gabriel ramalho
designer, músico, 25 anos.

ouve blues, hard rock, jazz, instrumental, experimental, mpb, música regional.
curte cinema, fotografia, artes plásticas e design.

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Quinta-feira, Novembro 30, 2006

Bater e perguntar

Um estudante de filosofia e estudos sobre a África do Norte e Oriente Médio utilizava a biblioteca da UCLA no turno da noite, dia 14 de novembro. Um agente de segurança do Campus perguntou a ele sobre sua identificação, espécie de crachá que os estudantes deveriam utilizar. Este disse que não estava com o documento e recebeu um convite para sair do recinto. Como o rapaz não obedeceu de imediato, o agente chamou reforço policial.

Minutos depois, o estudante estava no chão, cercado por quatro policiais. Um dos policiais, Terrence Duren, chegou a atingir o rapaz já imobilizado cinco vezes com uma Taser Gun, máquina de choques elétricos de uso militar; arma cujo uso - segundo a política da UCPD - é autorizado apenas em casos onde a vítima se caracteriza como agressora em potencial.

A tecnologia que, para os agressores, facilitou a intervenção violenta e totalmente desproporcional à infração do estudante em não ter se identificado, facilitou também a divulgação do ocorrido na Internet. Um estudante que assistiu a tudo registrou o vídeo com seu celular e disponibilizou no Youtube. Em meio a tudo, uma suspeita sobre o real motivo da desproporcionalidade em um detalhe que se mostra importante evidenciar: o estudante agredido se chama Mostafa Tabatabainejad. É iraniano.

A agressão rendeu protesto no dia 18 na California, fotografado pelo L.A. Times, quando estudantes, médio-orientais e demais exibiam a frase "Não me eletrocute" logo abaixo de sua identificação.



Histórico negativo

O histórico da polícia de Los Angeles não é dos melhores em relação a uso de força. Em 1991, Rodney King, motorista negro, foi espancado por 4 policiais em vídeo registrado por cinegrafista amador. Duren, o policial que utilizou a Taser Gun na biblioteca, a propósito, tem extensa ficha de denúncias de agressões e abuso de força policial.


A violência da polícia californiana chega a tal extremo a ponto de Sherman Austin, fundador da Cop Watch L.A, recomendar que todas as pessoas saiam de casa carregando câmeras digitais e artefatos do tipo para ajudar a vigiar a polícia e evitar abusos. No mínimo assustadora a necessidade da vigilância ao contrário.

Gabs
5:15 PM

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Domingo, Novembro 26, 2006

três

Neste espaço havia um post.
Por privacidade, a minha e das pessoas envolvidas, preferi apagar.
Agradeço a preocupação dos amigos que comentaram aqui e peço desculpas por ter escrito em momento de raiva. Acabei pintando a situação de forma bem mais grave.
Vou ficar bem, eu espero. E fico feliz com os amigos que fiz na vida e neste espaço virtual, que me ajudaram aconselhando e disponibilizando ouvidos e ombros.
Gosto muito de vocês.

Gabs
10:59 AM

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Domingo, Novembro 19, 2006

Fazem dias que não posto nada aqui e, mesmo assim, vou ser bem breve no post de hoje.
Mais umas sugestões de leituras na Internet que qualquer outra coisa.
O fato é que quero abandonar gradativamente o tema "política" no Blog e voltar aos temas antigos, mas meio que o tema da democratização da comunicação voltou a impôr a agenda deste blog e este é um tema que acaba puxando aquele.

Quem viu a reportagem na Globo sobre a prisão do filho do Almir Gabriel, no Pará, sabe a que me refiro. O Jornal televisivo se referiu ao preso pela PF Marcelo Gabriel como "filho do ex-governador Almir Gabriel, candidato derrotado nas últimas eleições". Nenhum comentário sobre o partido do pai do rapaz (PSDB), tampouco comentaristas políticos a exigir dos líderes do PSDB explicações. Até porque estes não saberiam de nada e o "não saber de nada" só pode ser usado midiaticamente como ferramenta de acusação quando o dedo é apontado para a esquerda.

* * *
recomendado

» Luis Carlos Azenha explica em um post o que levei meses de blog para explicar, Idelber Avelar também tergiversa sobre o assunto e Rafael Galvão fala sobre explicações para o êxito da Petrobrás nos últimos anos.

Gabs
10:29 PM

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Sexta-feira, Novembro 17, 2006

ué, meu blog sumiu?

Gabs
7:28 PM

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Quarta-feira, Novembro 08, 2006

Dois pesos, duas medidas

Nos últimos dias, vários jornais relatam uma certa indignação perante o que parece ter sido um comportamento inquisitório praticado contra repórteres da Veja chamados pela PF para esclarecimento sobre matéria veiculada pela revista, baseada em informações não verificadas sobre um suposto encontro de Freud Godoy com Gedimar Passos. A versão online da publicação fala sobre ameaças e coisas do tipo sofridas pelos repórteres. A Procuradora da República Elizabeth Mitiko Kobayshi, que estava presente na acareação, negou o sugerido pela Revista. Várias publicações, no entanto, deram apoio total e irrestrito aos repórteres interrogados, falando que tal atitude era uma ameaça ou afronta à "liberdade de imprensa".


O algoz e a vítima, segundo Azevedo

Interessante é notar que a cruzada da mídia contra os que querem cercear a liberdade de imprensa ou de opinião pode ser potencializada ou ser esquecida de acordo com o praticante. Emir Sader, jornalista e sociólogo, foi condenado em primeira instância por "crime de opinião", em ação movida pelo senador Jorge Bornhausen (PFL/SC). A pena, desproporcional ao crime, foi a perda de sua cátedra na Uerj e um ano de detenção, em regime aberto, conversível à prestação de serviços à comunidade. Cabe recurso à ação, mas é sintomático o silêncio dos grandes veículos que, até o momento, não prestaram o devido apoio. Fausto Wolff e Mino Carta foram uns dos poucos. Reinaldo Azevedo, blogueiro da Veja, pelo contrário, foi um dos que afirmaram apoio a Bornhausen. Mais sobre Azevedo no decorrer deste post.

Bornhausen, para quem não lembra ou não sabe, fundou a Arena, o PDS e o PFL, sendo ligado à ditadura militar desde o início e apoiador de sua política de repressão. Foi governador de Santa Catarina, indicado pelos militares e chegou a ser ministro de Collor e integrante da base aliada no governo FHC. Este, acreditem, é a considerada vítima do crime de opinião de Sader pela "Justiça".

Há na Internet um abaixo-assinado de apoio a Emir Sader. Eu já assinei. E, se você não concorda com o ocorrido, devia assinar também.

Para finalizar, o próprio Sader fala sobre o ocorrido.




* * *

Dois pesos, duas medidas II

Não sei quem era o entrevistado. A TV estava ligada na TV Câmara de madrugada enquanto eu trabalhava num free-lancer e só o som chegava a mim, no computador. A pergunta e resposta foram ótimas. Vou transcrever de memória e não-literalmente, mas dando o máximo possível de isenção à pergunta e à resposta. Imaginem eu contando numa mesa de bar e não escrevendo como fato jornalístico.

Entrevistadora: O senhor então considera que a cobertura jornalística nas eleições teve vocação partidária, favorecendo determinado candidato em detrimento do outro?

Entrevistado: Absolutamente. Vimos uma montanha de dinheiro estampada nas capas dos maiores jornais, de forma sensacionalista, às vésperas do primeiro-turno, devidamente maquiada para aparecer bem na foto. Isso influenciou. A liberação da foto foi intencional, já se sabe. Lembro que, na época do dossiê, me mostraram na Internet o vídeo do Serra ao lado de deputados sanguessugas. As imagens correram na Internet, muita gente viu e nenhum jornalão se interessou em mostrar. Mas, reconheço, a presença do Serra ao lado dos Vedoin não significa imediatamente que ele estava envolvido na máfia. Da mesma forma que a compra de um dossiê não é crime e o dinheiro não foi comprovado ainda como sendo de origem ilegal. Se protegeu um candidato por não ter provas de seu envolvimento num esquema de corrupção e se atacou o partido de outro sem atentar para este mesmo princípio.




* * *

Censura e controle

Foi particularmente notável o desempenho dos blogs e sites na cobertura das ações da mídia, denunciando as parcialidades e ofensas à inteligência do povo. Em um cenário em que a informação democrática da Internet foi fundamental para combater a antiga hegemonia dos veículos midiáticos de massa, é no mínimo de se pensar mais uma vez sobre a questão da democratização dos meios de comunicação. Os sites, democráticos, já apontam isso. Abrigam várias vertentes e permitem a leitura de correntes ideológicas diversas.

Não é de se admirar que exista gente insatisfeita com esta liberdade. O deputado Eduardo Azeredo (PSDB/MG) entrou com projeto de lei prevendo o controle da Internet e identificação dos usuários, apesar de já existir a identificação através de IP como forma de localizar criminosos virtuais.

Com gente sendo punida por "crime de opinião" e blogueiros sendo condenados em primeira instância por comentários em blogs ou posts contra políticos, é uma afronta à democracia da informação na grande rede.

Refrescando a memória, Azeredo foi o criador do Valerioduto e assumiu anos atrás, sem que a mídia fizesse alarde, o uso de Caixa Dois em suas campanhas. Foram os blogs que trouxeram o assunto a tona e os jornalões e revistas só foram tocar no assunto quando houve pressão da opinião pública esclarecida.



* * *

Perdendo o sono

Alexandre Garcia está visivelmente revoltado com o resultado do pleito. Nos último dias, chegou a acusar Lula de responsável pela crise na aviação civil, quando o descaso é secular e só veio a tona agora, após o acidente com o avião da Gol.

Alexandre tem mais motivos que a reeleição de Lula para tirar-lhe o sono. Bem-informados internautas lembram a existência do fato que fez com que o "comentarista político" perdesse o emprego de jornalista lotado na Presidência da República durante o Governo Figueiredo (é! Aquele do Regime Militar): uma denúncia de assédio sexual combinada com a aparição do jornalista, vestido apenas de cueca, deitado na sua cama num ensaio fotográfico da Revista Ele Ela. Na legenda da foto, "É aqui que eu abato as minhas lebres".


Questão de tempo para alguém digitalizar as fotos e elas correrem a Internet, duvidam?



* * *

De berço

Certas coisas parecem predestinadas. Consultando uma página sobre significados de nomes de origem árabe, descobri que Ali Kamel, nome do auto-suficiente diretor-executivo de jornalismo da Rede Globo significa, em tradução literal, "Senhor Perfeito".

Para bom entendedor...



* * *

De berço II

A Mídia escreve para a classe média, se alimenta dela e reproduz seus preconceitos. A fala de Reinaldo Azevedo em seu blog é sintomática e perfeitamente esclarecedora:

É Lula de novo com a culpa do povo

Um monte de gente - tentando disfarçar o sotaque petralha - me cobra: "Você não falou da entrevista de FHC em que ele se diz contra o impeachment de Lula". Em primeiro lugar, o ex-presidente fez a defesa da legalidade. Não pregou impeachment como mote de luta política; não propôs um "Fora Lula", a exemplo do que setores do petismo fizeram com ele: "Fora FHC". A começar de Tarso Genro, o "republicano". Em segundo lugar, abordei, sim, a questão num longo texto (clique aqui quem não leu). Quanto à diferença entre Lula e Alckmin, o que escrevi (e basta recuperar) é que acho que ela tende a ser menor do que indicam os institutos. Mas é só impressão. Não tenho como justificar tecnicamente. Ibope e Datafolha estão dentro do esperado.

Há certo tipo de leitor que só lê o que quer. Também deixei claro aqui umas 300 vezes que pesquisas sobre debates reproduzem as preferências eleitorais. O eleitor quase sempre acha que o seu candidato venceu. E até usei o exemplo de Serra e Lula em 2002: o tucano foi melhor em todos em embates, mas os levantamentos apontavam o contrário. Afirmei que Alckmin venceu os debates da Band, Record e Globo. E que Lula faturou o do SBT. Dava, como sempre, a minha opinião, não a do "povo" - a maioria diria, é claro, como disse, que Lula mandou bem.

Eu não tenho o menor interesse na opinião do povo. Quase sempre ele está errado. Aliás, a opinião de muito pouca gente me interessa. A democracia sempre foi salva pelas elites e posta em risco justamente pelo "povo", essa entidade. Vai acontecer de novo. Lula, reeleito, tende a levar o país para o buraco. E uma elite política terá de ser convocada para impedir o desastre.

O "povo", nos assuntos realmente importantes, não apita nada. É uma sorte! Aqui e no mundo inteiro. Não apitou quando se fez o Plano Real. Ou nas privatizações. Teria votado contra a venda da Telebrás ou da Embraer. Junto com Lula. Estaríamos sem telefones e sem produzir aviões. Os petralhas sabem: fico aqui queimando as pestanas, tentando achar um jeito de eliminar o povo da democracia. Ainda não consegui. Quando encontrar, darei sumiço no dito-cujo em silêncio. Ninguém nem vai perceber... Povo pra quê?


Me lembrei de um movimento que está rolando no Orkut refletindo o pensamento preconceituoso da classe média: a campanha "Não dê panetone a seu porteiro no Natal". Ridículo duas vezes. Ridícula a transferência da eleição de Lula apenas aos pobres e ridícula a afirmação de que todo nordestino só consegue ser porteiro no sul-maravilha.

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Sobre quem prega preconceito e desvios éticos, já cheguei a falar no Orkut e posso repetir aqui: um ex-porteiro do prédio onde meus pais moram, em Fortaleza, era paulista. Do interiorrr, mas era. Foi afastado, 5 anos atrás, por um motivo: foi preso por envolvimento com um bando de clonadores de cartões de crédito. Mas, voltemos ao post.
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Interlúdio


"E agora, José?"



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Pra não dizer que não falei das flores

Voltando gradualmente aos temas antigos do blog, uma vez que o tema "política" vai escasseando aos poucos:

  • Para tradutora, clichês prejudicam difusão da literatura brasileira


  • Biblioteca pessoal de Saramago poderá ser vista na internet
  • Gabs
    10:49 AM

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    Sexta-feira, Novembro 03, 2006

    Nunca é demais perguntar

    Sobre a frase final da nota publicada na Veja Online, em relação ao depoimento prestado por seus jornalistas à PF, "Nunca é demais lembrar: 'Pior do que estar submetido à ditadura de uma minoria é estar submetido a uma ditadura da maioria'.", será que poderíamos transpôr o pensamento para a questão da democratização dos meios de comunicação?

    Gabs
    12:01 PM

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