigos como se fosse real, sabe que agiu de má fé. Se a consciência não existir nesta hora, que ao menos apareça na hora de votar no referendo.

Polícia que rouba ladrão...
Viram que louco?

E quem não sabia?
Ex-tesoureiro diz que Azeredo tinha caixa 2 mas não sabia
Humm... sei.

P.S.: Se sair na próxima Veja algo imparcial sobre esta acareação sobre o Presidente do PSDB, eu juro que desisto de convencer meu pai a cancelar a assinatura.

Carinhas
Gestalt pura!

Gabs
6:21 PM

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adesões

Circula na Internet um e-mail apócrifo atribuído ao Luis Fernando Veríssimo, que termina com ele dizendo-se a favor do "Voto Não". O texto não parece Veríssimo e, como é de praxe no envio de textos apócrifos, ninguém parece ter checado a origem para saber verídico ou não. Em entrevista a Ancelmo Gois, LFV pronunciou-se a este respeito.

Zuenir Ventura é outro que eu sabia que não me decepcionaria.

Por fim, Pedro Dória também se pronuncia.

Gabs
7:21 AM

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Marketing viral

Caiu.

sua opinião

Sim ou Não, tanto faz. Você pode deixar seus argumentos aqui.

Gabs
6:52 AM

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Segunda-feira, Outubro 17, 2005

Errata

Quando se dá uma informação que depois revela-se errada, deve-se reconhecer o erro. A Assessoria de Comunicação da Editora Abril replicou em nota ao Blue Bus (onde li sobre o fato pela primeira vez) a informação de que o Edifício Birmann 21 pertença à família Birmann, proprietária da CBC.

"Com relaçao a nota publicada nesta 2a feira, dia 10 de outubro, no site Blue Bus, que teve como base a reportagem de O Estado de S Paulo do último domingo, sob o título 'O empresário da muniçao mira em outros negócios', temos a informar que o Edifício Birmann 21, na Marginal Pinheiros, em Sao Paulo, que abriga a sede da Editora Abril, nao pertence a família Birmann. O prédio foi locado da Previ, Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, em 30 de abril de 1997".


Peço desculpas por ter divulgado a informação. Quanto à ligação da CBC com Alberto Fraga, não há nenhuma retificação.

Gabs
10:54 PM

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Xaxim vota sim

Recebi este e-mail e acho que muita gente também. Em anexo, um mp3 de uma suposta entrevista de um traficante a uma repórter dizendo que criou um comitê de publicidade interna no morro do Dendê para forçar a população do Morro a votar no "Sim" no referendo. Na entrevista, o traficante Xaxim explica que faz campanha pelo "sim" porque não quer um "38 na cara quando for invadir prédio de luxo".

Acontece que a entrevista não passou de um trote. O Cocadaboa, site humorístico especializado em criar boatos na Internet, publicou uma falsa "notícia" de que traficantes do Morro do Dendê haviam abraçado a causa do "sim" no referendo. Uma repórter da Assessoria de Comunicação da "Frente pelo Não" leu e entrou em contato com o site querendo entrevistar o repórter responsável pela matéria. O site fez mais: deu a ela o número do "traficante Xaxim" para que ela o entrevistasse pessoalmente. A entrevista foi gravada pelo pessoal do site e publicada logo depois. A partir daí, para popularizar-se como entrevista real e bombástica, foi um pulo.

Pra quem não acredita mesmo em mim, colo as palavras de Ancelmo Gois, em sua coluna do O Globo, de 16/10:

Tiro de festim

Circula no território livre e nem sempre ético da internet um e-mail com a falsa informação de que um tal traficante Xaxim teria montado no Morro do Dendê, no Rio, um comitê do Sim, contra as armas.


Aos que tem dúvidas ou não sabem da história, alguns links.

  • Se você não ouviu, pode ouvir aqui.

  • Para ver a versão dos criadores do trote, clique aqui.

Gabs
8:51 PM

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E Vejam esta...

Após ler integralmente as últimas edições de veja (em minúsculas mesmo), faço algumas colocações. Na verdade, pequenas perguntas para se responder por si...
Sim, antes de mais nada, alguém acredita na imparcialidade da Veja?

  • Por que a Revista Veja não mencionou nenhuma linha na última edição a respeito do dossiê entregue ao MP sobre as ligações de Marcos Valério com Eduardo Azeredo, do PSDB?


  • Por que não foi noticiado pela Veja que a filha de José Serra intercedeu pessoalmente quando da prisão de Eliana Tranchesi, a dona da Daslu, tentando sua libertação?


  • Por que a Veja não escreve uma linha sobre Daniel Dantas, se toda a investigação gira em torno do Opportunity Fund?


  • Alguém explica a escolha da foto de Lula na edição de 12 de Outubro, em tons vermelhos e com expressão demoníaca? Mensagem subliminar?


  • E, ainda, por que a Veja não menciona que Verônica Serra, filha de José Serra, era sócia de Verônica Dantas, irmã de Daniel Dantas, em uma empresa pontocom enquanto publica uma notícia enorme citando a sociedade da empresa do filho de Lula com a Telemar, quando a própria empresa de Fábio da Silva havia inclusive recusado um pedido de sociedade da Brasil telecom?

Gabs
8:17 PM

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pequenas notas sobre o referendo

Após ler um post de um amigo, escrevi um texto que senti vontade de compartilhar aqui. Este amigo não está incluído no rol das pessoas que eu temia por serem sem-noção e votar "não". Este amigo, ao contrário, é um de meus amigos mais sensatos. Isso é um ponto ótimo já que a sensatez em ambas as partes (e lá vai eu me auto-intitular sensato) permite discussões racionais. Feita esta importante observação, colo o texto que joguei lá, em duas partes unidas aqui.

[abre aspas]
O referendo por si só é uma farsa. Jogar para a população a resposabilidade de uma decisão que devia ser do governo, fazer uma pergunta confusa e não esclarecedora é que nem lavar as mãos e depois dizer: "não foi culpa nossa, o povo que quis".
Os meios de comunicação, que deveriam esclarecer à população, confundem ainda mais. O referendo não é sobre Desarmamento. É sobre proibição do comércio legal de armas. Comércio ilegal sempre existiu e sempre vai existir enquanto tiver demanda. E não é um 38 na mão do "cidadão-de-bem" pego de surpresa que vai afugentar dois bandidos determinados e armados com fuzis AR-15.

Quase ninguém leu o estatuto da lei e já tem sua opinião formada, mais por argumentos emocionais. Depois o povo reclama do político que assina uma emenda sem ler. É a mesma coisa. Segundo a lei, o cidadão-de-bem pode ter uma arma de fogo se se filiar a um curso de tiro, realizar exames periódicos e provar perícia e equilíbrio emocional. Para estes, a compra de armas e munição é permitida, como também o é para habitantes de zonas rurais que registrarem-se como caçadores. É como tirar a carteira do Detran. Alguém se sentiria confortável andando na rua se houvesse um mercado legal de venda de carteiras de motorista?

Concordo num único ponto. O de que o dinheiro empregado no referendo seria muito melhor aplicado em campanhas educativas.

A bancada do "Não" na Câmara, por exemplo, não age movida pela "defesa ao direito do cidadão de ter uma arma". Pelo menos 3 deputados federais da oposição tiveram suas campanhas financiadas pela CBC, que é uma fabricante de armas munição. Alguma vez se viu político tão empenhado em defender "direito" de cidadão antes? Ora, se eles mesmos são isentos do cumprimento da lei, segundo o estatuto, pra quê defender o "direito" dos cidadãos?

E mais uma vez: O referendo é sobre proibição de comércio e não sobre desarmamento. Quem tem arma, não precisa entregar caso o "Sim" ganhe. E nem mesmo o cidadão-de-bem que more no local mais perigoso de Fortaleza vai sofrer mais de 6 tentativas de invasão e afugentar o bandido atirando pro alto. Quem tem arma hoje pode continuar com ela em casa. Mas, se não tiver porte, vai ser da mesma forma que é hoje: o uso dela sem permissão é crime, assim como sair com uma arma à rua. E acho justo.

(...)

O objetivo não é diminuir a violência e isto já foi dito. Quem fala na violência é a campanha do "Não", que é endorsado pelo lobby das empresas armamentistas. Se o Governo fosse deixar de fazer uma lei porque o bandido não vai cumprir, não precisava mais fazer lei alguma. Lei é pra "cidadão-de-bem" (usando o termo batido) cumprir e sempre será assim.
"Ah, não vamos mais editar uma lei instituindo o uso do cinto de segurança e protegendo vidas porque algumas pessoas não vão abrir mão do direito de não usar". Onde se viu isso?

Pra quem tem boa memória, lobby sempre foi um movimentador das leis e medidas do Brasil. Todo mundo se lembra quando o Governo FHC ordenou em decreto que todos os carros deviam andar com kits de primeiros socorros. Os produtos dos kits, em sua maioria, eram de uma mesma empresa. Agora alguns deputados andam querendo aprovar um decreto que vai colocar selos de papel alumínio protegendo os bocais das latinhas de cerveja dizendo que querem evitar a leptospirose. Seria ótimo se esta proteção não fosse fabricada por apenas uma empresa.

Concordo que não ataca a raíz do problema e que tudo deveria ser centrado na educação, mas apóio qualquer iniciativa que vise diminuir as armas em circulação.

[fecha aspas]

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  • Gabs
    7:48 PM

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    Breve consideração sobre o fim



    Eu não me sinto preparado para encarar a morte. Não falo de minha morte em particular (desta me sinto até preparado já que tenho uma impressão assustadora sobre a brevidade da vida - que prefiro não ficar lembrando o tempo todo para não viver paranóico), mas da morte em si, da interrupção da vida de alguém. Nem mesmo as mortes de pessoas próximas que passaram por minha vida me fizeram seguro e impassível às outras demonstrações do fim. Cada caso abala de um jeito diferente, cada caso traz uma série de fatores que tornam a partida única. Seja pelo fato de ter sido um acidente brusco e inesperado, uma doença que leva a pessoa embora em pouco tempo, uma casualidade da violência ou uma lenta agonia, cada motivo (mesmo o mesmo em duas mortes diferentes) torna cada situação absurdamente singular. E absurdamente perturbadora.

    Domingo de manhã, toca o telefone. A mãe de uma amiga havia falecido. "Estou ligando para os amigos. O velório é em lugar tal". Tomo banho e me arrumo. Saio para o local. No caminho, percebo que, sim, estou profundamente consternado e, sim, somente poucas vezes na vida tinha visto a mãe de minha amiga. Mas, das poucas ocasiões, recordei-me da sua simpatia e de seu bom-humor. E veio à cabeça uma cena, eu sentado no sofá do apartamento dela, dedilhando um violão que eu não sabia tocar direito enquanto um amigo da época, que hoje não é mais amigo, cantava uma música qualquer. E o que me impressiona na lembrança é que apesar de não lembrar que música era, que acorde eu fazia desleixadamente, como era o violão ou que dia da semana era - se sábado ou domingo -, lembro nitidamente do sorriso naquele rosto simpático perguntando, de uma maneira tão suave que parecia temer estar interrompendo uma grande manifestação de criatividade musical, se a gente queria sorvete. Lembro que era um trabalho de equipe e nossa turma sempre apreciava fazer os trabalhos na casa de nossa amiga por conta da hospitalidade involuntária de sua mãe. Não é todo mundo que consegue acolher e agradar sem parecer forçado.

    O carro pára. Estaciono e vejo um amigo próximo ao carro. "Gabriel, sabia que tinha te visto passar". Não via meu amigo há mais de ano. Não via há muito tempo quase todos os outros rostos que apareceram na minha frente logo depois. Todos com o mesmo semblante de surpresa e comoção. Não é justo que só se reveja amigos de quem gostamos em situações deste tipo. Um dia estamos todos tomando sorvete enquanto fazemos um trabalho. Noutro dia, tantos dias depois, estamos falando das diferenças entre quem éramos e quem somos hoje, dos cabelos que se foram, das barrigas que cresceram e, sobretudo, de como pode esta ausência toda se todos éramos tão próximos.

    Abraço minha amiga junto ao caixão. O abraço é forte e eu não tenho o que dizer. Nunca sei o que dizer em momentos assim. E no meio daquele abraço percebo que, apesar do contato que foi perdendo-se, dos desencontros em todos nós, há naquele abraço, na força do aperto daquele abraço, um carinho tão grande e uma gratidão que poderia se traduzir em amizade, pura e simples.

    Combinamos, os amigos, almoçar juntos. Vou ao carro e, em todos os rostos, uma expressão parecida. O rosto fica incrivelmente expressivo diante da morte. Reverência, talvez. Temor, respeito, não sei o que é. Mas sei que, enquanto girava a chave e olhava para cima, o céu era de um azul tão claro e um sol tão morno que não conseguia evitar reparar na ironia de a morte escolher um dia como aquele. Ou talvez seja o céu que se prepare de tanta beleza para receber pessoas boas. Fazê-las sentir-se em casa, como elas faziam com os outros em vida.

    Gabs
    7:30 PM

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    Sexta-feira, Outubro 14, 2005

    Ceará Music

    Participação minha hoje no show da Vox Dei, palco Jazz e Blues, a partir de 22h.
    Se você estiver de bobeira por lá...

    Gabs
    7:24 PM

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    Quarta-feira, Outubro 12, 2005

    Veja e os sete motivos do "não"

    Algumas semanas atrás, a postura da Revista Veja demonstrou-se mais parcial que o de costume com o tendenciosismo da capa que fazia apologia ao voto no "Não" no referendo de 23 de outubro. A revista elegeu para sua defesa sete motivos e, em editorial, ainda chamou o leitor de incapaz de decidir por conta própria sobre a proibição da venda de armas e munição. Muita gente falou em matéria comprada, de interesses particulares da revista nesta defesa, mas não tinha encontrado até o momento nenhuma prova cabal do motivo da parcialidade assumida. Agora encontrei.

    Na edição do dia 09 de outubro d´O Estado de São Paulo, jornal que já teve como diretor de redação Pimenta Neves ("cidadão-de-bem" que, como tal, se achava no direito de possuir uma arma de fogo), o jornalista Carlos Franco soltou em meio a uma reportagem que o Edifício Birmann 21, na Marginal Pinheiros, em São Paulo, pertence a Daniel Birmann, dono da CBC, a maior fabricante de munição da América Latina. O que chama a atenção nesta aparentemente inútil informação é que o Edifício Birmann 21 é locado integralmente à Editora Abril, que publica a revista Veja semanalmente.

    Veja é, desta forma, locatária de um imóvel pertencente ao maior fabricante de munição da América Latina.

    Pesquisando no site do TSE a respeito das doações em campanhas eleitorais de 2002, pode-se constatar que a CBC financiou a campanha de vários candidatos à Câmara. Um deles, Alberto Fraga (PFL-DF), teve dois terços da sua campanha legalmente financiados pela empresa de munições. O mesmo deputado foi o primeiro a aparecer na propaganda eleitoral do "Voto Não", dizendo que o voto no "Sim" tiraria um direito do cidadão-de-bem. Uma perguntinha básica: Fraga defende um direito do cidadão ou defende os interesses da empresa que o ajudou a se eleger?

    Gabs
    2:09 PM

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    O referendo

    Que eu vou votar "Sim" no plebiscito já é de conhecimento de muitos amigos. Que eu faço campanha pelo desarmamento depois de quatro experiências dramáticas que me fizeram ver a merda de se ter uma arma em casa de "cidadão de bem", também.

    Tenho falado com algumas pessoas nestes dias, gente que vai votar "Não" assustados com a perspectiva de um cenário Mad Max, de caos geral e onde apenas armas nas mãos das pessoas certas (os votantes se acham os eleitos) podem nos proteger. Eu só votaria no "Não" se houvesse um risco de um cenário "Noite dos Mortos-Vivos" em vez de um Mad Max. Como isso é muito pouco provável (alguns diriam impossível), continuo elencando meus motivos para os outros e esperando que um sopro de bom-senso entre pelas suas cabeças. Um colega de trabalho chegou a me dizer que possui uma arma e espera nunca precisar usar. Se não pretende usar, por que ter?

    Acho que o maior dos motivos pelos quais eu voto no "sim" são as pessoas sem-noção que eu conheço que votarão no "não" porque desejam ter uma arma algum dia... Juro que se o "não" ganhar, eu deixo de beber com elas.

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    Aí que, hoje, achei um post num blog que é a melhor defesa pelo "sim" que eu já li. Vale a lida, principalmente se você está indeciso.

    Gabs
    12:39 PM

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