gabriel ramalho
designer, músico, 25 anos.

ouve blues, hard rock, jazz, instrumental, experimental, mpb, música regional.
curte cinema, fotografia, artes plásticas e design.

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: deixe algo pra mim.

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Sexta-feira, Março 31, 2006

com a chave inglesa na sala de jantar

Eu ainda acredito no poder da Internet para ajudar a tornar público certas informações. O relato que boto aqui abaixo é real e aconteceu COMIGO ONTEM. Acabei de enviar o relato através de carta à imprensa e espero que mais gente se livre de passar por uma situação tão constrangedora como a que passamos. Não faltam restaurantes em Fortaleza. E, o melhor, locais mais baratos e com atendimento bem melhor. A carta segue abaixo:

* * *

Na noite de quinta-feira, 30/03/2006, estávamos um grupo de amigos em comemoração no Capitão Mostarda, localizado na Avenida Barão de Studart. Estávamos em grupo de oito pessoas e consumindo há um bom tempo no local.

Em determinado momento, um garçom chega à mesa com um sanduíche e o coloca na frente de um amigo nosso. O amigo, Leonardo, educadamente afirmou que tinha sido um engano, já que ninguém na mesa havia pedido aquele prato. O garçom insistiu que haviam pedido, sim, e Leonardo repetiu que havia sido engano. O garçom insistiu mais uma vez e afirmou que o pedido tinha sido feito em um cartão de consumo cujo número não recordo agora. Na mesma hora, consultamos todos os cartões de consumo da mesa e o número citado pelo garçom não pertencia ao cartão de nenhum de nós. Esclarecemos novamente que havia sido engano e que ele poderia levar o prato que ninguém havia pedido.

Neste momento, o garçom chama uma pessoa alta, cabelos compridos e grisalhos - que depois nos informaram tratar-se do filho do proprietário do local - e este já chegou dizendo que teríamos que consumir o sanduíche ou pagar, já que estava feito e em nossa mesa. Não deu espaço para nossas explicações, agindo com prepotência e de forma intimidadora, mesmo com nossas tentativas de explicar que ninguém havia pedido o lanche nem sequer este havia sido pedido em nenhum dos cartões em posse do nosso grupo. Um de nossos amigos e sua namorada, constrangidos com a situação, disse que iriam embora. Neste momento, o agressor - histericamente - grita que ele deveria ir mesmo e que pagasse logo sua conta, chegando inclusive a empurrar nosso amigo em direção ao caixa, quando este ficou em pé. Todos ficamos intimidados com a arrogância, falta de educação e, sobretudo, pelas agressões física, verbal e moral a que fomos submetidos e decidimos encerrar nossa conta também. O agressor, em nenhum momento, desceu de sua posição de prepotência, indo para trás do balcão logo depois.

Uma amiga, Luciana, procurou então o proprietário do local, que estava no estabelecimento. Este veio nos pedir desculpas pelo mau trato, afirmou que o garçom era estrangeiro e, diante de nossa afirmação de que quem deveria se desculpar era o garçom e o agressor, que se encontrava atrás do balcão nos olhando com um olhar de prepotente superioridade, chegou a oferecer sorvetes para esquecermos do caso. Dissemos que o constrangimento tinha sido muito grande, relatamos a agressão (empurrão) ao nosso amigo e o fato do despreparado filho do proprietário praticamente ter nos enxotado do local por conta de um sanduíche que nenhum dos integrantes do grupo teria problemas para pagar, SE TIVESSE feito o pedido. Estávamos relatando este caso quando, veja só!, o garçom chega até a mesa, pega o prato do sanduíche e o leva para outra mesa. Tinha enfim encontrado quem havia feito o pedido.

Em nenhum momento o proprietário fez menção de chamar o agressor para se desculpar, coadunando com a agressão e o mau tratamento praticados.

Freqüentava habitualmente o local, em vários grupos de amigos, e sempre consumimos bem - o que não serve sequer como justificativa, já que o tratamento praticado deve ser igual com quem consume um jantar e quem consome um copo d'água. Afirmo que não pretendemos voltar jamais a este estabelecimento e que fico feliz se este meu relato servir de alerta a outras pessoas e evitar que passem pelo mesmo constrangimento que passamos.

Com tanto restaurante e lanchonete por Fortaleza, não precisamos sair de casa para uma comemoração e voltar humilhados e entupidos de indignação e revolta.

Confirmo tudo neste relato e atesto a veracidade deixando meu nome completo e e-mail para contato.

Gabriel Ramalho de Farias
gabrielramalho@gmail.com

Gabs
9:55 AM

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Quinta-feira, Março 30, 2006

IstoEra

Uma das coisas que comentei pouco tempo atrás - não lembro se aqui ou se em um comentário neste ou noutro blog - foi a respeito da "involução" da Revista IstoÉ nos últimos anos. De revista crítica e corajosa (a ponto de estampar em capa uma "cartinha" de ameaça da parte de ACM), a publicação é hoje um mero apanhado de notícias sem aprofundamento e destinadas à fruição rápida. Não tem como comparar com a IstoÉ dos tempos de Mino Carta. A mudança na direção da revista refletiu muito na mudança da linha ideológica e o jornalismo que antes eu gostava de ler no periódico não mais existe.

Luiz Cláudio Cunha, motivado por uma insatisfação com os rumos da revista para a qual colabora e pela demissão dos colegas Amaury Ribeiro Jr., Donizete Arruda e Tales Faria da sucursal de Brasília, resolveu abrir a caixa de pandora da revista, em carta aberta ao atual diretor-editorial, Carlos José Marques, e cópias para Domingo Alzugaray, diretor da Editora Três, e Alberto Dines, editor responsável pelo Observatório de Imprensa. Afora algumas loas à Veja e algumas opiniões das quais discordo, é um importante documento para se entender o jornalismo de uma revista que já foi uma das duas mais importantes do país e como se perde o foco quando, em vez de se produzir notícia se produz mercadoria ou panfleto, em vez de formar leitores se busca adquirir consumidores e em vez de fazer jornalismo - usando as palavras de Pedro - se "comete".

Aguardo o desenrolar ansiosamente.

Gabs
4:57 PM

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Terça-feira, Março 28, 2006

a instituição sagrada do sigilo bancário

E o Palocci caiu.

* * *

Eu concordo com a queda do Palocci após a confissão de que o extrato foi entregue em suas mãos. Concordo também que se puna quem fez o pagamento com fim eleitoreiro, afinal ninguém dá 25 mil reais a alguém somente pelo sentimento cívico de ver estampada uma denúncia. E, no final das contas, isso pode ser bom porque pode abrir um precedente jurídico: não tenho lembranças de alguém que tenha sido punido por quebrar sigilo de outrém.

Gosto das opiniões e questionamentos da . Sensata, observadora e com ótimas pontuações. Minha opinião sobre o caso do caseiro é bem semelhante às considerações feitas por ela em seu blog. Por excesso de preguiça, falta de tempo e por concordância de pensamento, colo aqui como citação.

"Algumas perguntas:
(...)
* Por que deve-se punir quem quebrou o sigilo bancário do caseiro? (que eu concordo deva ser rigorosamente punido o autor(es) de tal quebra, mas... E por que não se puniu:

1) Quem vazou para a imprensa, em agosto de 2004, dados fiscais e patrimoniais do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

2) Quem violou as informações bancárias e fiscais da Concrab (Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil), que estavam sob proteção da CPI da Terra. CPI, aliás, que era presidida pelo senador tucano Álvaro Dias.

3) Quem associou o nome de quatro deputados federais petistas com o valerioduto, a partir de documentos sob sigilo legal. Depois, comprovou-se que alguns nomes relacionados a supostos saques eram homônimos ou simplesmente inocentes. O vazamento para a imprensa foi de autoria do líder do PFL, deputado Rodrigo Maia.

4) Quem vazou dados protegidos por sigilo bancário e fiscal do ex-deputado José Dirceu. O autor foi o deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS), que tem contra ele uma representação por quebra de decoro parlamentar.

5) Quem vazou um relatório confidencial e provisório do Tribunal de Contas da União, divulgado na terça-feira pela imprensa, relativo à Petrobras.

6) Quem vazou depoimento secreto do funcionário dos Correios Maurício Marinho ao Ministério Público.

7) Quem vazou o sigilo bancário do publicitário Duda Mendonça, sob guarda da CPI dos Correios.
.
* Será que ainda existe imprensa imparcial neste país?"

Rê, nunca existiu.

* * *
A propósito, a Folha de São Paulo, muda a mira um pouco e passa a focar a artilharia no caso Alckmin/Nossa Caixa. Concessão de patrocínios a veículos ligados à base aliada do Governo de SP e próxima a datas de votações importantes. Já vi este filme antes.

Alckmin, que se anunciou como responsável por um "banho de ética", afirmou que não sabia do beneficiamento e que não tinha como saber de tudo que faziam seus assessores. Com o perdão da referência, mas não era a dobradinha PSDB/PFL que acusava o Lula de ingerência por este mesmo motivo?

Gabs
11:13 AM

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Segunda-feira, Março 27, 2006

das coisas simples

Resolvi realizar meio que uma mudancinha na rotina: abandonar o restaurante da empresa e passar a fazer minhas refeições em casa.

Considerando que moro a apenas 5 quilômetros de meu trabalho (4,6 destes em linha reta em via de acesso rápido) e a quantidade de comida que acaba se estragando pelo simples fato de eu não ter tempo pra comer em casa, concluí que, mesmo com o aumento do consumo de combustível, chego a ter uma boa economia e evito o desperdício. Perco uns 10 a 15 minutos de ida e volta e evito o ambiente hermético do restaurante do trabalho.

Comi as sobras de um macarrão com mexilhões que fiz pro jantar ontem, ouvindo Charles Mingus no som e com as janelas abertas (já mencionei que a janela de meu apartamento dá para a copa de uma árvore?). Ainda deu tempo de tomar um banho e voltar mais leve pro trabalho. Nenhum restaurante me traria um ambiente tão acolhedor. No caminho de volta, a única coisa que passava pela minha cabeça era "por que eu não tive esta idéia antes?"

*
Deus abençoe o inventor da espagueteira e o boxeador George Foreman pelos serviços prestados a humanidade. Que o Papa canonize.

Gabs
3:13 PM

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das artes que não domino

Não é todo mundo que consegue dominar a arte do achincalhe e a arte do deboche evitando ao máximo que isso deponha contra si e deixando quase inexistente o espaço para a réplica. Admiro algumas pessoas por esta capacidade que sei que não tenho. Sou aberto ao diálogo (apesar de minhas convicções) e sei reconhecer coerência onde exista coerência a ser reconhecida. No entanto, combato algumas miopias que me incomodam por sua pretensa superioridade de conhecimento a respeito de certas matérias, onde a demonstração do conhecimento sequer existe. Disfarçar de achincalhe um ataque motivado só por ideologia política (e o pior: com precedentes nada favoráveis do "achincalhador") não é um recurso lá muito digno de consideração. Mas, como não sou perfeito, acabo metendo meu bedelho em réplicas e aguardo as tréplicas que, com certeza, virão.

* * *
exportador de gente, somente?

Através de um comentário no Orkut, cheguei a um blog tucanista. Antes que me acusem antecipadamente de "petista", "esquerdinha" e que tais, me assumo logo como tal e espero, se não a redenção, ao menos a comiseração de vocês (critico a parcialidade dos veículos de comunicação, mas este blog não é veículo nenhum além de escape pessoal, então posso me expressar à vontade). Ao menos não sou marxista ou radical, dêem-me um desconto.

O que me motivou a ida ao blog foi o comentário cheio de suposta razão, num tópico a favor de Alckmin, onde o usuário afirmava categoricamente que a mudança da cobrança do ICMS, proposta por Geraldo, ia prejudicar SP e favorecer os estados do Norte/Nordeste - um sinal de que a política econômica do candidato peessedebista olharia para as regiões "menos favorecidas". Discurso bom, ineficiente, mas bom: faltou ao comentador apenas um mínimo de conhecimento sobre o Brasil (a tal da miopia que falei antes).

O argumento foi que a mudança na cobrança do ICMS, mudando para o destino, prejudicaria os Estados exportadores. Esquece-se, no entanto, que SP não é o único estado exportador, apesar de ser o maior no setor. O Amazonas, pasmem!, chega perto - (update: tinha me esquecido da Zona Franca de Manaus, conforme alertaram-me nos comentários. Vale a informação para conferência, portanto.) - e os estados do Nordeste incluem-se fortemente nesta lista, também, sendo representados sobretudo pelo pólo petroquímico, têxtil e tecnológico (softwares e produtos eletrônicos). Mas eu entendo: acompanhar o Nordeste pela Globo e ver apenas pobre comendo calango na caatinga é prejudicial à criação de uma visão mais condizente com a realidade. É fácil pra classe média acreditar que só há pobreza e necessitados no Nordeste quando o único contato que se tem com um nordestino é com o porteiro do condomínio - que, por falta de oportunidades, seria porteiro de condomínio em SP, RJ ou até mesmo em Aracaju ou Salvador. Há pobre e há rico em todo canto. No prédio que eu morava em Fortaleza, trabalhou um porteiro que era de Ribeirão Preto. E, por favor, entendam minhas palavras: isto é uma ilustração e não uma justificativa ou achincalhe.

* * *
dos caciques

Antes de falar de pobreza, um dado que muita gente talvez não conheça. Certa vez, um amigo me disse que a visão que o Sul tem do Nordeste é semelhante à que o Nordeste tem do Amazonas. Duvidava até o dia em que outro amigo me disse que alguém com conforto de classe média alta em Manaus seria considerado rico em qualquer lugar do país. Vi que tinha fundo de verdade: Não é todo mundo que pode pagar 200 reais por um Velox.

* * *
at last, but not least
Pedrão faz uma pequena coletânea. Este domina a arte.

Gabs
11:30 AM

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Quarta-feira, Março 22, 2006

cachorro morto

Não vou perder tempo comentando a última Veja (a da capa com FHC).
Só uma coisa rápida: Fica difícil não imaginar a capa desta edição em algum dicionário ilustrado ao lado do verbete "panfleto". Linha ideológica e parcialidade sempre tem e é inocência achar que não, mas a ética recomenda que ao menos se tente disfarçar.

Gabs
12:46 AM

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Segunda-feira, Março 20, 2006

textos azuis III

Havia um momento na noite em que aquele aparente caos se transformava em outra coisa, em uma coisa única, como se a música fosse um organismo vivo, pulsante, cheio de vontades e uma única inteligência regesse o desconforto.

Naquele momento, o fraseado aparentemente desconexo do contrabaixo encontrava eco na bateria quebrada, onde o som dos pratos parecia com o de gotas de chuva no telhado e o sax, que antes tocava notas individualistas, vinha do fundo desta espessa camada para romper o limiar e emergir à atmosfera com notas quentes e precisas.

Não se sabia a mágica que fazia aquele momento surgir do aparente nada, do aparente caos que se seguia logo após as improvisações individuais. Era como se, de um momento para outro, o jazz, antes em cacos, se revelasse em texturas a todos os músicos. E, neste momento, o do encontro, não cabia contestar ou mudar a direção. Só assumir sua função e respeitar a música que ordenava cumprimento e se apresentava cristalina. Como as gotas no telhado, como o eco dos pratos.

Gabs
10:20 AM

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Sábado, Março 11, 2006

como acontece

Tinha a impressão de já tê-la visto antes. No ônibus, no cinema, no boteco, na faculdade, nalgum outro canto.
Lembrava-lhe as unhas de um vermelho forte, rubro, atravessadas por uma tira branca de esmalte na horizontal e o cabelo curto que terminava num ombro de saboneteiras salientes.
Percebera-lhe, nos dias seguintes, no ônibus, no cinema, no boteco, na faculdade e ainda no café, na praça de alimentação na hora do almoço, na livraria e na loja de CDs. Achava promissor o modo como se tornara mais fácil encontrar a desconhecida logo que passara a reparar nela e em como as coincidências favoreciam os encontros. Ao sair de casa, tinha a dúvida saudável que era saciada assim que a via, displicente, nos locais.

Escreveu um poema qualquer, assinou com o telefone, dobrou e colocou no bolso da calça com um suspiro. Era dado a pieguismos. Saiu de casa decidido. No ônibus, no boteco, no cinema, no café, na faculdade, nunca mais a encontrou.

Gabs
9:07 AM

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textos azuis II

Acendeu o charuto e deixou a fumaça misturar-se às outras no recinto. Recostou-se à cadeira, os ouvidos atentos, os olhos duas azeitonas pretas. Deixava a fumaça sair em círculos da boca entreaberta enquanto degustava. Tragar nunca. O som do contrabaixo preenchia todos os espaços, fazia tremer as mesas, fazia molhar as moças. Deu um sorriso maroto e um cumprimento de sobrancelhas na direção da banda. Alguém acenou de volta com a cabeça. Pegou o copo de whiskey sobre a mesa e brincou com os dedos grossos no gelo. Cada nota do contrabaixo reverberava uma parede, cada frase rompia o cordão no ar. Olhou para o colo: o sax repousava, reverente.

De todos os lugares no mundo, sabia ele, aquele era o único onde gostaria de estar.

Gabs
8:55 AM

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Sábado, Março 04, 2006

inocente
Relatório da PF isenta Lula no caso do mensalão.

Gabs
5:44 PM

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