gabriel ramalho
designer, músico, 25 anos.

ouve blues, hard rock, jazz, instrumental, experimental, mpb, música regional.
curte cinema, fotografia, artes plásticas e design.

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Segunda-feira, Outubro 23, 2006

ora, veja esta

Em vésperas de segundo turno e com a distância crescente de Lula em relação ao outro candidato, fica claro o desespero da Grande Mídia e espera-se dela a cartada derradeira que possa, ainda, reverter a seu favor o voto popular. O tiro da Veja desta semana revelou-se de festim, em matéria de capa sobre relações do filho de Lula com lobistas e buscando trazer de volta à luz a parceria Gamecorp x Telemar - onde, até agora, nem o TCU nem o Ministério Público conseguiram encontrar ilegalidade alguma - em matéria repleta de suposições e verbos no condicional. A estratégia é boa: para o leitor mediano-homer-simpson, as suposições adquirem caráter de verdade imediata; para os que acusam a revista de manipular a verdade, a mesma pode utilizar a desculpa de que os verbos todos estão no condicional e que não atesta que seja factual. Bem ao estilo da revista que, não muito tempo atrás, publicou denúncias não apuradas contra o presidente.

Para quem ainda acredita na imparcialidade do panfleto dos Civita, resta a pergunta: por que uma matéria de capa sobre suposições de ilegalidade e associação com lobistas e nem uma linha sequer sobre outro descendente ilustre de presidenciável, Sofia Alckmin, e sua ligação direta com uma das maiores sonegadoras de impostos do Brasil? Há uma blindagem especial para tucanos que permita a sua providencial retirada estratégica quando surge algo desabonador?

Papai não sabia.Altamiro Borges escreveu, em matéria para a Adital, quando da Operação Narciso, ação da PF que prendeu Eliana Tranchesi por sonegação de impostos. Sofia Alckmin era a Gerente de Novos Negócios da Daslu:

"No rastro da Operação Narciso, porém, surgiram denúncias de que esta influente funcionária já havia se reunido com o secretário da Fazenda de São Paulo, Eduardo Guardia. O governo negou e a mídia preferiu o silêncio!

Mas, convocado para depor na Assembléia Legislativa, Guardia admitiu que a filha de Alckmin estivera na sede da secretaria junto com outros chefões da Daslu em, pelo menos, duas vezes no primeiro semestre de 2005. As visitas ocorreram exatamente no período em que loja solicitou autorização da Fazenda para instalar um sistema de vendas com caixa único, algo pouco usado no país e mais vulnerável à sonegação. O secretário negou qualquer "concessão de privilégios", mas gaguejou ao explicar a visita da "ilustre" filha do governador. Uma auditoria especial do Tribunal de Contas foi solicitada para averiguar o caso.

Para Renato Simões, deputado estadual do PT, não resta dúvida sobre os vínculos do governador com a Daslu. "Os líderes da bancada do governo primeiro negaram a presença da filha do Alckmin na Fazenda. O secretário, por sua vez, confirmou a ida. Isso significa que houve uma tentativa de usar o nome da filha do governador para agilizar a tramitação do processo do caixa único".

Fonte: Agência de Notícias para a América Latina


Mais sobre a Operação Narciso e as reações dos figurões e vestais da ética quando do episódio, aqui.

Gabs
10:25 AM

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Sexta-feira, Outubro 20, 2006

"A cultura do terror/3

Pedro Algorta, advogado, mostrou-me o gordo expediente do assassinato de duas mulheres. O crime duplo tinha sido a faca, no final de 1982, num subúrbio de Montevidéu.

A acusada, Alma Di Agosto, tinha confessado. Estava presa fazia mais de um ano; e parecia condenada a apodrecer no cárcere o resto da vida.

Segundo o costume, os policiais tinham violado e torturado a mulher. Depois de um mês de contínuas surras, tinham arrancado de Alma várias confissões. As confissões não eram muito parecidas entre si, como se ela tivesse cometido o mesmo assassinato de maneiras muito diferentes. Em cada confissão havia personagens diferentes, pitorescos fantasmas sem nome ou domicílio, porque a máquina de dar choque converte qualquer um em fecundo romancista; e em todos os casos a autora demonstrava ter a agilidade de uma atleta olímpica, os músculos de uma forçuda de parque de diversões e a destreza de uma matadora profissional. Mas o que mais surpreendia era a riqueza de detalhes: em cada confissão, a acusada descrevia com precisão milimétrica roupas, gestos, cenários, situações, objetos...

Alma Di Agosto era cega.

Seus vizinhos, que a conheciam e gostavam dela, estavam convencidos de que ela era culpada:

Por quê?- perguntou o advogado.

Porque os jornais dizem.

Mas os jornais mentem - disse o advogado.

Mas o rádio também diz - explicaram os vizinhos. - E a televisão!


[ Eduardo Galeano, in Mulheres ]"

* * *

Para completar, excelente vídeo extraído do blog da Brisa.

Gabs
11:58 AM

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Quinta-feira, Outubro 19, 2006

tarde na oficina

Sêo Ageu é dono de uma mercearia numa viela no bairro do São João do Tauape. Tem por volta de cinqüenta e poucos, fala tranqüila. Não fosse a fome no meio da tarde e meu carro batido no conserto na oficina do meio do quarteirão, talvez nunca tivéssemos tido a oportunidade do "eu, Gabriel, o senhor é...?". Não parecemos freqüentar os mesmos locais. Coca-cola em latinha, biscoitos recheados e reparo no adesivo do Alckmin perdido em meio a alguns adesivos lulistas na parede de azulejos. Pergunto, curioso, e sêo Ageu me responde que o adesivo do Alckmin estava ali apenas para segurar o cartaz do Guaraná Antarctica: tinha faltado fita crepe. "Desde que me entendo como eleitor, sou petista", diz, "Por quê que vou votar em patrão se eu sou trabalhador?"

Coça a nuca, olhando para a rua. Meio de tarde e o movimento vespertino ainda espreguiça.

*

Um homem de bata azul de mecânico se aproxima para comprar algo na mercearia. Colado na frente e atrás da bata, adesivos do candidato tucano. Percebe a minha conversa com sêo Ageu e entra dizendo que "ninguém pode defender um ladrão como Lula" e emenda com "não é possível que ele não soubesse. Nunca caiu ministro como agora, o que só prova que todos roubavam. Um pai sabe dizer se um filho rouba". Tento contra-argumentar perguntando ao homem se ele sabe quem é Roger Ferreira, se ouviu falar do mensalão da Nossa Caixa, se sabe do rombo de 1,2 bilhões no governo estadual de São Paulo ou se um marido não deveria saber se a esposa ganhou 400 vestidos de presente, mas é tudo em vão. Talvez uma coca-cola em lata não agregue muita credibilidade a um interlocutor. Faz ouvido-de-mercador e continua bradando aos quatro ventos uma série de frases feitas sobre Lula e Alckmin e que o Brasil precisa de um homem como o segundo, mesmo que ele mesmo não soubesse quem era o Alckmin até alguns meses atrás. E nem faça questão de saber quem é, realmente, ainda hoje. Melhor me concentrar no canudo que encontra o fundo da lata seca.

*

Sêo Zé Doca mora perto. "Tá vendo aquele sobradinho? É meu. Aquele ponto comercial ali, onde tem a padaria, é meu. Arrendado. Só não quebrei por causa dos dois. Já tive muito dinheiro, cheguei aqui comprando uma saca de arroz fiado. Tempos depois tava comprando carrada. Na época do Sarney eu tava bem, comprava carro à vista, comprei imóvel. Aí veio o Collor, confiscou a poupança e eu quase quebro. Só não quebrei por conta destes pontos. Tá vendo? O sobradinho, a padaria...", perde o olhar na distância, acompanha o movimento da padaria, tira os óculos e limpa na blusa branca que percebo, por fim, suja e gasta. "As coisas só foram melhorar agora. Passei anos. Só cego não percebe". Suspira, se despede, se afasta e o homem de bata azul se aproxima dos dialogantes: "Tá vendo? Zé Doca nem percebe que ele ganhou dinheiro foi nos governos passados". Todos fazem uma expressão de muxoxo. Ali estava alguém que sabia distinguir perfeitamente as eras políticas brasileiras e associar o êxito comercial de Sêo Zé na década de 80 aos benefícios da era tucana.

Gabs
5:58 PM

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Quarta-feira, Outubro 18, 2006

entrefalas

Entreouvido hoje do frentista no posto de gasolina para seu supervisor, enquanto a TV exibia o horário eleitoral:
- Ué, o dossiê não era contra o Serra?

Gabs
10:01 PM

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nunca mais, disse o corvo, nunca mais*


crás, crás, crás!


[tucano, urubu e corvo é tudo ave mesmo]
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numa banca perto de você, ou não

Um mistério vem acontecendo esta semana. Várias pessoas no Ceará relataram a dificuldade de encontrar a Carta Capital nas bancas. Eu mesmo rodei cinco locais diferentes até encontrá-la a venda na livraria Laselva, no aeroporto. Na assessoria de comunicação onde trabalho, a revista que sempre chega às segundas não chegou até hoje. Cumpri um dever cívico de levar a revista lá para xerocar a reportagem de Raimundo Rodrigues Pereira. Mino Carta me perdoaria.

Por aí, pessoas já lançam suposições de que há uma mão do coronel TJ no meio ou de que houve algo misterioso com o distribuidor da revista no estado. O fato é que apenas a Laselva, entre os locais que fui na segunda, exibia a revista na prateleira (e lá, acredito, a distribuidora seja outra que aproveite a logística da própria livraria, presente em quase todos os aeroportos). Não quero dizer com certeza já que são apenas suposições nas quais sequer acredito particularmente. Mas há quem acredite em bruxas, portanto...

Vocês, amigos cearenses, conseguiram comprar a Carta Capital desta semana ou também tiveram dificuldades? E os amigos assinantes, receberam?

- - -

* no conto "O Corvo", de Edgar Allan Poe, há o diálogo de um viúvo com um corvo que estaciona no umbral de sua porta. A frase "nunca mais" é sempre repetida pela ave, em resposta a quase todas as perguntas do senhor.

Gabs
9:54 PM

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Terça-feira, Outubro 17, 2006

O Golpe Eleitoral

Para quem já leu a elucidativa reportagem da Carta Capital desta semana e se indignou com a trama toda, uma excelente novidade: o áudio da gravação da entrega do CD do Delegado Edmilson Bruno aos jornalistas vazou pra internet.

Gabs
11:07 PM

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Quinta-feira, Outubro 12, 2006

dois links

» comovente.
» revoltante.

Gabs
12:08 PM

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Utilidade Pública

Clique aqui se você sempre quis saber como salvar os vídeos que assiste no Youtube.
Depois cê me agradece.

Gabs
9:18 AM

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Quarta-feira, Outubro 11, 2006

Via TV SBS - Austrália

Gabs
12:31 AM

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Terça-feira, Outubro 03, 2006

Geografia for dummies
Pedrão tocou no assunto e resolvi trazer de volta pra cá.

Pedro Dória, em post de hoje, inicia falando do Sul e do Norte do México, o Sul e o Norte dos Estados Unidos e finaliza traçando um paralelo com o último pleito no Brasil e a cisão (perpetrada pela mídia) entre o suposto Sul esclarecido e o suposto Norte ignaro. Mais cuidadoso nas palavras e nas análises do que seus colegas, finaliza o post atribuindo a divisão a uma relação entre anseios dos rurais em contraponto aos anseios urbanos:

"A diferença entre Alckmin e Lula é maior, há que esperar o Segundo Turno para garantir que o país está rachado. Mas parece: polarizado entre quem quer Lula e quem não o quer. O que é mais nítido é a divisão regional. O norte quer Lula, o sul não o quer.

Se há uma tendência mundial, se ela se explica por uma diferença de opinião entre urbanos e rurais talvez. A pergunta está em aberto. "


A evolução da idéia é interessante não fosse a análise que cai por terra em uma segunda olhada: até no Nordeste, mais de 70% da população reside em zona urbana, boa parte nas regiões metropolitanas das capitais. A população rural e a que é atendida pelo Bolsa Família, somadas, são em número insuficiente pra que seja creditada apenas a elas a boa performance de Lula na região.

Desta vez, não mandei carta aberta. Preferi explorar o espaço dos comentários e acompanhar outras análises, dando meus pitacos. Ora, a questão estava em aberto mesmo. Quem quiser participar, vá lá.


* * *

Geografia para jornalistas
(ou algumas verdades para a Grande Mídia)


O Brasil é um país continental, sim. Isso explica em parte o desconhecimento das realidades e a difusão desta idéia de cisão que é repetida ad infinitum na mídia grande, o do Norte ignorante x Sul Civilizado. Sul civilizado, que elege o rapaz da previsão do tempo deputado estadual no RS e dá cadeiras na câmara para Maluf, Celso Russomano, Clodovil e Enéias, versus Norte que apóia Lula e que "não sabe votar".

Sejamos sensatos, Lula teve votação expressiva nas capitais nordestinas; nas capitais! Forçar a idéia ou ao menos sugerir que o eleitorado das capitais nordestinas é composto por silvícolas, agricultores ou pobrezinhos esmoléus é por demais irresponsável.

Larguemos os preconceitos. Se há abismo entre Norte e Sul, abismo semelhante há entre os interiores e capitais nordestinas e, mesmo assim, não se perde tempo buscando teorias que justifiquem a falta de carisma e de votos do candidato tucano na região, tampouco a rejeição crescente aos representantes da política coronelista de bem pouco tempo atrás. É mais fácil o simplismo de dizer que quem vota em Lula é ignorante e pronto. Nem que para isso, o ônus seja creditado a uma Região inteira.

O que não se lê nas análises é que o movimento pró-esquerda no interior da região é fenômeno recente. Durante muito tempo o eleitorado esteve na mão dos "coronéis", estes sim representados na redemocratização pelas legendas tucanas e pefelistas (Virgílio, Tasso, ACM e os caciques dos interiores). O que se vê agora é um movimento de libertação destes cabrestos. E é isso, o processo democrático da escolha de seus líderes intencionalmente, que as elites brancas e classe-médias atacam em editoriais.

Duas verdades. Um: A população beneficiária do bolsa-família não é suficiente em número para justificar os índices das votações. Se fosse assim, Lula só teria votos no interior e nenhum nas capitais, que não é o que ocorre. Dois: O eleitorado rural é insuficiente pra justificar uma aceitação maior de Lula no Norte/Nordeste. Pelo contrário, soube de casos nos interiores onde muitos eleitores analfabetos já foram votar com a cola toda marcada pelos "coroneizinhos" de sempre. Ou seja, justificar a votação expressiva de Lula no Nordeste como sendo votos de analfabetos (em uma votação complexa, com 5 candidatos) é buscar explicação onde a sensatez não permite. O próprio índice de erros é enorme nos interiores.

O Rei da fábula está nu ainda, mas para os intelectuais da Oscar Freire, quem percebe isso é que é o ignaro. Este povo nordestino não percebe a seda chinesa?

Gabs
8:03 PM

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Segunda-feira, Outubro 02, 2006

walking blues


"Gabriel Ramalho & Blues Experience apresentam o show Walking Blues, dia 11 de outubro, no CCBNB.
Da união de músicos experientes no cenário cearense, nasceu a Blues Experience, cuja proposta é apresentar um blues vigoroso, com influências que partem do blues de raiz e encontram demais ritmos universais (inclusive citações à música nordestina). O show que será apresentado no Centro Cultural Banco do Nordeste chama-se Walking Blues, citação à clássica música de Robert Johnson e referência ao fato do espetáculo propor um passeio por este ritmo e suas influências."


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Porque eu posso me permitir uma divulgaçãozinha de vez em quando...

Gabs
1:57 AM

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Enquanto isso na paulicéia...

1º colocado: Paulo Salim Maluf - 739.528 votos

2º colocado: Celso Russomanno - 573.276 votos

3º colocado: Clodovil Hernandes - 493.798 votos

4º colcoado: Eneas Ferreira Carneiro - 386.766 votos


E tem articulista e tem blogueiro que vem dizer que só o Nordeste não sabe votar...

* * *

Depois posto algo sobre o resultado da eleição.

Gabs
12:49 AM

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