gabriel ramalho
designer, músico, 26 anos.

ouve jazz, samba, bossa, blues, hard rock, experimental, mpb, música regional.
curte cinema, fotografia, artes plásticas e design.

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Sexta-feira, Maio 25, 2007

sobre instrumentos e impostos

Como notícia ruim nunca vem desacompanhada, ainda no mês passado, tive um pequeno acidente doméstico: um litro de vinagre caiu, aberto, sobre minhas gaitas. Como são de metal e o vinagre é corrosivo e oxidante, façam as contas. 10 gaitas inutilizadas.

Tentei reverter a oxidação mergulhando as gaitas em uma solução de água e bicarbonato de sódio. Acho que só salvei uma assim. Uma guerreira, por sinal, a única brasileira dentre as vítimas. Hering Vintage, cromada e linda. As outras não tive coragem de levar aos lábios. Não sei se estou em dias com minha anti-tetânica e não quero ser mais um caso de alguém que deu a vida pela música.

No Brasil, em Fortaleza, especificamente, cada gaita diatônica profissional das minhas custa algo entre 150 e 250 reais. Um prejuízo considerável. Nos EUA, eu pagaria, no máximo, 20 dólares por cada uma. Arcar com o prejuízo e remontar meu set de gaitas agora ou esperar a vinda de algum parente do exterior para comprar a preços justos? O custo dos impostos na importação de instrumentos musicais beira o absurdo.

Hoje, recebo por e-mail, uma notícia maravilhosa. O Senador Cristovam Buarque divulgou projeto de lei que trata sobre a isenção dos impostos na importação de instrumentos musicais, bem como de suas partes e acessórios. Ainda é projeto de lei e ainda vai à votação no Senado. É certo que, provavelmente, sofrerá resistência por parte dos fabricantes nacionais, mesmo que estes importem grande parte dos componentes dos instrumentos que fabricam, já que haveria, depois, uma pressão para que os preços finais baixassem.

Há um abaixo-assinado na Internet para quem deseja contribuir e lutar pela aprovação do projeto de lei. Mesmo que você não seja músico profissional, bastando ser amante da música, assine também.

Gabs
2:00 PM

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fio de voz

Imagino que deva haver poucos medos a um profissional do que descobrir que pode se tornar incapacitado de executar suas atividades. Um cirurgião que descobre um Mal de Parkinson em si ou um pianista que descobre ter sido uma vítima da LER, deve experimentar sensações de incredulidade, revolta, frustração e depressão. Cito estes exemplos alheios a mim porque as coisas são diferentes de acordo com a forma como são encaradas. No meu caso, só uma leve tristeza e preocupação à notícia que dou agora.

Como começo? No último mês, diagnostiquei um problema de refluxo e descobri que este já causou alguns problemas às minhas cordas vocais. A revelação me foi dada após uma crise de garganta que não passava e me deixou dois dias de cama. O médico, ao examinar, foi categórico de que eu deveria tratar imediatamente, mudar a alimentação pois, caso contrário, poderia perder a flexibilidade das cordas vocais, ou algo parecido. A possibilidade de perder a afinação, a força da voz e coisas assim me assusta, como não podia deixar de ser. Por mais que, hoje em dia, a música não seja minha função principal nem o principal pagador de minhas contas, é um prazer e já me trouxe alguns reconhecimentos e alegrias. Estou em tratamento e inventando desculpas para não dar canjas nos shows de blues que freqüento. Não sei por quanto tempo vai ficar esta sensação incômoda de perceber a voz falhando após um dia de excessos e no meio de uma conversa e de não conseguir acompanhar a própria voz que sai das caixinhas do som, quando escuto a banda. É esquisito, mas estou tranqüilo e confiante que é passageiro.

Vou ficar bem. Prometo. Depois do tratamento, eu canto pra vocês como foi.

Gabs
1:43 PM

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sobre o hiato

Quase um mês sem postar. Não que faltasse assunto, mas é que complica um pouco quando não se tem muito tempo disponível, se mantém um blog que fala - também - sobre cultura e se escreve para uma coluna dentro do mesmo tema. Meus últimos posts têm sido lá na revista, por questões práticas, mas nada impede que eu depois os traga para cá também.

Enfim, tenho pensado em escrever posts políticos aqui, mas o trabalho tem deixado pouco tempo para me dedicar a escrever algo minimamente coerente. Como sei que todos sabem que este é um blog generalista, peço permissão para não escrever sobre, por enquanto. Sei que este espaço chegou a se destacar, na blogosfera, por um tempo, entre os blogs de pensamento esquerdista. Não que eu renegue a veste, mas é que, no momento, não é esta a minha prioridade. Pode até ser que, amanhã, eu mude de idéia e volte a postar compulsivamente sobre este assunto, mas não é a vontade de hoje.

Por enquanto, alguns posts mais genéricos, que assim que eu gosto daqui.

Grato pela paciência habitual.

Gabs
1:30 PM

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Quinta-feira, Maio 03, 2007

antenado

Ah, ia esquecendo: desde ontem, sou um dos antenados do Autêntica Vida Magazine, primeira revista eletrônica do Ceará.
O mais legal: conteúdo criado por blogueiros diversos e liberdade editorial total. Minha coluna, dividida com o carismático Ney Filho, é sobre cultura, artes, música e afins. Responsa grande.
Dêem uma chegada por lá, ok?

Gabs
12:29 PM

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da arte de rua

A matéria não lembro se era sobre o Centro de São Paulo ou o quê. Sei que foi num telejornal noturno na Record e, em determinado momento, apresentam dois homens, de algum estado nordestino que não recordo agora - abre parênteses: como não lembro a origem, não vou cair na tendência generalista que é a de se referir a qualquer pessoa nascida acima do Espírito Santo usando a generalização "nordestino" como se um paraibano, um baiano ou pernambucano não tivessem entre si tantas particularidades e diferenças quanto as que existem entre um carioca, um paulista e um capixaba, por exemplo. Fecha parênteses. - que tocavam sanfona e triângulo numa praça.

A reportagem mostrava o chapéu no chão, ao final do dia: um soldo de 17 reais para dividir entre os dois. Ambos, simpáticos, não reclamavam da desatenção do público. Agradeciam e comemoravam mais um dia de trabalho e, por que não, diversão. Fiquei imaginando como o amor pela música ali era maior que qualquer outra coisa. Qualquer flanelinha em local movimentado de São Paulo tiraria aquilo em minutos. Já eles preferiam trabalhar com a arte a fazer dinheiro fácil de outra forma.

Desce o pano. Me deparo, ontem, com esta notícia. Levaram o virtuose violinista Joshua Bell para tocar, roupas simples, numa estação de metrô. Após 43 minutos, 32 dólares e 17 centavos no chapéu. Neste ritmo, ele levaria 300 anos, tocando o mesmo tempo diariamente, para pagar seu Stradivarius de 3,5 milhões que utilizou na ocasião e, cálculos mais simples, levaria 4 dias para conseguir pagar um assento a média distância do palco para o próprio concerto que realizou no Boston Symphony Hall, dias antes.

O que valoriza um artista e separa o Joshua Bell dos editoriais de cultura do Joshua Bell do metrô de Washington? Só a legitimação do artista por parte da mídia?

Gabs
12:20 PM

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