gabriel ramalho
designer, músico, 25 anos.

ouve blues, hard rock, jazz, instrumental, experimental, mpb, música regional.
curte cinema, fotografia, artes plásticas e design.

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Sexta-feira, Setembro 29, 2006

Manifesto

Nestes últimos dias, Carta Capital declarou em editorial sua preferência política, Noblat abriu seu voto em Cristovam Buarque, Guilherme Fiuza continua exercendo seu trabalho de derrubar Lula e a Veja, para mostrar que, contrariando suposições, o mundo não gira o tempo todo, continua se autodeclarando imparcial, embora sem tanta gente hoje que acredite ou dê ouvidos ao dizer.

Nestes últimos dias, PSDB e PFL buscam levar seu candidato ao segundo turno ou até mesmo, em reuniões secretas com juízes do TSE, tentam achar uma forma de derrubar o presidente mesmo que reeleito. Em discursos inflamados, o candidato tucano afirma que não é possível Lula não saber do que faziam seus assessores e clama por respostas em relação ao Mensalão e outros problemas éticos que para grande parte da mídia foram criação de agora.

Não busco posar de imparcial, até porque qualquer visitante pode perceber claramente minhas inclinações políticas. Mas não me entendam mal: eu não nego a existência do Mensalão, dos Sanguessugas e me desapontei, sim, com algumas pessoas que tive como referencial ético no passado. Genoíno, Guimarães, José Aírton, Dirceu, para ficar em quatro apenas. A sujeira do lado de lá não significa que podemos ser sujos do lado de cá. Uma coisa não justifica a outra, apesar de a grande mídia fazer chafurdo em cima, ignorando anos e anos de corrupção e atividades não-esclarecidas do lado dos tucanos, e trazendo escândalos petistas como se fossem a pólvora descoberta.

Qualquer interiorano saberia dizer de qual lado sempre se desrespeitou mais a lei na política em anos e anos de poderio tucano no Nordeste e os muitos votos em Lula na região hoje, atribuídos errôneamente e preconceituosamente a um "menor esclarecimento" do povo, se devem mais ao contrário, numa região onde até recentemente reinava o poderio dos coronéis e oligarcas peessedebistas e pefelistas, que compravam ou forçavam o voto na cara lisa, se vê agora um movimento de liberdade política. De pobres que, contrariando os patrões, votam de acordo com suas vontades próprias. E não há autoritarismo maior que criticar o processo democrático como se nós, brancos e classe-médias, soubéssemos o que é melhor pro povo "que não sabe votar".

Sobre assessores e desconhecimento de ações dos mesmos, Alckmin pode criticar Lula o quanto quiser, tomando o devido cuidado de não morder a própria língua.

Alckmin também revelou não saber de nada das ações de seu assessor Roger Ferreira quando do Escândalo da Nossa Caixa, o mensalão paulista. Não se soube de punição no caso, algo a se esperar em um governo estadual acostumado a sufocar CPIs (foram 69!). No escândalo dos vestidos, a quantia inicial de 400 vestidos, diminuída para apenas 49, surtiu o mesmo efeito de dispersar na mídia a fumaça do que seria um presente milionário e indevido. Mídia esta que tem entre seus representantes o site "Primeira Leitura" (beneficiado pelo mensalão paulista) e a Veja (costumeira doadora de campanha para candidatos tucanos). Mas, como disse antes, o erro dos outros não justifica o erro petista.

O que se pede, no mínimo, em um Estado Democrático e de imprensa responsável, é uma cobertura idônea e apuração justa dos fatos dos dois lados. Até mesmo a polêmica sobre o investimento da Telemar em empresa de filho de Lula envolve em fumaça a polêmica da venda da estatal a preço de banana e a aquisição de boa parte de seu capital acionário pelo irmão de Tasso Jereissati, presidente do PSDB. Vem posar de santo agora? Quem não lembra de Tasso como "coronel" no interior do Ceará e só o vê agora cobrando a apuração no escândalo do dossiê, que o compre.

Francamente...

* * *

carta aberta a Guilherme Fiuza

"
De: Gabriel Ramalho
Para: fiuza@nominimo.ibest.com.br
Cc: editor@nominimo.ibest.com.br
Data: 28/09/2006 18:15
Assunto: Alckmin em dia de Lula

Guilherme Fiuza, escrevo este e-mail em crítica à nota "Alckmin em dia de Lula" de seu Blog Política & Cia.

Sou nordestino e, graças a meus pais, tive condições de viver em situação melhor que grande parte de meus conterrâneos. Estudei a vida inteira em boa escola particular, fiz boa faculdade, morei em bairro nobre, tive acesso a benesses diversas, bons livros e nunca passei pelo infortúnio de ver os meus passarem necessidade. Hoje orgulho-me da minha educação, do acesso que tive à cultura, orgulho-me de colegas que cresceram em mesma situação que eu e que hoje estão bem-empregados Brasil afora ou que estudaram em concorridíssimos cursos universitários no Sul-Maravilha do Henfil, demonstrando que geografia não tem qualquer relação com intelecto, conhecimento, cultura ou vocação empreendedora.

Como alguém que teve condições de conhecer outros estados brasileiros, sei na pele qual o maior problema de integração nacional. Este, como o preconceito racial que se traveste de social, cria pré-julgamentos a partir do momento em que o sotaque é identificado, que a cor tostada de Sol ou os traços físicos são reconhecidos e adiciona à figura do interlocutor um repertório de "qualidades", de imediato: "nordestino é burro, preguiçoso, cachaceiro, inculto"; "nordestino só consegue qualificação pra ser porteiro ou garçom" e coisas do tipo que já tive o desprazer de ouvir ou ler.

Considero a proliferação deste tipo de pensamento um atraso social e considero desserviço a repetição de argumentos que validem estes preconceitos na grande mídia. A frase " talvez pelo efeito do mesmo sol nordestino, Geraldo começa também a agredir o português", de seu post me pareceu de extremo mau-gosto e, certamente, etnofóbica. Preconceito geográfico é um problema ainda não percebido em larga escala no Brasil, apesar de praticado diariamente, seja na imprensa, seja na publicidade (enumero de cabeça uma pá de comerciais em que o porteiro, faxineiro ou garçom tem que ter sotaque nordestino pra ser compreendido como verdadeiro).

Não espero que você enxergue a malícia subentendida em seu post, nem espero um pedido de desculpas ao povo nordestino. Ao preconceituoso, preconceito é sempre coisa dos outros. Talvez aos teus olhos, meu comentário seja mais reflexo de um complexo meu do que da percepção de um pré-julgamento teu. A mim não interessa, sinceramente. A mim basta saber que estas letras chegarão até você e receberão um mínimo de atenção. Se irão forçar uma reflexão, não o sei.

Sabendo da responsabilidade dos jornalistas, da influência de seus pensamentos junto a sociedade e dos cuidados que têm que ter com o que escrevem, me despeço desejando melhor sorte com as palavras.

Boa noite.

Gabriel Ramalho
"

Gabs
6:09 PM

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Terça-feira, Setembro 26, 2006

pequenas maravilhas do Youtube

Anos atrás, Danny Gatton foi considerado o "melhor guitarrista desconhecido de blues". Não é pouca coisa.

Nunca chegou a conhecer o estrelato enquanto vivo. Em outubro de 1994, na garagem de sua casa, findou sua vida com um tiro. Ficaria então esquecido por alguns anos até que fossem redescobertos registros em vídeo de suas performances. Foi o que bastava para dar início a um culto que devolvia na Internet o status de gênio da guitarra ao ilustre desconhecido.

Um dos registros, o show em Austin City Limits, está disponível no Youtube. Meia-hora de blues da primeira qualidade. Como é de se esperar, demora um bocadinho pra carregar. Aí cê faz assim: clica no play, logo depois no Pause e deixa carregar assim uns 70% do video. Aí depois pode apertar o play de novo. Não esqueça a pipoca. E o babador.

Gabs
9:39 PM

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revelando-se a intenção

A Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) resolveu fazer pesquisa inédita e reveladora. Em seu site, disponibilizou os resultados sobre intenção de votos de jornalistas e editores de veículos de comunicação brasileiros. As informações tornam-se relevantes se analisamos estes jornalistas como forças motrizes destes veículos e formadores (e difusores/mantenedores) de suas ideologias.

Os dados pinçados permitem que tenhamos uma visão do que pensam as pessoas por trás da imprensa e nos ajuda a entender uma idéia jogada por Flávio Aguiar em artigo na Agência Carta Maior, a respeito de um suposto conluio dos veículos em torno do desejo de levar ao segundo turno as eleições.

Considerando pelos resultados da pesquisa da Aberje que Alckmin ganha de Lula entre os jornalistas e também tem menor rejeição, torna-se compreensível que a mídia lhe seja tão favorável. Afinal, são estes jornalistas as pessoas que opinam, escolhem pautas, editam e repercutem matérias nos meios de comunicação.

Um trecho que achei particularmente interessante foi: "Perguntou-se aos jornalistas qual órgão de imprensa estaria sendo mais imparcial com relação às eleições de 2006. Grande parte respondeu 'nenhum'". Quando a pergunta é sobre tendenciosismo dos veículos, Jornal Nacional aparece em primeiro, seguido de perto pela Veja.

O mais interessante é que não são pessoas comuns a opinar e sim aquelas que fazem a roda da mídia funcionar.

A "Pesquisa sobre as Expectativas dos Jornalistas dos Veículos de Comunicação do Brasil para as Eleições 2006" pode ser encontrada aqui, em versão Flash.

Gabs
6:46 PM

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Domingo, Setembro 24, 2006

Paragrafia

Lá no excelente TodoProsa, Sérgio Rodrigues, constantemente, lista seus "começos inesquecíveis" na literatura [link direto]. A postagem da vez foi o parágrafo inicial de A Metamorfose de Kafka, em tradução de Brenno Silveira.

Como esta é uma obra com inúmeras versões traduzidas em todos os países lusófonos, e tendo sido a obra do tcheco (originalmente escrita em alemão) desvirtuada após décadas de traduções feitas a partir de versões traduzidas de outras línguas (a primeira tradução feita a partir do original em alemão só data de 1996 e foi a realizada por Modesto Carone), é natural que as construções das frases, o peso da narrativa e estes entrelaces sejam absolutamente diferentes de uma edição para outra, ora tirando suspense, ora prejudicando momentos de clímax, ora adaptando o texto para torná-lo, de certa forma, mais acessível e com signos mais visíveis. A própria idéia de que o inseto seria uma barata, por exemplo, é invenção de um tradutor na década de 50. E, até hoje, há quem teime.

Da versão apontada por Sérgio Rodrigues, não me agradou uma frase: "numa espécie monstruosa de inseto". Pode até ser o esforço de retirar a impressão corrente de que a espécie já seria definida. Mas em minha opinião, não tem a mesma surpresa da frase inicial da versão que eu tenho (por onde andará?): "Certa manhã, ao acordar após sonhos agitados, Gregor Samsa viu-se na sua cama metamorfoseado num monstruoso inseto." Versão e início bem semelhantes aos de Carone.

* *
Aproveitando o embalo, resolvi, eu também, elencar alguns começos inesquecíveis para mim na literatura (o primeiro, Lolita, foi chupado do TodoProsa, pois não tenho o livro a mão). Escolho estes três para somar ao de Kafka:

"Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.

Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita."

Wladimir Nabokov - Lolita (Companhia das Letras, 1994, tradução de Jorio Dauster)

"O homem que acabou de entrar na loja para alugar uma cassete vídeo tem no seu bilhete de identidade um nome nada comum, de um sabor clássico que o tempo veio a tornar rançoso, nada menos que Tertuliano Máximo Afonso. Ao Máximo e ao Afonso, de aplicação mais corrente, ainda consegue admití-los, dependendo, porém, da disposição de espírito em que se encontre, mas o Tertuliano pesa-lhe como uma lousa desde o primeiro dia em que percebeu que o malfadado nome dava para ser pronunciado com uma ironia que podia ser ofensiva."
José Saramago - O homem duplicado (Companhia das Letras, 2002)

"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo."
Gabriel García Márquez - Cem anos de solidão (Editora Record, 2001, tradução de Eliane Zagury)


* * *

E, você, querido leitor visitante, qual seu começo literário inesquecível? Compartilhe nos comentários.

Gabs
1:32 PM

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Sexta-feira, Setembro 22, 2006

diálogo messiênico com Corto Maltese

(e, sim, eu escrevo sem usar maiúsculas no msn)

[14:19] Gabs -: sim, e o dossiê?
[14:19] p: hehehe
[14:19] p: Sim, então.
[14:19] p: Uma coisa me chamou a atenção,
[14:20] p: Na verdade, duas.
[14:20] p: É que conseguiram desviar a atenção pro cerne da coisa: qual é, afinal de contas, o conteúdo do dossiê?
[14:21] Gabs -: exato
[14:21] Gabs -: tô falando o mesmo faz dias por aqui
[14:21] p: E outra: eu tenho certeza de que vão chegar no Quércia.
[14:21] Gabs -: rapaz, por que esta certeza?
[14:21] p: Digo agora.
[14:21] Gabs -: diga
[14:21] p: Não sei se cê lembra, mas ele quase comprou a Istoé no comecinho dos 90.
[14:21] Gabs -: hum
[14:22] p: E ele é assim do Alzugaray, chefão da Editora Três.
[14:22] p: E digo mais:
[14:22] p: Um canal aqui exibe o horário político de São Paulo.
[14:23] p: A revista nem tinha saído e a propaganda de Quércia já exibia o conteúdo da matéria.
[14:23] p: Ora, quem poderia ter acesso privilegiado ao conteúdo da revista?
[14:24] Gabs -: hum, tô acompanhando
[14:24] p: O mesmo Quércia que, ainda governador, injetava quantias substanciais na revista por meio de propaganda.
[14:24] p: E que quase a arrematou.
[14:25] p: Veja que nem Mercadante nem ninguém do PT fez uso da revista.
[14:25] p: E eu tenho certeza absoluta de que foi um arranjo entre as cordenações do PT e do PMDB.
[14:25] p: Mas sem o conhecimento do PT.
[14:26] Gabs -: não vi as imagens do horário político, mas é certo que boa parte das imagens e fotos circulam na internet desde começo de setembro. o dossiê, por si, é uma compilação disso. não sei se as fotos de tal matéria são do proprio dossiê ou foram achadas por aí
[14:27] p: Pois é, mas isso é muito raso. Só fazem mostrar uma ou duas fotos de Serra entregando ambulância.
[14:28] Gabs -: exato.
[14:28] Gabs -: circula um video também, não sei se cê viu
[14:28] Gabs -: serra com o lino rossi
[14:28] p: Um grupelho de petistas contatou ou foi contatado por Quércia pra tratar desse dossiê. Um arranjo das oposições. Nada mais normal.
[14:28] p: Não, não vi.
[14:28] p: Tem aí?
[14:28] Gabs -: tem no youtube
[14:29] Gabs -: mas cê acha o link direto no blog duma amiga minha gaúcha
[14:29] p: Brisa?
[14:29] Gabs -: http://brisa-do-sul.blogspot.com
[14:29] Gabs -: isso
[14:29] Gabs -: ela mesma
[14:30] Gabs -: ela postou o video recentemente
[14:30] Gabs -: é uma cerimonia de entrega de ambulancias
[14:30] p: Hm.
[14:31] Gabs -: e, ao final, um dos sanguessugas passa bom tempo falando sobre a ação do ministerio da saude, adquirindo varias ambulancias e coisas do tipo
[14:31] p: É, mas também tem uma coisa.
[14:31] Gabs -: hum
[14:32] p: Não é porque eles superfaturavam as ambulâncias que TODAS as vendas tinham que ser feitas assim, concorda?
[14:32] Gabs -: sim, sim, certamente
[14:32] Gabs -: não discordo de forma alguma
[14:32] Gabs -: mantenho minha sensatez ainda
[14:32] p: hehehe
[14:32] Gabs -: por isso que seria interessante ver o conteudo do dossiê
[14:32] p: Exato.
[14:32] Gabs -: apesar de que o proprio vedoin afirmou que lucraram muito mais na era fhc
[14:32] p: E disso ninguém fala.
[14:33] p: É.
[14:33] p: Mas bem, o que importa é que eu tenho um iPod nano e você não.
[14:34] Gabs -: hahahaha
[14:34] p: heheheehe
[14:40] Gabs -: acho que vou salvar este log, editar e postar depois no blog
[14:40] Gabs -: cê autoriza?
[14:41] p: hehe
[14:41] p: Tranqüilo.

UPDATE: Link no Observatório da Imprensa, enviado por Brisa.

Gabs
6:37 PM

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Quarta-feira, Setembro 20, 2006

Cicarelli
Não podia ficar de fora do evento mais comentado na web nos últimos dias. Não, não falo do dossiê. Falo da outra polêmica, a da praia espanhola.
Bem, enfim achei um texto que condensa bem a minha opinião sobre o tema. Tutty Vasquez foi no ponto.

Gabs
9:51 PM

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Terça-feira, Setembro 19, 2006

vedoinianas
Brisa está postando ótimos textos sobre a polêmica do Dossiê.
Valem a lida.

Abaixo, pinçado do blog Ponte Aérea SP, do excelente jornalista (e conterrâneo) Xico Sá:

"Dossiês inflacionados

Essa história de câmbio negro de dossiês poderia muito bem ser evitada no Brasil. Tão simples. Bastava que as CPIs investigassem, indiscriminadamente, políticos de todos os partidos; bastava que a imprensa noticiasse, sem olhar a quem, notícias boas ou más sobre todos os candidatos. Aí como isso não acontece, caso aqui de São Paulo, fica esse mercado tão inflacionado, ao ponto de alguém negociar, qual diamante, um dossiê cuja maior parte das denúncias a gente pode encontrar facilmente numa busca do google. Ô gente, vamos baratear esses pacotes de notícias velhas!

Só uma olhadinha não dói

Na boa, prisão eterna, cadeira elétrica, morte já para os camelôs de dossiês, como prega nem tão inconscientemente assim a mídia paulistana, mas vamos ver, só um pouquinho, deixa, vai!, uma olhadinha de nada, não dói, o conteúdo dos tais documentos contra os inimputáveis tucanos dessa terra!"


Pois é. Fala-se mais da venda do tal dossiê do que sobre o conteúdo do mesmo. Se fosse acusando algum petista, alguém tem dúvida de que a história seria diferente?

Gabs
8:08 PM

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Serra
E um "novo" dossiê, segundo a Globo e o resto da grande mídia nacional, tentaria (atentem para a ressalva utilizada quando se trata de político tucano) associar José Serra a mensaleiros. Já viram que absurdo? De onde se tiraria um disparate destes?


Pedro Henry, Lino Rossi, Serra e Ricarte de Freitas ao microfone. Dos quatro, três constam na lista de Darci Vedoin.



Serra assiste discurso de Lino Rossi



Obrigado, José Serra!


Comentários abertos.

Gabs
7:18 AM

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Segunda-feira, Setembro 18, 2006

chapa quente

As eleições pro Senado estão pegando fogo no Ceará. O novo combustível é este vídeo que está circulando na Internet.
Tirando o final extremamente bairrista e com leve tom preconceituoso, é interessante ver em situação de sinuca o candidato que, em todos os programas, apregoa a figura de ativo combatente da corrupção.



Moroni gosta de citar sua experiência como relator de CPIs, mas quantas pessoas já foram presas em CPIs lideradas por ele? Ainda sobre o passado do pefelista, existe algo que explique o posicionamento do Moroni quando da época daquela polêmica do Hildebrando Pascoal, quando outra vez imperou corporativismo político? Existe algo que explique tanta gente querendo votar nele acreditando em promessas que não podem ser cumpridas por quem exerce cadeira de Senador? Existe algo que sustente a cara lisa do político mesmo com o nome envolvido em questões como esta?

Gabs
6:52 PM

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Domingo, Setembro 17, 2006

basquete feminino

Sempre que assisto jogo narrado pelo Galvâo Bueno, me vêm uma só impressão à cabeça: "este cara não tá vendo o mesmo jogo que eu, não pode".

Gabs
2:51 PM

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onzes de setembro

Um pouco de atraso talvez deixe a impressão de que deixei passar batida a data. Acontece que a semana não deixou muito tempo livre para me dedicar um pouco que seja a este espaço. Fico aqui, com quase uma semana de atraso, deixando o que queria ter escrito no dia e que, mesmo passado este tempo, não se torna menos relevante ou mais distante no tempo.

* 2001 *

Há cinco anos, muita gente acompanhou pela TV a queda de um ícone da economia americana, o maior prédio do mundo em pleno coração da cidade mais importante. Sim, foi covarde; sim, morreu muita gente inocente; sim, foi injustificável apesar de para muita gente compreensível. A cobertura midiática em tempo real potencializou o atentado, maximizou a destruição, sensibilizou meio-mundo.

Mas, para mim, naquele dia - sendo que no dia ainda não sabia -, o maior atentado terrorista foi cometido pela própria TV ao exibir mundialmente, enquanto ainda se buscava o culpado do atentado, imagens DE ARQUIVO de árabes comemorando nas ruas. O motivo das comemorações não sei, mas para todo o mundo ocidental, se elegiam os culpados e se condenava o Oriente Médio por antecipação.

* * *

* 2006 *
Anos depois, com a lição não aprendida, Israel ataca o Líbano com apoio político dos Estados Unidos e Inglaterra, após conflito iniciado com o seqüestro de dois soldados. A mídia cobre imensamente a peleja e mostra-se particularmente favorável ao direito de retaliação do Estado Democrático de Israel, elogiando a precisão "cirúrgica" do quarto maior exército do mundo em busca do inimigo invisível Hezbollah no Líbano e ignorando as baixas civis quando estas não acontecem do lado israelense.

Desconta-se o fato de que parte da população israelense não apóia as ações daqueles que agem em seu nome na esfera das relações externas. Desconte-se ainda que a mídia esforce-se em defender a ação do Estado e, ao mesmo tempo, em associar o Hezbollah ao Líbano, como se ambos fossem necessariamente a mesma coisa. Apesar do cessar-fogo, ainda há pólvora na região o suficiente. E a mídia continua na sua tarefa de eleger os novos inimigos declarados da Democracia, seja o que isto significar.

* * *

* 1906 *
O dia 11 de setembro de 2006 não deixou de lembrar ao mundo os horrores dos ataques da Al Qaeda e a beligerosidade dos países árabes, 5 anos após o atentado às torres gêmeas. Acontece que, nesta mesma data, um outro fato aconteceu e, passados 100 anos do ocorrido, não se viram loas ou referências.

Foi num 11 de setembro, em 1906, que o advogado Mahatma Gandhi dava início ao movimento de resistência pacífica, reunindo milhares de pessoas para protestar contra as políticas racistas na África do Sul, sem o uso de violência. Anos depois, o indiano lutava, sem violência, pela liberdade de seu país natal do julgo britânico. Gandhi, que pregando a paz morreu baleado, legou ao mundo uma ideologia de resistência pacífica. Em tempos de reações bélicas e coberturas midiáticas desproporcionais, como os dias de hoje, não se sabe a visibilidade que tal ideologia da não-violência teria. Ser ideólogo hoje é ser, mais do que foi antes, utópico. Em tempos de antipatia ao Oriente e de manipulação da informação, não se torna impressionável o esquecimento desta data.

O princípio da não-violência pregada por Gandhi, se chamava Satyagraha. Ironicamente, frente aos últimos fatos, o termo, traduzido a partir do sânscrito, tem um significado simples de compreender e difícil de empreender: "A busca da verdade".


Gabs
2:27 PM

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Quinta-feira, Setembro 07, 2006

allen

Bananas (1971) foi o primeiro grande sucesso de Woody Allen, em uma época em que ainda engatinhava o personagem neurótico novaiorquino que, com nomes diferentes, protagonizaria suas futuras tramas manhataneanas. Um dos começos de filmes mais bacanas do cinema de comédia e uma seqüência com um quê de Monty Python que só vendo.



"Good afternoon. Wide World of Sports is in the little republic of San Marcos where we are going to bring you a live on the spot assassination. They're going to kill the president of this lovely Latin American country and replace him with a military dictatorship."

Gabs
4:10 PM

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Terça-feira, Setembro 05, 2006

rabisco
Não sei se já tinha postado antes... fiquei com preguiça de caçar nos arquivos.
Em todo caso, uma ilustraçãozinha feita tempos atrás.


Gabs
11:36 AM

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Sexta-feira, Setembro 01, 2006

Poderia ser pior

Para os que não sabem em quem votar para presidente ou governador e não conseguem esconder o desencanto com a semelhança entre os pleiteantes e a simpatia pelo voto nulo, vai um alívio: em Alagoas, dois são os candidatos favoritos ao Senado, após a declaração de inegibilidade de Ronaldo Lessa, do PDT.
São eles, Fernando Collor de Mello (PRTB) e José Thomaz Nonô (PFL).

Vai dizer, e você reclamando, hein?

Gabs
6:47 PM

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Gondim e a cultura

Do Blog Política do O POVO, hoje. Juro que não consegui me conter, tinha que copiar e colar aqui:

"Forró como política cultural

Gondim destaca a importância do forró como maior expressão cultural do Ceará no momento. Ele considera que há uma influência exagerada da globalização no estado, citando o Centro Dragão do Mar como maior distorção da cultura cearense. Gondim anunciou que nomearia Emanoel Gurgel, empresário de bandas de forró, como secretário de cultura de seu governo.

Postado por Arthur Ferraz
"


* * *

Como se o forró das bandas de Emanoel Gurgel não tivessem sofrido nenhuma "influência globalizada" ou fossem representativas do puro forró tradicional.
Meus leitores, nem tenho mais tanto medo da demagogia com a segurança. Gurgel como secretário de cultura é uma perspectiva muita mais assustadora!

Gabs
6:36 PM

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