gabriel ramalho
designer, músico, 26 anos.

ouve jazz, samba, bossa, blues, hard rock, experimental, mpb, música regional.
curte cinema, fotografia, artes plásticas e design.

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Terça-feira, Julho 31, 2007

Bergman *1918 +2007

Um pouco atrasado, eu sei. Com o acúmulo de trabalho e o tempo exíguo para ler notícias ontem, só hoje fui saber da morte de Ingmar Bergman, aos 89 anos em sua casa na Ilha de Fårö, Suécia.


Talvez a imagem mais clássica que vem a mente ao citar o diretor sueco é a da cena da partida de xadrez entre um cavaleiro medieval e a Morte, em O Sétimo Selo. O tom apocalíptico do filme, retratando os dias de trevas da Peste Negra, em pleno momento de reconstrução pós-guerra na Europa, rendeu o prêmio do Juri no Festival de Cannes de 1956 e a inscrição definitiva de Bergman no panteão dos grandes diretores.

Não foi o único sucesso do artista, entretanto, que ainda dirigiu "Morangos Silvestres", "Cenas de um Casamento" e "Gritos e Sussurros", pra ficar em apenas três títulos de suas quase 6 décadas de carreira.

Chamar de artista não é exagero. Podemos ficar com um comentário de Jean-Luc Godard, seu contemporâneo no fazer cinematográfico:
"O cinema não é um ofício. É uma arte. Cinema não é um trabalho de equipe. O diretor está só diante de uma página em branco. Para Bergman estar só é se fazer perguntas; filmar é encontrar as respostas. Nada poderia ser mais classicamente romântico".

Gabs
2:01 PM

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Quarta-feira, Julho 25, 2007

requiem

Três dias atrás fez três anos. Um scrap no Orkut, um reencontro, algo que começava ali naquele contato inicial e se tornaria uma parte importante de minha vida e recorrência em todas as lembranças e experiências posteriores.
Lembrei disso hoje, por acaso. Acaso mesmo, já que o assunto não é mais recorrente na minha vida nem nas minhas atenções e distrações. Ainda bem.

É bom ver como mudam os sentimentos e como a dor se transforma, de certa forma, em algo diferente. Mistura de nostalgia com algo que não é nem arrependimento pelos "se" nem rancor pela forma como aconteceu o adeus. De repente, foi. Sem que preciso fosse mais um adeus, um e-mail ou um telefonema.
Se a chegada do sentimento foi arrebatadora há três anos e a consciência do fim foi árdua por 6 meses, as decepções posteriores serviram pra quebrar a imagem, idealizada por mim, que me mantinha preso à história toda, como se todas as culpas fossem minhas e todas as responsabilidades, idem. Se foi e redescobri a leveza. Não me sentia tão bem em muitos meses.

*
Talvez o texto mais bonito que eu tenha escrito até hoje, aquele pelo qual eu mais orgulho tive ao reler tempos depois e isolado do sentimento do instante em que escrevi, tenha sido aquela carta, envelopada e atirada por cima de um muro. Nela havia ainda um resquício de esperança, de vontade de me abrir. Hoje, sem o sentimento, é um texto apenas bonito. E agora, distante do sentimento todo, percebo que deve ter sido apenas isso também para a destinatária.

*
Obrigado, tempo. Hoje me dei conta de que estou melhor porque lembrar disso tudo não me trouxe uma gota de revolta ou esperança de que tivesse (ou seja) diferente um dia.

A gente aprende. É só tirar as rodinhas.

Gabs
4:19 PM

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Segunda-feira, Julho 23, 2007

pós-post

Um comentário do Pedro no post anterior me fez perceber que tinha que deixar algumas coisas claras. Não quero dizer que o governo federal não teve culpa no acidente. Teve, sim. Não foi o único culpado mas teve culpa.

Como disse no comentário, houve negligência da parte de quem não acompanhou ou auditou as obras de Congonhas; da parte que não fiscalizou o estado das aeronaves; das empresas aéreas que levantam os aviões e forçam pilotos a voar e pousar mesmo em condições desfavoráveis para não perderem dinheiro e, claro, da Anac e do Ministério da Defesa que pecam por omissão nisso tudo. O "caos dos aeroportos" entra de coadjuvante por forçar as empresas a pousar seus vôos, mesmo em condições de risco, para não perderem seus horários nem arcarem com multas.

Tampouco quis defender a reação de Marco Aurélio Garcia com o argumento fajuto do "ah, o Kassab também foi insensível naquele episódio". Apenas quis demonstrar a diferença da ênfase e das coberturas.

E, para reforçar mais uma vez o quanto fiquei abalado com o acidente, me choquei com a morte de alguém relativamente próximo e quase perdi uma de minhas melhores amigas, que estava em Porto Alegre e embarcaria no vôo que sairia 40 minutos depois do 3054. Foi o acaso ou uma promoção da GOL que a salvou de escolher aquele vôo, já que pretendia realmente embarcar por volta daquele horário e com mesmo destino no mesmo dia?

No mais, quero justiça e quero que se descubram e punam os culpados, sem demonizações antecipadas ou caça às bruxas.

Gabs
12:22 PM

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perguntar não ofende - XII

Alguém poderia me explicar por que o gesto a portas fechadas do Assessor Marco Aurélio Garcia, no momento em que teve retirado das costas o peso da responsabilidade pelo acidente do vôo da TAM, recebeu repercussão midiática muito maior do que a piadinha de gosto duvidoso de Kassab, feita em público, sobre o desabamento do metrô de SP, dias depois de ocorrido?

vôo 3054

Não quero, ao contestar a cobertura da mídia, de forma alguma, minimizar o acidente da TAM. Não poderia, aliás, ainda mais depois que a tragédia adquiriu uma dimensão pessoal maior ao descobrir que uma das vítimas estava a apenas um grau de distância: era primo de uma amiga de quem não tenho mais tanto contato mas por quem tenho muito carinho. Não posso desmerecer a dor de ninguém porque no meio de tanto absurdo, a gente sente por cada família, por cada pessoa que perdeu um amigo, um filho, uma esposa. Cada rosto que aparece na TV tem uma história e isso incomoda porque poderia ser qualquer pessoa, eu ou você naquele assento. Uma amiga, inclusive, escapou do acidente porque escolheu vir pela Gol, no mesmo horário e a partir de Porto Alegre. Fez check-in do lado das pessoas que vieram pela TAM.

vôo raso da mídia

Foi uma tragédia? Foi. Houve negligência? Houve. Deixou o Brasil inteiro com receio da bomba-relógio que é Congonhas? Deixou. O que não foi sequer ético, desde o início, foi a tentativa da mídia de usar a tragédia como um gancho para manter a "crise aérea" no noticiário e atribuir antecipadamente ao governo a culpa, antes mesmo que se descobrissem as causas. Algo que ainda deverá levar algum tempo. Quando saiu a notícia do defeito do reversor, entoei o mantra que sempre utilizo nestas situações: "Escola Base não ensina".

Gabs
9:57 AM

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Quinta-feira, Julho 12, 2007

alemão

Porque nascer preto e pobre no Brasil é quase sentença de morte. Ou pelas condições nas quais são obrigados a viver ou pelo justiçamento nas chacinas patrocinadas pelo governo do Rio.

Enquanto o pai do delinqüente classe-média que espancou a empregada, com os amigos, defende que o mesmo seja solto por ser uma "criança que estuda e trabalha", gente que acorda 4 da manhã pra ir pro serviço tem a rotina interrompida pelo tracejar das balas. Cabral diz que é guerra. Só se tem baixas de um lado e, mesmo em guerras, se fazem prisioneiros e não cadáveres.

*

O Marcelão postou um ótimo texto a respeito e boto o link aqui porque vale muito a pena ler.

Gabs
10:59 AM

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Terça-feira, Julho 10, 2007

sobre la revolución

Se há algo que gosto no Youtube é a facilidade com que permite que tenhamos acesso a trechos de documentários e a imagens que não veríamos em outro lugar. Não havia feito a busca quando escrevi o post de 02 de julho. Se tivesse, teria encontrado estes excelentes complementos.

O primeiro é o trecho que mais me indignou no documentário "A Revolução não será televisionada": a manipulação de imagens do confronto entre chavistas e oposicionistas com comentários de um ex-jornalista da RCTV, que se demitiu depois do ocorrido. O segundo é o próprio documentário, dividido em dez partes. Assista a partir do primeiro e cace os demais na lista de vídeos relacionados, oquêi?

Gabs
8:14 PM

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Segunda-feira, Julho 09, 2007

sebo virtual

Certo que não tem o mesmo charme de puxar um banquinho em frente a uma estante de livros empoleirados e sair caçando com os dedos, respirando pó e explorando edições até achar aquela pechincha que reúna bom preço em uma encadernação arrumadinha e com papel que não desmanche ao folhear.

Mas, bem, no Estante Virtual, se não existe o prazer infantil de explorar e descobrir coisas raras a preços módicos numa estante de sebo, há a possibilidade de filtrá-los por cidade, bairro e ainda procurar por títulos, autores e assuntos em inúmeros destes, de vários cantos do Brasil. Há a possibilidade de encontrar aquela raridade à distância de um frete ou de descobrir que aquele livro que você não encontra de jeito nenhum pode estar num sebo a poucos quarteirões de sua casa.

Visto no Gabinete Dentário. Cocem os bolsos.

Gabs
3:18 PM

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O Jumento Santo
e a cidade que se acabou antes de começar


A primeira vez em que vi esta animação do Núcleo de Animação da Faculdade Barros Melo, foi numa palestra sobre design no SENAC. Com ritmo de cordel e referências nordestinas, se reconta a história da origem do mundo e dos descaminhos do homem. Pra consertar tudo, Deus manda um jumento à Terra.
Deliciosamente herético.

Em duas partes. Assista uma antes da outra. Depois reze três pais-nossos e duas ave-marias.


Gabs
1:45 PM

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Quarta-feira, Julho 04, 2007

J'ai toujours pardonné
A ceux qui m'ont offensé
Mais j'ai la liste

(Citation - Valdo Aderaldo / Paula Tesser)

*

é bom botar a cabeça fora d'água, vez em quando.

Gabs
5:11 PM

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Terça-feira, Julho 03, 2007

Ceci n'est pas un Magritte

René Magritte sempre foi dos pintores surrealistas o que mais me impressionou. A recorrência de elementos, como os cachimbos, chapéus-côco e guarda-chuvas, em suas obras lembra o mesmo motivo pelo qual gosto do trabalho de Edward Munch e seus tantos gritos e pontes. É na presença de elementos sólidos no meio de cenas fortemente oníricas que se dá chão à surrealidade de Magritte.

Hoje, através do blog Gabinete Dentário, esbarrei no site de uma exposição de um fotógrafo norte-americano, Rodney Smith. A coleção, merecidamente chamada Surreal, claramente homenageia o universo de Magritte, em composições que remontam os quadros e atmosferas, explorando um excelente contraste de luz e sombras, realidade e ilusão.


Vale a conferida na exposição de Rodney Smith e um rápido passeio pelas obras de Magritte.

Gabs
3:14 PM

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Segunda-feira, Julho 02, 2007

chavez del canal ocho

Aos que acompanharam apenas pelos meios de comunicação a polêmica da não-renovação da concessão da RCTV, na Venezuela, duas dicas: 1, assistir ao documentário "A Revolução não será televisionada"; 2, ler a sintomática entrevista do ex-dono da emissora de TV, Marcel Granier, ao Terra Magazine.

Dia destes, uma amiga mandou um texto sofrível atribuído ao Jabor (o que não descarto ter sido de autoria dele mesmo, tão fraco era), que dizia que Chavez feriu a democracia ao não renovar a concessão da RCTV. Ora, pela lei venezuelana, as concessões devem passar por um processo onde sua renovação pode ser feita ou não, através de decreto presidencial. Não houve, ao contrário do que apregoa a mídia brasileira, qualquer ilegalidade. Concessões são renovadas e revogadas, o tempo todo, no mundo inteiro. Chavez não cancelou a concessão, em 2002, quando a RCTV participou do golpe que o destituiu do poder por 48 horas. Esperou 5 anos para terminar o prazo legal da concessão e não a renovou, dentro da lei. Onde estava a mídia brasileira para criticar o ato contra a democracia que foi a destituição de um presidente eleito democraticamente? Quem praticou o atentado contra a democracia? Não é dever moral de uma emissora informar sem manipulação?

Sobre a entrevista, algumas perguntas deliciosas. É bom ver Granier comparar Chavez a Hitler e se esquivar da pergunta que é feita sobre Goebbels. Leiam lá e depois contem aqui.

Gabs
4:09 PM

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Algún día

Liniers. Genial!*

(*) Estou devendo um post sobre. Me lembrem.

Gabs
12:58 PM

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