gabriel ramalho
designer, músico, 25 anos.

ouve blues, hard rock, jazz, instrumental, experimental, mpb, música regional.
curte cinema, fotografia, artes plásticas e design.

fale comigo.

: deixe algo pra mim.

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Domingo, Abril 30, 2006

águas de abril


É que quando chove em Fortaleza, a gente abre um sorriso melancólico.
É que a casa fica enorme nestes dias.
E o silêncio é quebrado pela chuva e pelo que sai das caixas-de-som do micro depois de escolher a playlist.
Jazz é ideal. Chuva lá fora, um capuccino, torradinhas e um bom livro lido deitado na rede.
Está feito meu domingo.

(Aqui também)

[O som é Bradh Mehldau tocando Dear Prudence. A edição é caseira.]

Gabs
2:53 PM

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Quinta-feira, Abril 27, 2006

Mania de organização

Mais uma do Google:
Google Calendar.

Gabs
9:52 PM

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Terça-feira, Abril 25, 2006

perfil
Saiu hoje um perfil meu no caderno Buchicho, do Jornal O Povo.
E pra embasar uma constatação antiga: eu não sou nada fotogênico.

* * *

Outra notícia: o CD Demo da banda de blues está pronto, finalmente. Eu digo que ao vivo é bem melhor mas, como é uma versão demo mesmo, está bem bacana.
Podem escutar online e fazer os downloads das músicas, clicando aqui. E podem também deixar comentários por lá.

* * *

É isso. :)

Gabs
10:23 AM

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Domingo, Abril 23, 2006

revelações pré-copa do mundo

sempre que leio o nome da seleção de Sérvia e Montenegro, só me vem à cabeça aqueles adesivos de carros com nomes de pessoas que se amam, tipo "Séforah e Gleydson". E o carro que imagino quase sempre é um Chevette.

Gabs
1:38 PM

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olhos de fora

"Another country that has espoused a creed of "whitening" and prides itself on having a "cafe-con leche" admixture is Brazil. Gilberto Freyre, staunch defender of Brazilian racial equality states, "The Brazilians ethnic democracy, has the almost perfect equality of opportunity for all men regardless of color" (Freyre,1945:7) He goes on to describe the results of the "whitening" process: "Negroes are now rapidly disappearing in Brazil, merging into the white stock; in some areas the tendency seems to be towards the stabilization of mixed-bloods in a new ethnic type similar to the Polynesian" (Freyre, 1945:119) Though he paints a portrait of a racially equitable Brazil, he does acknowledge social stratification. "There has been and still is, social distance between different groups of the population. But social distance is -more truly today than in the colonial age or during the Empire (when slavery was central to the social structure) - the result of class consciousness rather than of race and color prejudice. As the Brazilian attitude is one of tolerance toward people who have African blood, but who can pass for white, nothing is more expressive than the popular saying 'anyone who escapes being an evident Negro is white' "(Freyre, 119)"


De um link que gostaria de ter passado há tempos: Color, Caste and Class in the Americas. Uma interessante visão do racismo no Brasil e no Caribe, escrito pela antropóloga norte-americana Denise Oliver-Velez.

Outro, do Afro-Netizen, blogueiro que já morou uns meses em Salvador:
"When I asked a friend there if there had ever been a Black governor of Bahia, he said no. However, when I looked at the portraits of a great many of them, I, 99% of Black Americans and most non-Black Americans would classify many of them as Black. Additionally, along with their color-based racial classification system, Brazilians have an expression, "o dinheiro embranquece", or "money whitens", adding a class dimension to their assignment of "race" as well."

Nada de muito revelador, mas de suma importância quando percebido como um olhar externo. De dentro, às vezes, a gente se cega.

* * *

gente de bem

Tenho verdadeira ojeriza ao termo "cidadão-de-bem" e isso não é novidade aos leitores do blog. Quase sempre o emprego é na tentativa de se demonstrar de um certo ar de superioridade que coloque o dito cidadão como mais merecedor de direitos que outros, os não-cidadãos-de-bem. No entanto, o que separa um cidadão-de-bem de um não-cidadão-de-bem não é caráter, ética, o bom cumprimento de seus deveres civis ou coisa do tipo. É, como tudo no Brasil, o dinheiro.

Assistindo a TV Assembléia, vejo a deputada Tânia Gurgel (PSDB) relatar um caso ocorrido no dia 19 de Abril: seu motorista sofrera um seqüestro-relâmpago nas proximidades da Assembléia, ficando desaparecidos, ele e o carro, das 18h30 até quase 23h.
Ela inicia um discurso inflamado, reclamando da insegurança (que ela deve ter esquecido ser responsabilidade do Governo estadual, de seu partido) e falando que os bandidos não têm respeito. Após um discurso onde o maior tom foi aquele antigo da "violência-agora-chegou-até-nós", agradeceu às pessoas que a ajudaram nesta situação, enumerando uma lista de figurões da PM e da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Gente que cuidou do caso pessoalmente e não é geralmente acessível à população em geral.

Agradecer aos "pistolões" e, indiretamente, assumir ter usado de "amizades" pra favorecer o atendimento de seu problema é algo tão comum pra quem usa destes artifícios que nem o fato de saber que a fala é televisionada serviu para desencorajar o discurso.

* * *

Logo depois, o deputado Delegado Cavalcante (PSDB) pede a palavra e comenta o caso, solidarizando-se com a colega: "Hoje a situação está ruim até para a gente de bem. Imagine para as pessoas humildes."
Que a gente já sabe que quem está no poder tem esta visão segregacionista e dicotômica das classes sociais, tudo bem. O que desgosta é ouvir algo do tipo da boca de alguém que já foi delegado titular da Delegacia de Roubos e Furtos e que, teoricamente, deveria sentir-se como servidor da população e não servidor de poucos cidadãos endinheirados.

Lembrei de um caso que me foi contado há alguns dias. Uma conhecida sofreu um seqüestro-relâmpago próximo à porta de uma boate. Seus amigos viram o acontecido e correram pra delegacia de plantão mais próxima para relatar o presenciado e pedir ajuda. Um dos policiais de plantão se vira para eles, bem-arrumados, e pergunta: "Mas ela é filha de quem mesmo? É de alguém importante?".
Era a condição necessária para saber se deveriam ou não sair, naquela hora, pela noite procurando.

Gabs
12:59 PM

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Quinta-feira, Abril 20, 2006

leviandade

Na última Veja, Diogo Mainardi atacou diversos jornalistas brasileiros, acusando-os de frouxidão ética e de ter estreitas ligações com o governo. Dos citados no artigo do polemista, Luís Costa Pinto e Franklin Martins enviaram réplica à Veja com cópia para o Portal Comunique-se. O segundo lançou um desafio a Mainardi: ou o colunista prova o que disse e ele, Martins, larga o jornalismo político ou Diogo assume ter sido leviano e abandona a caneta.

* * *

Lendo os comentários, é desabonador perceber o séquito que apóia o "colunista" da Veja. Mas faz sentido. Se até Olavo de Carvalho tem platéia...

Gabs
10:04 AM

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Terça-feira, Abril 18, 2006

¬¬

Só porque todo mundo cola, mas eu nunca tinha colado um trecho de conversa de msn no blog.


[11:38] d: Aliás, bolei meu mais novo trocadilho genial.
[11:38] Gabs: diga
[11:39] d: A menininha, lá pros seus quatro anos, vai pra fazenda da vó, dona Canô.
[11:39] Gabs: hum
[11:39] Gabs: e o trocadilho?
[11:39] d: Calma, porra.
[11:39] d: Mas então.
[11:40] d: Aí a menininha vê uma vaquinha.
[11:40] d: Mas a menininha tem medo de vaquinhas.
[11:40] Gabs: rapaz
[11:40] d: O que a menininha diz?
[11:40] Gabs: é a primeira vez q vejo trocadilho com novelinha antes
[11:40] d: hahahahahaha
[11:40] Gabs: trocadilho geralmente é auto-explicativo
[11:41] d: Esse é um trocadilho-charada.
[11:41] Gabs: grande pedro.
[11:41] Gabs: inovando na literatura
[11:41] Gabs: explorando novas formas de comunicação
[11:41] Gabs: comunicação escrita, diga-se
[11:41] d: Atenha-se à resposta, caralho.
[11:41] Gabs: "vó canô, a vaquinha"
[11:41] d: Hein?
[11:41] d: hahahahahahaha
[11:41] Gabs: hahahahahah
[11:41] Gabs: "afastem-se vacas!"
[11:42] Gabs: (esta frase é do Gabo)
[11:42] d: hahahahahahahaha
[11:42] d: Não, pô.
[11:42] d: Ela diz "shy mooooon, shy mooooon".
[11:42] d: :D
[11:43] d: Sensacional!
[11:43] d: Aê!
[11:43] Gabs: cara
[11:43] Gabs: como é que eu boto um emoticon de desprezo neste webmessenger?
[11:43] Gabs: é a questão que me aflige neste momento.
[11:43] d: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
[11:44] d: Aê!
[11:44] d: ¬¬
[11:45] Gabs: preciso salvar este log

Gabs
2:27 PM

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Sábado, Abril 15, 2006

Tem umas horas que chove tanto que parece São Pedro caçoando do meu estado de espírito.

Gabs
5:37 PM

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Segunda-feira, Abril 10, 2006

Os leva, Brasil

Maurício Kubrusly conhece o Brasil. Com um quadro no Fantástico, o "Me Leva, Brasil", que virou livro, viajou por todo o território, fazendo matérias nos estados e apresentando nosso país a quem, segundo ele em determinado momento da sua entrevista à edição de março da Revista UM, não tem idéia de como é nossa terra depois dos limites da Oscar Freire.

Daniela Salú e Marley Trifilio são repórteres da UM. Não posso falar de seus conhecimentos sobre o Brasil, já que nunca fomos apresentados. O que sei deles diz respeito ao ofício jornalístico, a uma entrevista feita pelos mesmos que pude ler recentemente. Paulo Cabral e José Norberto Flesch são, respectivamente, o diretor de redação e o editor da mesma revista, que também não conheço, mas devem ser pessoas gabaritadas para estar aonde estão.

Quando se entrevista alguém, os grifos do entrevistado, os apostos, são colocados entre vírgulas. Não cursei jornalismo, mas sei desta norminha por empirismo. Quando se coloca uma palavra entre parênteses, não se trata de uma palavra dita pelo entrevistado e sim de algo subentendido pelo editor ou pelo jornalista encarregado de dar mais clareza a determinada parte da entrevista. Os parênteses são inserções do receptor na conversa alheia.

Para dar mais nitidez ao que estou dizendo, o texto usado como exemplo "Ele, o presidente, sabia de tudo" é diferente de "Ele (o presidente) sabia de tudo". No segundo, o editor inclui a palavra que faltava na fala do entrevistado para dar clareza à frase sem aposto "Ele sabia de tudo".

Pois bem,

Feito o preâmbulo que irá se provar absolutamente necessário, a revista UM realizou na edição de março uma entrevista com Maurício Kubrusly. Como era de se esperar, a entrevista aborda as viagens de Kubrusly pelo Brasil desconhecido. Ao perguntar-lhe se ele ficava chocado ao ver as desigualdades sociais em suas viagens pelo Brasil, o entrevistado responde: "Fico, claro que fico. (...) Talvez o que mais me surpreenda não seja a pobreza, porque depois de viajar um pouco você sabe que é isso que você encontra, mas como eles (os nordestinos) driblam isso. Como eles são alegres, como são felizes, como eles tocam a vida".

Quando é que o termo "os nordestinos" passou a ser sinônimo de "os pobres", é que eu não sei. Se os parênteses denunciam que o entrevistado não disse isso, e se pobreza tem em todo canto e não é exclusividade do Nordeste, a inserção só confirma a tese de Kubrusly: o brasileiro precisa conhecer além da Oscar Freire. Os quatro jornalistas citados antes deveriam comprar os primeiros pacotes.

Gabs
5:45 PM

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Quinta-feira, Abril 06, 2006

repercussão

Hoje, no jornal O Estado, coluna do Macário Batista.




Também acho é pouco.

* * *

O relato também foi publicado no site do jornalista Antônio Viana.

Gabs
10:10 AM

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Terça-feira, Abril 04, 2006

big brother assembléia

Ajeita a maquiagem, faz cara de bom moço e olha pras câmeras. As madrugadas do "Fala que eu te Escuto" ficaram no passado desde que descobri a TV Assembléia. Ótimo de se assistir naquele estágio em que o sono vem chegando, os olhos apertando e coisa e tal. De madrugada, passa a reprise da assembléia do dia. Marcos Cals preside com um cinismo impressionante, ora cortando a palavra dos deputados de outros partidos, dando sorrisos cínicos quando os seus correligionários atacam um orador de outro partido e querendo ver o circo todo pegar fogo. Se fosse Big Brother, ele seria quase um Pedro Bial.

Nos intervalos, entra um vídeo com um pronunciamento do presidente da assembléia. Rosto tranqüilo, limpo, de orador nato falando a seu público, eleitores em potencial, sobre as vantagens do novo canal que servirá para acompanhar as votações e ver o trabalho dos homens eleitos pelo povo. Acaba o vídeo e voltamos ao embate das idéias. O orador tranqüilo de segundos atrás vira o presidente com um sorriso irônico e respostas rudes aos adversários. Bom fazer uma pipoquinha.

* * *

O secretário da sessão, o deputado Gony Arruda, tentava ler as pautas que seriam votadas no dia. Não sei se as letras estavam pequenas ou se o problema era outro. O fato é que as sessões devem atrasar horrores no que depender da leitura.

* * *

mst versus tfp

A deputada Iris Tavares, do PT, apresenta projeto pedindo sessão especial em ocasião dos 10 anos da chacina dos trabalhadores rurais em Eldorado dos Carajás. Coloca o projeto em votação e, na mesma hora, Fernando Hugo, do PSDB, pede a palavra e diz que quer se abster de votar tal emenda. Segundo ele, não cabe "homenagem aos selvagens do MST que invadem, pilham e destroem fazendas" e, olhando para Chico Lopes, do PC do B, histórico defensor da reforma agrária e dos movimentos de luta por terra, afirma que o mesmo "não gostaria de ter uma fazenda sua invadida por esta corja, por exemplo". O deputado do PC do B pede a palavra e lembra que o projeto era a respeito da lembrança de uma chacina que ocorreu e que neste caso havia uma estranha inversão de papéis, já que "num fato onde uns matam outros barbaramente, quem receberia o nome de selvagem não deveria ser quem morreu". Achei o máximo. Não importa se eram sem-terra ou invasores com objetivo simples de pilhagem e saque, a defesa da ação dos assassinos e da justiça na base da bala por parte de um legislador - e, ainda por cima, médico - é algo, no mínimo, incômodo.

* * *

o filho do chefe

Noutro momento, o deputado Nelson Martins, do PT, pede a palavra para comentar sobre processo do Banco do Brasil contra a empresa Chegue&Pague que tem entre seus sócios Léo Alcântara, deputado federal pelo PSDB e filho do Governador do Estado. A empresa acusada chegou a reconhecer dívida de mais de 7 milhões de reais com a instituição financeira e uma auditoria independente da Trevisan constatou desvio de R$ 2,8 milhões na empresa, encarregada de receber e repassar pagamento de contas de água, luz e telefone. Na mesma hora, o presidente da câmara passa a alertar Nelson Martins sobre o tempo que estava acabando e o deputado Adahil Barreto, do PSDB, passa a fazer críticas ao fato de Nelson Martins estar divulgando o fato que envolve o filho do governador, atrapalhando a apresentação dos fatos e sem que em nenhum momento seja advertido pelo presidente da sessão, que sorri a cada comentário irônico do deputado correligionário. A tentativa de minimizar a denúncia do crime do colega é perceptível. O comportamento dos políticos em seu habitat, longe dos palanques e fotos de campanha, também.

Só faltava mesmo um telefone pra ligar e eliminar um por semana pra que tudo ficasse mais interessante.

Gabs
11:53 AM

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Sábado, Abril 01, 2006

sabadinho

Um bom programa pra um começo de tarde de sábado é ficar buscando algumas palavras-chave no YouTube. Você pode achar coisas fascinantes como um trecho de vídeo com Nina Simone cantando e tocando "I Put a Spell on You" ao piano em 1968, em interpretação de arrepiar os pelos da nuca, ou um vídeo com Keb Mo e Corey Harris tocando um clássico de Robert Johnson, "Sweet Home Chicago", em dois violões, ou ainda John Lee Hooker incendiando um salão com "I'm Leaving", em 1964. Blues bem dançante, por sinal, ótimo exemplar do estilo do velhinho que gostava de misturar as raízes com um certo andamento boogie.

Continuando a busca na seara da boa música, esbarrei ainda com um clipe onde o velhinho John Lee Hooker toca em dueto com Santana e com uma deliciosa animação de massinha com a música "My Babe Just Cares for Me", de Nina Simone, feita por um certo Aardman Studios. Coisas bacanas e ótimas pra passar o tempo.

cerejinha do bolo

Pra finalizar, um outro vídeo maravilhoso que descobri. Se você já ouviu a expressão "usar a voz como instrumento", ela deve se referir a algo parecido com o que Ella Fitzgerald faz neste programa de TV no Canada. Maravilhoso!

Gabs
3:09 PM

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