caixinha de surpresas O cunhado chega com uma proposta irrecusável. Pela primeira vez em muito tempo, catorze jogos do final-de-semana são, de certa forma, previsíveis. Junto com meu outro cunhado e o primo deles, montaram uma força-tarefa futebolística: olharam na Internet os times que os três desconheciam, analisaram o desempenho das equipes, viram contratações, contusões e cartões amarelos e chegaram, enfim, com um jogo da Loteria Esportiva fechadinho. "Gabriel, tá aqui. 375 reais. Dividindo por nosso grupo de sete pessoas, dá 54 reais para cada. O prêmio total é dividido pelos sete. O prêmio anterior foi de 175 mil". Titubeei um pouco, mas ao ver o jogo na mão, vi ali meu carro quitado e meu apê mobiliado. "Tamos dentro".
Milli, a namorada, fez uma colocação importante: No cartão, haviam marcado duplo no Ceará X Fortaleza. No caso, vitória do Ceará ou empate. Milli sugeriu substituir um dos jogos triplos marcados por este. Desta forma, o jogo triplo seria o Ceará x Fortaleza e o duplo seria o outro. Por triplo, entenda-se empate ou vitória de qualquer um dos dois times. Todos, mesmo sendo torcedores do Ceará, acabaram acatando. Quando, no domingo, eu vi na TV do Extra o Fortaleza vencendo de 6 x 3, trocamos um beijo emocionado. Nunca ficamos tão aliviados em ver o time do coração perder um jogo.
Na segunda-feira, era o dia de checar os resultados. Os 14 acertos do cartão tinham como prêmio mais de 103 mil reais. 15 mil e pouco para cada um de nós jogadores. 13 acertos renderiam a cada um de nós mais de 300 reais. Livraria nosso prejuízo. 12 acertos não dão direito a nada. Ao conferir o jogo, uma lágrima quase escorre e fica presa no olho. ME DIGAM, ME DIGAM, ME DIGAM, Como pode o Vasco perder pro América e o Botafogo invicto perder pro Volta Redonda?!? Pro VOLTA REDONDA!
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UD Você percebe a mudança quando entra numa loja virtual e, em vez de olhar CDs e DVDs, fica navegando na seção de Utilidades Domésticas.
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Open House O chá de casa nova está sendo marcado. Aguardem os convites nos e-mails de vocês! :) Se der tempo, ainda hoje eu mando.
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Teatro Hoje vou assistir a peça "Caso Veríssimo", lá no Sesc da Clarindo de Queiroz. No elenco, Joseton, o amigo de adolescência, que agora deu numas de ser ator.
Vai ser imperdível, ao menos para mim.
Segue serviço:
CASO VERÍSSIMO - Adaptação dos contos de Luís Fernando Veríssimo extraídos do livro Comédias da Vida Privada, sendo o resultado final da oficina "O ator em cena - corpo, voz e criação", ministrada por Oscar Roney. Em cartaz até quinta (2), sempre às 20h, na Galeria de Artes do SESC (rua Clarindo de Queiroz, 1740 - Centro). Info.: 3452.9000. Grátis.
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E o Volta Redonda, hein? ai, ai...
Gabs 9:19 AM |
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Sábado, Janeiro 28, 2006
breve despedida Amigos, vou passar uns dias afastado da Internet domiciliar. Os acessos serão a partir do trabalho e, mesmo assim, sem poder visitar todos os sites que gosto por conta do websense-barra-tudo-Tabajara. Hoje começo a levar as coisas para o apê novo. O telefone ainda não foi instalado e, acreditem, descobri que você só pode pedir o Velox depois que instalam sua linha de telefone. Não é permitido pedir os dois juntos.
Por conta disso, mais ou menos uma semana afastado de Orkut e etcétaras. Eu sobrevivo.
Se virem sem mim, ok? Eu volto.
Gabs 9:50 AM |
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A Miscelânea Original de Schott
"Este é um banquete de banalidades até então despercebidas. Seu objetivo é proporcionar as bagatelas que alimentam o fluxo de uma boa conversa. Dado importante, ela se mostra modesta quanto à pretensão de ser exaustiva, peremptória ou até mesmo prática. Tem, no entanto, a pretensão de ser essencial. Talvez alguém decida viver sem a Miscelânea, mas parece algo estranho e temerário para se tentar fazer."
Brian:"it's about 12000 blocks, it took over 2 weekends to go and I'm really excited because next week the Guinnes Book of Records' team will come to evaluate it and I really can't afford to that".
turnaround Estou prestes a mudar radicalmente minha vida e a dar um passo inteiramente novo.
Isso é realmente assustador.
Não a mudança em si, mas o desafio.
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Me mudo neste sábado.
Gabs 11:58 AM |
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Terça-feira, Janeiro 24, 2006
praça pública A prefeitura de Fortaleza iniciou um projeto de apadrinhamento de praças públicas por empresas particulares. Em tese, funciona da seguinte forma: uma empresa assume o compromisso de manter uma praça da prefeitura, como uma benfeitoria ao município. Restaura a praça, reforma a praça e a entrega limpa, linda e bem-cuidada aos cidadãos fortalezenses.
Não sei o que tem no contrato desta parceria, mas me incomoda muito passar pela primeira das praças mantidas a partir do convênio, ali bem na rotatória da Aguanambi com a BR. A praça está bem cuidada e arborizada, sim. O piso em ordem e etcétaras. Mas acontece que a praça não tem um banco sequer. Também não há pista reservada para caminhada ou cooper. Se alguém resolver andar por lá, não tem onde parar para sentar ou apertar os cadarços. Não foi feita pro povo do bairro usar, com certeza.
No centro da praça, o que chama a atenção é uma enorme estátua do fundador da empresa mantenedora. Vários holofetes apontando para ela, uma pose imponente, a mão estendida para frente do corpo, lembra a estátua de Lenin na Estação de São Petesburgo. A praça parece ter sido reformada apenas para abrigar a estátua e o pedestal de vários metros de altura que a eleva do chão. Todo o resto converge para ali.
Não sei... pode ser porque eu, de fato, estou mesmo amargo e resmungão estes dias. Pode ser também que eu esteja enxergando cabelo em ovo (e alguém pode me dizer que, realmente, não é bem assim. E eu espero!). Mas o negócio é que é profundamente incômodo para mim ver uma praça pública, espaço de uso comum para a comunidade que a cerca, virar uma espécie de outdoor institucional ou pátio de uma empresa particular. Não deve pagar IPTU (afinal, acho que praça não paga), a energia dos holofotes que iluminam a estátua deve sair da prefeitura e o espaço não tem utilidade alguma para o bairro. A beleza da praça arborizada é só perfumaria. Uma pena.
Gabs 10:35 PM |
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target morde? No meio da Dedé Brasil, vejo um outdoor criticando o turismo sexual infantil. Num detalhe, os olhos de uma criança em preto-e-branco e logo abaixo um texto em inglês dizendo "I'm not a touristic attraction" e uma outra frase também em inglês condenando a prática. Seria uma beleza num folder direcionado aos turistas solteiros estrangeiros que aportam em Fortaleza. Num outdoor enorme numa avenida totalmente fora do triângulo turístico da zona leste da cidade, não vejo nenhum sentido a não ser gastar dinheiro em mídia para ninguém ver.
50 mil folders sairiam mais barato que uma placa de outdoor e atingiriam o público em cheio se fossem distribuídos no aeroporto ou nos hoteis. Acontece que folder não paga comissão à agência. Outdoor paga. É realmente triste ver empresa de publicidade servindo apenas como vendedor de mídia: vende ao cliente umas tantas páginas de jornal, umas tantas inserções e umas tantas placas de outdoor, ganha a comissão e só depois é que vai pensar na campanha e vai atrás de ver como utiliza os espaços.
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confissão Nêgo quer dizer que é culto, joga um filme iraniano na lista das preferências, joga uma ópera no meio das coisas que acha bonito e joga um Nietzsche na mesa de bar. Tá feita a trindade e, para completar o estereótipo, só falta o Adidas, a camisa velha e os óculos de aro preto.
Os mais puristas vão me crucificar mas eu não tenho saco pro cinema iraniano.
O corporativismo ainda é imperante nas redações. A tentativa de eximir os jornais de culpa no episódio do artista japonês e as críticas à produção local refletem o recalque do articulista. É impressionante como podem ser rebatidos facilmente os argumentos. Prova de que o discurso é vazio e não tem como elo nada além do ódio e rancor, puro e simples.
Traveste-se de artigo de opinião uma crítica prepotente. Até a frase de Nelson Rodrigues, presente no fim do primeiro parágrafo, pode ser usada como explicação para o teor do artigo: "os idiotas perderam a modéstia". E completo: a sensatez também.
Gabs 2:43 PM |
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cover art
As capas de livros da The McSweeney's Store são, algo assim, magníficas. The Believer Book of Writers Talking to Writers é o típico livro que eu compraria pela capa, pura e simplesmente. Tem um quê de pop art que dá vontade é de emoldurar, em vez de jogar numa estante. Outro livro atípico é o How to Dress for Every Occasion, by The Pope. Um guia de moda e estilo pretensamente escrito por ninguém menos que o Papa. Sim, a descrição deixa claro que é uma obra ficcional de humor. Bem sarcástico, aliás, do jeito que eu gosto.
Não faltam autores consagrados no catálogo da loja. De Nick Hornby, tem o The Polysyllabic Spree, com 14 artigos literários publicados pelo autor de Alta Fidelidade na sua coluna da Believer Magazine e tem ainda I, de Stephen Dixon, ilustrado por Dan Clowes. Mas talvez o livro mais inusitado de todos seja o English as She is Spoke, escrito pelos portugueses Jose da Fonseca e Pedro Carolino, em 1855. O livro é um guia de frases em inglês, criado pelos dois para ser usado em aulas por seus alunos. O fato é que nem Jose da Fonseca nem Pedro Carolino sabiam falar inglês e utilizaram um dicionário Inglês-Francês e um Francês-Português como referência. Daí se tiram as traduções literais dos termos em português para um inglês babylônico, que são o charme desta publicação de 150 anos de idade.
A capa de Superbad, de Ben Greenman, me remeteu à de O Senhor Brecht, livro que eu gostaria muito de ganhar de presente (amigos, leiam isso).
Os livros da McSweeney's Store tem preços bons para ser livros importados. Se você tem algum amigo ou parente que mora nos EUA e vem ao Brasil com freqüência, me avise que quero encomendar ao menos um destes.
A dica do site da loja eu li no blog do Renato Parada.
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literal
Muito se tem falado do Extremely Loud & Incredible Close, livro de Jonathan Safran Foer, autor de "Tudo se ilumina". Na trama do novo livro, a história de um garoto de nove anos, superdotado, que herda uma misteriosa chave de seu avô e inicia uma busca pela cidade de Nova Iorque à procura da fechadura. A história me soou extremamente familiar. Muito embora, com certeza, deve ser muito mais bem escrita e elaborada que este antigo texto meu publicado aqui, em 6 de janeiro de 2004. A versão traduzida do livro de Foer chega aqui ainda este ano.
Gabs 11:28 AM |
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Segunda-feira, Janeiro 16, 2006
Textos azuis Acho que as fotos do post anterior me inspiraram. Inspiraram um tanto que faltava para eu sentir vontade de escrever algum texto novo.
Na verdade, a idéia é uma pequena séria de posts usando as temáticas do blues e do jazz, tendo por tema seus instrumentos mais conhecidos. O primeiro da leva é sobre o baixo, instrumento fundamental tanto no gênero do Blues quanto no gênero da Blue Note.
Imaginem um clube de fama duvidosa em uma Nova Orleans do começo do século XX e botem um Willie Dixon ou Charles Mingus no som. Espero que gostem.
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O Equilibrista
Era pouco mais de meio-dia e o salão ainda cheirava a suor e fumaça. O cheiro dos gins clandestinos se misturava aos outros odores, preservando como em éter a atmosfera da noite anterior, o local todo como um aquário de vidro. O ar era sufocante e o garoto sentiu os ombros pesados enquanto se esgueirava entre as mesas, fugindo das vistas dos faxineiros do clube e das matronas que repousavam sobre as cadeiras de estofados vermelhos e mofados. Ao perder por um momento o fio do caminho imaginado, aguçou o ouvido, cuidando para não levantar demais a cabeça e arriscar ser descoberto, e identificou no quase-silêncio o mesmo som grave e compassado que tirara-lhe do sono na noite anterior e tinha-o feito decidir aventurar-se naquele espaço desconhecido. Seguiu o som como um afogado buscando a superfície - e quase o era no ar sufocante - e encontrou-se em frente ao palco, onde o negro fumava um cigarro de palha compenetradamente enquanto dedilhava as cordas de um contrabaixo caseiro.
"Está ouvindo?" A voz vinha da direção do negro e chegava aos ouvidos do garoto que se assustava por se ver descoberto. Em nenhum momento viu o negro levantar a cabeça. Até juraria não ter visto seus lábios se mexerem. Só o cigarro meio penso na boca denunciava alguma intenção de fala. O negro repetiu a pergunta, desta vez, elevando os olhos que brilhavam na semi-escuridão do palco: "Está ouvindo a música que acompanho?" O garoto, ainda assustado, fez que não com a cabeça. Em seus nove anos já havia sido coragem demais adentrar naquele local, sob as fuças dos faxineiros e aproveitando o descuido de uma porta providencialmente aberta. Faltava-lhe coragem para responder qualquer pergunta. Além disso, não havia música alguma para se prestar atenção, além dos toques no baixo. "Não há música" falou, por fim, num fio de voz. O negro soltou uma baforada e a fumaça branca criou uma cortina temporária entre os dois. "Gosta de música? Gosta de baixo?", perguntou a voz que saía da fumaça. O garoto consentiu. "Pois escuta o silêncio e marca nele", disse.
O garoto aguçou os ouvidos, mas não havia música. Só os toques dos dedos nas cordas reverberando o som grave nas paredes, nos vidros, nas mesas de madeira. "Acha a música", disse o baixista que, em nenhum momento, havia parado de tocar. O garoto perdeu um pouco do medo, elevou a cabeça e tentou escutar, mas não havia nada, nem um som naquela atmosfera densa. Olhou ao longe, no fundo do salão, os faxineiros arrastando suas vassouras, as matronas que roncavam nas cadeiras, descansando os corpos ocos, e o barulho dos canos de aço, aparentes no teto baixo, que rangiam com a água que ameaçava rompê-los e com o calor que os dilatava. "Há música em tudo", disse o negro em meio a um fraseado nas cordas e, súbito, fez-se um estalo na cabeça do garoto.
Os canos rangiam em intervalos regulares e os roncos das matronas sobressaíam-se no silêncio anterior, combinando-se com os ruídos do aço dilatado. As vassouras riscavam o chão, afastando poeira e trazendo sons familiares ao ouvido do garoto, como pequenas escovadas num prato de bateria. Em um minuto, do silêncio havia música. Os toques dos dedos nas cordas reverberavam o som grave não mais nas paredes, nos vidros, nas mesas. Agora era nos ossos, no pulso. Olhou para o baixista mais uma vez e prestou atenção nos dedos ágeis e precisos. A mão dançava no ritmo da música improvisada, os dedos como pés de malabaristas equilibrando-se sobre as cordas do instrumento, ensaiando a cada momento uma precipitação no vazio, que não acontecia. Cordas-bambas que reverberavam sons graves, precisos como passos de dança. Em algum momento, um volteio e a mão já estava em outro canto, ensaiando um novo passo ou saltando para equilibrar-se em uma corda mais estreita. A dança que existia na cabeça do garoto foi interrompida por um forte puxão de orelha que jogou sua cabeça para trás.
Do lado de fora do clube, segundos depois, sua mãe o empurrava para casa insistentemente e repetia a todo instante que aquele não era um lugar para ele estar e que nunca mais queria vê-lo perto daqueles músicos perdidos. Ameaçou contar ao pastor da vizinhança no próximo domingo, mas o garoto já nem se importava tanto. Mesmo a orelha vermelha não desfazia o sorriso do seu rosto. Ele havia descoberto a música no aparente silêncio do mundo. A voz da mãe ia ficando cada vez mais distante e era o ritmo dos passos dos dois que ia alimentando a música que começava a tocar na sua cabeça. Já sabia o que seria da vida. A voz da mãe cada vez mais distante, mais distante, até quase sumir numa surdez seletiva. Naquele momento tão importante ele ainda não sabia mas alguns anos mais tarde, em um backstage de uma pigfoot party em Nova Orleans, bebendo uma dose de bathtub gin, ele lembraria perfeitamente da voz de sua mãe, como quem lembra de uma música ouvida na infância, e saberia dizer exatamente, de ouvido, qual era o tom. Era Fá sustenido.
Gabs 10:21 PM |
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Mojo workin´
Navegando na web, encontro um site com belíssimas fotos na temática do Blues. O fotógrafo responsável pela excelente série é Bill Steber e as imagens estão na Carl Hammer Gallery.
600 dólares é quanto custa cada reprodução, caso seja seu desejo ter uma destas imagens emolduradas na sua parede.
Depois de ver as fotos, é uma boa dar uma olhada nas outras exposições. Tem bastante coisa bacana!
Gabs 2:15 PM |
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Domingo, Janeiro 15, 2006
a arte de enganar Pedrão me lembrou bem de outra saia-justa passada pela imprensa algum tempo atrás. Em meados de 2000, foi lançado à imprensa um release que anunciava a chegada ao Brasil do guru Omar Khayam, apresentado como "O Homem mais culto do mundo". No release, a informação de que o sábio guru - 99 anos de idade alegados - falava 33 idiomas e 72 dialetos, havia recebido 107 títulos de doutor honoris causa em universidades mundo afora e foi indicado três vezes ao Prêmio Nobel. Além disso, era dotado de dons de cura e sete vidas e, com tal currículo e sapiência, havia amealhado 1 milhão de seguidores no mundo inteiro.
Omar Khayam, o homem mais culto do mundo
O fato é que a divulgação da chegada do guru fez tanto sucesso no meio jornalístico que, na hora que o avião pousou, mais de 10 jornalistas de vários veículos esperavam por ele, ansiosos por se aproximar de tanta sapiência e por adquirir parte de seus ensinamentos. O sábio fez uma pequena palestra no aeroporto afirmando que era importante se aproximar do mundo animal e fazer um retorno às origens e, em 15 minutos, os repórteres estavam junto a ele imitando macacos no saguão. O guru, como se pode ver, era também dotado de uma boa lábia.
Acontece que Omar Khayam era na verdade o pernambucano Alexandre Selva, 62 anos, com passagens na polícia por roubo e estelionato. Antes de ser o sábio guru, fora também o Conde de Água Branca, aplicando golpes no Nordeste entre os anos 50 e 70. Conseguiu, com sua lábia - e antes de ser descoberto - proferir palestra na Unicamp e ser entrevistado por sites, jornais, revistas - entre elas, a IstoÉ - e programas de tevê, incluindo DUAS entrevistas no Jô Soares, que considerou que uma única entrevista não era suficiente para explorar o potencial do entrevistado.
Jô Soares não só caiu no conto, como caiu no conto duas vezes
Depois de descoberta a farsa, ficou um bom gostinho em ter visto Jô Soares agindo com humildade e reverância perante um entrevistado, abandonando a arrogância e pseudo-intelectualidade habitual. Para corroborar o fato do entrevistador de TV sempre se render à pauta do programa e basear sua entrevista nos releases recebidos (embora ele sempre tente parecer conhecer profundamente o entrevistado - neste caso, um entrevistado completamente falso), fica a lembrança de Jô, super curioso, se virando para Omar Khayan e iniciando sua pergunta com "Lembro agora que você chegou a ser indicado a três Prêmios Nobel da Paz..."
Gabs 11:23 PM |
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Let It Be Cachorro-quente da Dom Luís, sexta-feira à noite, eu, Hamille e Pedro. Alguns legítimos exemplares da elite mal educada param os carros importados dos pais, pedem para viagem e saem cantando pneu para nos entupir, os que comem nas mesas, de fumaça de pneu queimado. Outros ligam os sons nas traseiras das Pick-Ups (dos pais, lógico. Vários destes só sabem gastar dinheiro e não aprenderam ainda a suar pra ganhar o seu) e atrapalham os que querem apenas conversar nas mesas, inundando-nos com os novos plágios do forró (chamar versões-brasileiras-de-clássicos-internacionais que não pagam direito autoral de música é demais pra mim). A conversa é atrapalhada várias vezes, seja pelo barulho do som alto e o som dos pneus riscando o chão, sem sair do lugar, seja pela fumaça branca altamente cancerígena que é jogada nas nossas fuças pelos importados alheios - em todas as ascepções da palavra "alheio".
Comentamos a falta de educação dos que nos forçam a ouvir suas preferências musicais duvidosas em sons de alta potência e, mais uma vez, lembro uma frase ouvida certa vez de que "a potência do som de um carro é inversamente proporcional ao gosto musical do motorista". Concordo sozinho. Olho para os prédios residenciais próximos ao local e imagino o inferno que é tentar dormir, estudar ou qualquer outra coisa, morando tão próximo a uma via tão freqüentada por gente mal-educada.
Nesta hora, aproxima-se uma Hilux prateada com um paredão de som atrás. Já aguardamos o som que virá interromper a conversa. Para nossa surpresa, em vez de forró, o local é tomado pelo som do quarteto de Liverpool "Let it Be, Let it beee, let it be, let it be". Constato, por fim, uma coisa: não é a música - forró ou o que seja - que incomoda. É o barulho alto das caixas de som, pura e simples, independente do que esteja tocando. Estou ficando incrivelmente intolerante à falta de educação.
Gabs 4:02 PM |
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Fortaleza insegura Há alguns anos, quando esquentava os bancos da Unifor e morava na Parquelândia - outro lado da cidade - costumava voltar para casa por um caminho que pegava ao lado do Mc Donalds da Washington Soares, passava pelas laterais do Cocó, cruzava a Rogaciano Leite e a Murilo Borges, pegava a Borges de Melo e desembocava nas cercanias do Hospital das Clínicas e José Bastos. O caminho, quase em linha reta, permitia a mim cruzar Fortaleza e chegar em casa em 15 ou 20 minutos. Em 2001, me mudei para mais perto da Faculdade e o caminho mudou. Passei anos sem precisar pegar novamente a via que utilizava diariamente.
Ouvi, anos depois, algumas observações de várias pessoas diferentes: o Cocó estava perigoso - era só mato de um lado e mais mato de outro, o cruzamento da Rogaciano Leite com Thompson Bucão virara cruzamento perigoso e ponto de assaltos, a parte de baixo do viaduto da Borges de Melo, na Aerolândia, era esconderijo de bandidos que esperavam a aproximação dos carros e forçavam suas paradas para efetuar assaltos e a José Bastos também era um local arriscado para se passar de carro. Aliados a estas observações, inúmeros relatos de experiências traumáticas passadas nestes locais.
Outros cruzamentos, como o da Raul Barbosa com Murilo Borges são conhecidos. Não conheço quem se aventure a passar por ali sem sentir medo. Todo mundo sabe dos pontos perigosos na capital e preocupa a sensação de insegurança. Passe altas horas da noite e verá cabines policiais vazias. Para quem não lembra, o estudante que morreu baleado neste cruzamento ano passado morreu a 10 metros de uma cabine policial. Vazia.
Fortaleza insegura II Ontem minha namorada contou uma história ocorrida com uma prima dela. Voltando de uma formatura na Unifor para casa na Parquelândia, nem meia-noite ainda, pegou o mesmo caminho que eu pegava anos atrás. No meio do caminho pelo Cocó, saiu do mato adjacente à pista um grupo de pessoas armadas com o que, na escuridão, pareciam fuzis ou metralhadoras e ocuparam toda a rua para fazer parar o carro. Deviam ser umas 10 pessoas. O marido da prima, num ato reflexo, freou o carro, deu ré e conseguiu pegar o outro lado da pista. Aceleraram desesperados, abaixados nos bancos, enquanto o grupo de bandidos ensaiava correr atrás e mostrava as armas. Não se sabe porque não atiraram.
Pararam numa delegacia para fazer o B.O. e, após contar o caso, ainda ouviram atônitos um policial falar um absurdo: "Não sei como eles não atiraram em vocês. Vocês tiveram sorte de escapar desta. Mas vocês... também são loucos, né? Nem a gente que é policial passa por aquela rua. Ali é muito perigoso. A gente já entregou mesmo."
Acreditem.
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Miopia Enquanto isso, o atual Secretário de Turismo de Fortaleza, numa miopia típica de quem está no Poder Público, vai ao jornal e diz que "dentro do contexto Brasil, Fortaleza é a cidade com menor índice de ocorrências policiais por 100 mil habitantes." Não sei de onde vem esta estatística. Qualquer pesquisa empírica resulta em uma percentagem bem maior. Desafio qualquer pessoa: todo mundo conhece ao menos uma pessoa que foi vítima de assalto no sinal, sequestro relâmpago ou qualquer modalidade de assalto neste ano de 2005. Aliás, desafio tanto o Secretário de Turismo de Fortaleza quanto o Secretário de Segurança Pública do Estado a pararem no cruzamento da Raul Barbosa com Murilo Borges, meia-noite, nos seus carros importados, sem seguranças, ostentando relógio e celular caro e com os vidros baixos.
O maior problema da segurança pública não é apenas a ineficiência, corrupção nos quadros policias ou a pequena quantidade de policiais nas ruas. O maior problema é o descaso e a miopia. Entregar uma via inteira a bandidos armados com metralhadoras e fazer vista grossa à situação emergencial que se encontra a cidade é o que alimenta a violência. O Rio de Janeiro, por exemplo, não ficou violento de uma hora para outra, o descaso e a miopia do governo deixaram chegar aonde está. Em Fortaleza, assusta atualmente não os assaltos, mas a brutalidade e o aparato bélico - cada vez mais potente - dos bandidos. Amigo meu foi assaltado no viaduto da Borges de Melo por cinco garotos na faixa dos 14 anos. Dois deles armados com fuzis.
Para reforçar a miopia, na mesma entrevista do secretário de turismo, este ainda afirmou que o problema de Fortaleza que mais prejudica o turismo não é a violência, e sim a poluição das praias e que o malfeitor vai atrás do turista por uma "questão de mercado". Só faltou anunciar a criação de curso profissionalizante para marginal no Sebrae.
Gabs 3:18 PM |
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Quinta-feira, Janeiro 12, 2006
Charles Mingus Quem quiser me fazer um agrado estes dias e ganhar minha eterna gratidão, pode escolher isso aqui.
Ajude este blogueiro a completar o espaço de sua estante de livros e eu prometo que bato uma foto lendo, tomando café e ouvindo um cd de jazz.
Gabs 4:10 PM |
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Quarta-feira, Janeiro 11, 2006
loas aos porcos e o artista inexistente
Porco Empalhado, de Nelson Leirner
Em 1966, o artista plástico Nelson Leirner inscreveu um porco empalhado dentro de uma gaiola de madeira num salão de arte. O artista, já consagrado à época, tinha um objetivo: questionar os critérios de seleção usados pela curadoria do salão, baseados no renome do artista e no discurso (a bula) da obra. Os jurados morderam a isca, expuseram a obra e, no dia seguinte à vernissage, Leirner foi aos jornais e lançou uma pergunta. Por que os jurados consideraram um porco empalhado como se fosse uma obra de arte? O que significava aquele porco? Os jurados e o museu acabaram tratando o caso como um "happening", numa tentativa de minimizar sua culpa.
Alguns anos atrás, durante uma Bienal internacional de arte em São Paulo, Cleiton Campos, estudante de jornalismo, entrou no museu no segundo dia de exposição com um quadro seu dentro da mochila, aproveitou um descuido da segurança e colocou o quadro num canto da parede. Até o final da exposição, o quadro - ironicamente, uma representação de um navio pirata - ficou lá no mesmo local e o rapaz ainda chegou a ir algumas vezes à bienal para acompanhar as visitas guiadas e escutar as explicações dos guias do museu para a obra que nem mesmo deveria estar ali e que ele próprio não considerava uma obra-de-arte. A farsa só acabou quando, no último dia da bienal, o estudante contou aos jornais sua aventura e a bienal tratou rapidamente de tirar o quadro do local. O motivo para ter permanecido no mesmo canto por meses só se explica pela falta de critério. A atitude de confrontar a arte sacramentalizada das bienais, por si só, se converte em ação de valor artístico.
infogravura de "Souzousareta"
Anteontem foi anunciada a exposição de Souzousareta Geijutsuka, artista plástico japonês, no Centro Dragão do Mar, centro cultural de referência em Fortaleza. Como no release divulgado o artista era renomado e tinha passagens por museus ao redor do mundo, imediatamente os principais jornais do Estado deram destaque imediato à vernissage, com artigos enormes e capas dos cadernos de arte e cultura. Um deles, o de maior circulação, chegou até a fazer uma entrevista por e-mail (cadastro gratuito) com o artista.
O fato é que Souzousareta Geijutsuka não existe, a exposição não existia e o nome do artista traduzido para o português significa "Artista Inventado". Na verdade, em vez de uma exposição, a obra era justamente uma atitude de contestação ao mercado das artes plásticas e seu suporte midiático, onde um artista plástico de fora - mesmo um que não exista (e qualquer consulta ao google constataria) - tem mais destaque nos meios de comunicação do que um artista local. Através de releases e notas falsas, Yuri Firmeza - o artista real - construiu um personagem fictício e enganou os jornais com uma exposição inexistente. A ação de Yuri encontra apoio no Terrorismo Cultural de Vitoriamario, onde o envio de falsos releases e a publicação de notícias e livros falsos servia como ferramenta de contestação sobre a notícia em si e os processos empregados pelo jornal quando da publicação sem antes uma averiguação dos dados. Algo parecido com o que hoje faz o CocadaBoa.
mea-culpa (!) Dos jornais ludibriados, apenas o jornal O Povo assumiu ter sido enganado e coadunou com a versão do artista de que o fato era uma atitude de protesto à cadeia que se constrói tendo por pilares museus, curadores, críticos de arte e imprensa. Escreveu um mea-culpa explicando aos leitores o fato e o protesto. Os outros veículos caíram em cima do artista, o chamando de irresponsável e questionando a credibilidade do Centro Cultural Dragão do Mar. Em vez de reconhecer a falha de não ter averiguado as informações, resolve-se simplesmente atacar o autor do release. O editorial do próprio jornal O Povo vai num posicionamento diferente do posicionamento do caderno cultural.
Mário Pedrosa afirmou certa vez que a arte é o "exercício experimental da liberdade". Por liberdade, pode-se incluir - e aqui eu quem faço as inclusões - a quebra das convenções, a inovação do suporte (o suporte passa a ser a notícia, intangível) e a contestação do estabelecido, da arte sacramentalizada. O que incomoda a mim não é a atitude de protesto do artista local e sim o melindre dos veículos em assumir sua parte de culpa no acontecido.
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Para concluir, fiquemos com um pequeno trecho da entrevista concedida por Souzousareta ao DN. Irônico, no mínimo. Os grifos são meus.
Há ainda uma forte resistência do público a esse tipo de arte, em formas não-convencionais, ou já é mais fácil aproximar a arte eletrônica do público em geral?
Souzousareta - O público sempre resiste ao que não é convencional. Por isso a arte necessita tanto do marketing nos dias de hoje.
Você já declarou que os "historiadores de arte" ainda vêem com reservas a arte tecnológica. Há possibilidades de se reverter esse quadro? Em que prazo?
Souzousareta - Normalmente os historiadores da arte, assim como os historiadores da filosofia, são iguais aos públicos: têm dificuldades de reagir ao que não entendem.
Gabs 5:36 PM |
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Terça-feira, Janeiro 10, 2006
dia 10 faz 25 25 anos atrás, o Brasil enfrentava nos gramados alguma seleção que não me lembro agora qual. O amistoso da seleção canarinha terminava em empate. Algumas horas antes, por teimosia, eu insistia em arrebentar a bolsa amniótica de minha mãe enquanto o médico ainda não havia entrado na sala de cirurgia. Fui desde cedo um sujeito apressado e ansioso.
O Brasil não ganhava aquele amistoso e empate, naqueles tempos pré-Parreira, não tinha sabor algum. Poderia, por algum motivo, me sentir culpado pela situação brasileira já que o Brasil não havia vencido o amistoso do dia em que nasci. Nascer no mesmo momento que o Brasil inteiro choraminga uma não-vitória é como nascer entregando os pontos. Era a pátria de chuteiras, já. Fui desde cedo um sujeito dramático e exagerado.
Rebobinemos.
Pra não ficar só no lamento, nasci no mesmo dia em que nasceu o Mickey Mouse, 49 anos antes. Também foi num 10 de Janeiro que entrou em vigor o Tratado de Versalhes, noutro que Leon Trotski foi expulso da Rússia, noutro que foi instituída a ONU, noutro que descobriram a Tumba de Cleópatra, noutro que Índia e Paquistão assinaram acordo de paz (já era sobre a Caxemira) e noutro que a AOL efetuou a maior fusão corporativa da história ao comprar a Time-Warner por US$ 162 bilhões. Como se percebe, só coisas de menor relevância frente ao aniversário do Mickey. Fui desde cedo um sujeito empolgado.
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Dos favoritos Um blog ótimo que entrará na lista aqui do lado assim que eu tiver coragem: Manobra, 1979.
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Mais uma do Google A aposta da tecnologia para 2006: o GooglePC.
Computador custando 200 dólares, sendo vendido no Wal-Mart e com sistema operacional próprio. Acredito - ainda não sei ao certo - que baseado na tecnologia do Web 2.0. É esperar.
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Vício Consiga jogar este joguinho por menos de 10 minutos. Não é aconselhável clicar neste link se você estiver no trabalho. Periga você não conseguir fazer mais nada o dia todo.
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Vídeos
Comercial excelente.
Para ver, basta clicar no Play.
Gabs 6:00 PM |
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Terça-feira, Janeiro 03, 2006
em algum lugar do passado Pedro Dória, no Weblog, deu a dica e Nonato também comentou: fotos coloridas dos EUA, entre os anos de 1939 a 1943.
Não são bem fotografias. As imagens, na verdade, foram obtidas através da impressão de fotogramas coloridos, que já existiam naquela época e, por ser caros, eram utilizados no cinema, exclusivamente, e não chegaram a se popularizar.
A Família Faro Caudill jantando / Russell Lee, Novo México, 1940
Vale a visita.
em algum lugar do passado II Apesar de chegar até a gente apenas algumas décadas atrás, a patente do processo de revelação do filme colorido data de 1903 e seu desenvolvimento, de 1907. Foi uma invenção dos Irmãos Lumiere. Aqueles Lumiere mesmo, os do cinema.
Jean-Baptiste Tournassoud / Soldados Algerianos cozinham seu almoço numa vila em Oise, França, 1917 Na época, a Algéria era colônia francesa e seu povo teve que lutar pela França na Guerra.
O primeiro órgão a fazer uso da fotografia foi o exército francês, durante a Primeira Guerra Mundial. Ver imagens daquele período, tão antigas e impressionantes pelos instantâneos do cotidiano do exército e pelos cenários de destruição, em cores, dão uma impressão fantasmagórica da Guerra. Imaginar que as crianças que brincam nas ruínas devem estar mortas há pelo menos 20 anos e ver as cruzes dos mortos recentes em meio às árvores retorcidas pelas bombas dá calafrios.
em algum lugar do passado III
Colhedores de Chá / Sergei Mikhailovich, ca. 1907-1915.
Processo parecido com o utilizado nas fotografias norte-americanas é o processo de captura da imagem em cores desenvolvido por Sergei Mikhailovich. No caso, a imagem era capturada por uma máquina que gravava os negativos em três filtros coloridos (como o processo dos monitores atuais de gerar imagens coloridas através da mistura de três cores apenas) e era exibida através de um projetor que mesclava os negativos. Como ocorreu com os fotogramas norte-americanos, a tecnologia moderna permitiu imprimir estas imagens e digitalizá-las, mantendo as cores originais. O resultado são vívidas imagens de uma Rússia pré-revolução, verdadeiros retratos da vida e da tecnologia russa, entre 1907 e 1915.
Digam vocês se não é fascinante!
Gabs 7:21 AM |
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Domingo, Janeiro 01, 2006
A ver navios A programação de cinema em Fortaleza é de dar dó. Mais de 20 salas de cinema, poucas opções pra quem não curte o esquema cinemão. Enquanto Manderlay só tem UMA sessão em UM horário apenas no Multiplex e Casa Vazia só tem UMA sessão em apenas UM dia da semana, King Kong está em NOVE cinemas, Crônicas de Nárnia em SETE e o último do Harry Potter em SEIS. Todos com múltiplas sessões.
A ver navios II O próprio Espaço Unibanco Dragão do Mar, que era uma espécie de Oásis em meio a tanta exibição de filme ruim, tem deixado de ser exceção. Vinícius entrou e saiu de cartaz tão rápido que quem se programou pra ver depois acabou perdendo. Resolvi assistir Lila Diz na primeira semana de exibição, semana passada. Consegui ver. Hoje, olhando a programação, percebi que já saiu de cartaz.
Sobre Lila Diz, escreverei um post mais tarde. Ou atualizarei neste mesmo. Deixa só passar esta preguiça inicial de primeiro dia do ano.
Instigado Tem gente que ainda tem medo de comprar pela Internet, apesar de ser o tipo de negociação mais seguro que existe atualmente. Fico espantado quando vejo gente, que não compra pela Internet por ter medo, entregar o cartão de crédito ao garçom que não conhece e deixar o cara levar o cartão lá para dentro do estabelecimento. Disso sim eu tenho medo. Motivo pelo qual, sempre que possível, eu prefiro comprar no débito em conta, olhando pra maquininha e escondendo a senha com a mão. Nunca se sabe.
Tanto é verdade que confio na rede que aqui em casa já compramos livros, DVDs, Cds e etcétaras. Até o meu aparelho de DVD e a TV grande da sala foram comprados pela Internet. E entregues bem mais rápido que o previsto.
Pois bem... semana passada, procurei nas lojas daqui de Fortaleza o novo CD do Cidadão Instigado, banda de Fernando Catatau, o que saiu da Varjota pra conquistar o mundo. Procurei, procurei, procurei e, em duas lojas, achei o danado. Numa, havia apenas um disco, um exemplar, sendo vendido a R$ 32,40. Em outra, estava faltando mas estava perto de chegar mais. O preço era de R$ 32,00, caso eu quisesse encomendar. Eu, que tinha perdido o show que fizeram semana retrasada e onde o próprio Catatau vendia seus discos a 15 reais, achei um pouco caro. Até tentei contato com o próprio através de um amigo em comum, mas fui informado que todos os CDs que a banda trouxe nas malas já haviam esgotado. Era comprar ou encomendar na loja mesmo. Não comprei.
Resolvi olhar na Internet e achei o mesmo disco por R$ 19,90. Mesmo com o frete pra Fortaleza, que encarecia um pouco, o CD chegava por 28 reais e pouquinho. Comprei e chegou dentro do prazo. E, acreditem, o CD merece mesmo todas as loas e elogios que vem recebendo da crítica musical brasileira. Vale muito a pena.
Para terminar, alguns links:
Videoclipe de "O Tempo", música do novo CD. Clipe com imagens do casamento dos pais de Catatau (sim, a dona Tásia, pra quem era cliente do Esquina da Silva) e animações do Heron.