gabriel ramalho
designer, músico, 26 anos.

ouve jazz, samba, bossa, blues, hard rock, experimental, mpb, música regional.
curte cinema, fotografia, artes plásticas e design.

fale comigo.

: deixe algo pra mim.

Macroondas
Anomia
Blogogrifo
Ecletiquices
Brusk não fala francês
Middle of Yesterday
Momento num Café
Mönd Frolich
Moshi Moshi
Macondo
Notas do subterrâneo
Eu por Eu
Nostalgia Improvisada

Saltimbanco Búlgaro
Hálito de Virgem
Artigos Indefinidos
Claudão
Schisophrenices
Drops de Anis
Dias e Noites
Eyes Wide Shut
Lid
Luija
MazelaWorld
No Hay Banda
Rapha Ponto G

Insensatez Cotidiana
Bloco do Eu Sozinho
SkyValley
Farelo
Flows
Antena Paranoica
Playing Games
Além das Nuvens
Quite a Good Girl
Clara Beauty Journal
Pausa pro cafezinho
Los 3 Amigos

Blah Blah Blog
Let´s Blogar
Life is a Long Song
Missiva
I'm The Walrus
Vitor Freire
Diário da Cosette
MotoContínuo
Carne Víbora
Biajoni

Cambalhotas de Irrealidades
NoMínimo
Cabeza Marginal
Blogger
Cardapio MTV
Google
Releituras
Underweb
Baderna.org
Paralelos
Insanus
Gardenal.org
Patife



Segunda-feira, Novembro 19, 2007

este número mudou para...

Este blog mudou de mala e cuia para o Portal de blogs Blogueisso, do Leonardo Fontes.

O endereço agora é http://www.blogueisso.com/silenzio.

Atualize seus bookmarks e, se quiser, inscreva-se no feed rss que tem por lá.

Este espaço vai ser mantido como memória, afinal foram cinco bons anos.

Obrigado a todos que visitaram esta casinha por tanto tempo. Nos encontramos pra continuar os papos agradáveis.

Até.

Gabs
5:28 PM

|

♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣

Quarta-feira, Novembro 07, 2007

O show que nós não vimos


Não estive lá, mas a imagem que me vem à mente quando escuto os primeiros acordes é tão viva, colorida e presente que posso alegar ter visto com os próprios olhos quando, a sério mesmo, os olhos são os da imaginação e as lembranças são seqüências inventadas. Mas, espere, quais lembranças não são? A gente dá novo sabor, novas cores e novas imagens a elas sempre que as revisitamos. Por que, então, não dar também aspecto de lembrança a uma cena que jamais presenciei e que só me apresenta, nítida, quando escuto esta música?

Façamos assim. Vou convidar você a visitar esta lembrança junto comigo. Com um pouco de boa vontade, você verá as imagens tão nitidamente quanto eu as vejo.

O ano era 1977 e Astor Piazzolla se apresentava com o Octeto Electrónico no Teatro Olympia, em Paris. O show viraria um disco memorável e o bandeneonista testava ali uma nova formação, criada a partir da união de jovens músicos ligados à cena rock argentina. O tango, já uma vez revolucionado por ele, se aproximava agora de algo extremamente global, trazendo o encontro da tragicidade e dramaticidade do estilo argentino com uma sonoridade jazzística a la Chick Corea.

Libertango é a primeira cançao do show. Olhares atentos na platéia. Um apresentador anuncia Piazzolla e o que se segue é melhor visto se você usar os olhos de sua imaginação neste momento. Agora é a hora em que você aperta Play neste botão de baixo e se deixa guiar pelos próximos parágrafos.


Imagino o palco com os oito músicos sentados enquanto Piazzolla espera na cochia. Imagino a pressão sobre os ombros do octeto quando a cortina se abre e todos se mostram às pessoas como quem entra em arena para enfrentar leões. O primeiro gladiador a enfrentar o crivo do público e responsável por orientar as outras 8 pessoas seria Tomás Gubitsch, um molecote argentino de 19 anos. Ele sabe da responsabilidade confiada a ele, sabe que muita gente queria estar ali no seu lugar e sabe que qualquer erro agora prejudicaria a confiança da banda e arruinaria o show. Prestem atenção nele: mal dá tempo de o locutor anunciar e o rapaz respira fundo e, segurando a respiração, mergulha e inicia uma nervosa sucessão de acordes, mantendo a concentração antes de voltar a superfície. Quando está quase submergindo, uma bóia vem puxá-lo na forma de duas notas no baixo de Adalberto Cevasco. É então que os dois passam a dialogar, com a voz grave do baixo de Adalberto brincando sobre a passarela criada pelos acordes de Gubitsch. O movimento dos dedos de Cevasco, se você prestar atenção, parecem dançar tango sobre o braço do baixo.

Então, logo depois do primeiro minuto, os dedos de Osvaldo Caló passeiam pelas notas do piano, brincando de subir e descer escalas e o que se segue, com o ingresso do órgão, com a visita da bateria e com a chegada do sintetizador capitaneado pelo filho do bandeneonista, Daniel Piazzola, parece uma reunião informal de amigos. Cada um que chega traz um sotaque novo, traz um novo assunto, torna o diálogo cada vez mais algazarrado e, por mais que haja um aparente caos por conta da sucessão de frases diferentes, de timbres diferentes, por algum mistério destes que a gente só encontra no tango e no jazz, há uma ordem ali. O tema principal permanece, não há caos, tudo se complementa. Preste atenção nos olhares compenetrados, nas precisões. Tente identificar cada instrumento, ouvir cada frase como quem lê entrelinhas. Note a bateria que vêm surgindo junto com o piano, o momento em que os dois disputam a atenção até que este segundo some, misteriosamente.

Enrique Roizner sobe dialogando sua bateria com os sons exóticos do sintetizador de Daniel. Se você olhar com atenção, perceberá alguns sorrisos ali. Os outros estão os deixando brincar. Tão misteriosos como surgiram, os dois vão gradativamente sumindo, os sons ficando baixinhos, até que Caló assinala seu retorno com algumas notas soltas e, magistralmente, a flauta de Chachi Ferreyra ocupa todo o teatro. É a senha para o retorno gradativo dos outros. Mais uma vez uma confusão sonora, todos tocando ao mesmo tempo coisas diferentes e, incrivelmente, a mesma coisa. É nesta hora que a platéia entra também na música. São as palmas que assinalam, aos 4 minutos e meio, a entrada de Piazzolla no palco.

Vejo Piazzolla entrar com o bandoneon. Magicamente, há um sentimento enorme de respeito no palco. A massa sonora de poucos segundos atrás some. Apenas o piano de Caló e a percussão de Roizner permanecem na música, enquanto Piazzolla senta no banco, franze o cenho enquanto arruma o instrumento, observa como um comandante os arredores, parabeniza seus colegas em silêncio com um leve meneio e arquear de sobrancelhas, levanta a cabeça altivamente e, com expressão grave, se torna, aos exatos 5 minutos da música, o centro de atenção do palco.

Todos ficam visivelmente menores quando contracenam com o mestre, mesmo que este aparente, ao estar sentado, ser ainda mais baixo do que o que é. Não é a medida milimétrica da estatura, é o tamanho da presença e do carisma que ou se tem ou se nasce sem. Ali, Ástor é Adamastor. Piazzolla, agora, conduz o teatro inteiro, platéia e músicos, por um caminho trágico e, ainda assim, bonito e repleto de surpresas. Aos 7 minutos, o bandoneon que trouxe os outros instrumentos para o alto, traiçoeiramente empurra a todos colina abaixo. O piano, dentre todos, é o que assinala a queda, descendo, rolando pelas escalas, mirando um abismo imaginário, queda inevitável. Quando tudo chega ao chão e, simultanemante, baixo, bandoneon e percussão assinalam o fim, pode-se perceber que, também na platéia, esta era a bóia que faltava para trazer o público de volta à superfície e retomar a respiração. Os aplausos são os mais sinceros que já ouvi em uma gravação ao vivo.

Era em Paris, era em 1977 e eu não estava lá. Nem você, acredito. Mas duvido que, depois de hoje, você consiga ouvir esta música sem se deparar com esta lembrança que nenhum de nós dois viu mas que pode te reencontrar vez em quando.

Gabs
10:22 AM

|

♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣

Domingo, Novembro 04, 2007

.

Sabe quando você sente que algo muito ruim está prestes a acontecer?

Deus, que seja só impressão. E que passe logo, favor.

Gabs
11:10 PM

|

♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣

Quinta-feira, Novembro 01, 2007

teto de vidro

Por esta Heráclito Fortes (DEM-PI) não esperava. Quando, motivado por um fato inexistente utilizado como factóide por irresponsabilidade de Carlos Chagas (com retratação logo depois), resolveu sugerir a criação da CPI das ONGs, não esperava que as investigações chegassem rapidamente a um fato inconveniente: a terceira ONG que mais recebeu recursos do governo, entre 1999 e 2006 é a Alfasol, fundada por Dona Ruth Cardoso, esposa do ex-presidente FHC.

Falando numericamente, a organização fundada durante o governo FHC recebeu 336 milhões de reais nos últimos 7 anos, sendo a terceira ONG que mais obteve recursos federais. A quantia é proporcionalmente pouco menor que a que está prevista este ano para o programa federal que tem o mesmo fim.

Resumindo, a CPI surgiu para averiguar o desprendimento do governo em relação à distribuição de recursos entre as maiores ONGs (vinte delas ficam com 30% do volume de repasses), que chega a ser maior do que o que é gasto com o criticado Bolsa Família e chegou à descoberta de que a terceira maior receptadora destes recursos é uma ONG pertencente à ex-primeira-dama.

Mas isso você não vai ler em nenhuma revista semanal. Alguma dúvida?

O Congresso em Foco fala de reunião secreta com intuito de blindar a ONG de Dona Ruth, evitando incluí-la nas investigações da CPI. Fala-se ainda que houve acórdão, já que outra ONG que pode entrar na investigação, a Rede 13, extinta em 2003, foi presidida por um filho de Lula. Pelo suposto acordo, cuja existência é negada pelo relator Inácio Arruda (PcdoB-CE), se preservariam uma e outra.

Não se comprovou ainda irregularidade, mas se a questão é criticar a distribuição de recursos federais para organizações não-governamentais, entidades e associações filantrópicas, é chocante a revelação de que a terceira destas tenha sido criada no governo de FHC, por sua esposa, e responda por boa parte da receptação.

Chocante demais para que passe em branco, como é o que deve acontecer por estes dias. Afinal, não é Dona Marisa ou Lulinha o beneficiário.

Gabs
9:44 PM

|

♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣